Cap 13: Eu vou ficar.

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— Ele sumiu — murmurou Gulf, estupefado e sentindo-se tolo ao afirmar o óbvio.

  — A túneis conectando o estábulo com outras partes do Castelo — Thorn o fitou por um instante. — Você está causando muitos problemas, não é?

  — Eu? Hora, só sai para caminhar um pouco e resolvi conhecer o estábulo, nada mais. Foi Art quem criou problemas, pois deseja Mew, creio.

— Sim, ele o deseja, apesar da metade mortal de Mew o enojar. Art quer ser o senhor de Cambrum, mas nosso Lorde jamais confiou nele. O desprezo que sente pela mãe mortal de meu primo também não ajudou a conquistar sua confiança. Mew não deseja casar com um homem do clã, pois quer ter filhos.

   — Sou mais do que só um útero para gerar herdeiros! Sou um homem adulto e completo.

  — Quanto a isso não há dúvidas, a julgar pelo sentimentos e sensações que desperta em meu Lorde. Mas ser capaz de dar a luz é uma benção, e você não deve se sentir insultado por estar apto a gerar novos membros para o nosso clã.

   — É bom poder ser pai, mas um homem merece mais do esposo do que apenas ser o pai dos seus filhos.

  — Você não necessita alimentar inseguranças, Gulf, você me permite chamá-lo assim. Meu primo é um monge quando comparado aos outros homens da família, e jamais lhe será infiel. Na verdade, ele deseja mais do casamento do que somente a oportunidade de gerar herdeiros e garantir a salvação do nosso clã. Conheço meu primo e sei o que digo.

Thorn falava com sinceridade, mas as dúvidas e incertezas não abandonavam Gulf.

  — Contrair matrimônio não é uma decisão fácil, pois não é só meu destino que está em jogo, mas também o de meus filhos. Há tantas coisas que devo considerar... E Mew me pede que decida em uma semana!

  — Não somos muito diferentes das pessoas normais.

— Mas são diferentes!

  — Ser um pouco diferente dos demais não deveria significar problema para seu clã — respondeu Thorn de forma vaga. — Somos capazes de levar uma vida quase normal, amar e ter filhos. O que contam a nosso respeito são lendas e não a realidade. De qualquer maneira, é Mew uem deve lhe contar nossa história. Agora devo sair daqui — ele sorriu e inclinou levemente o tronco num gesto respeitoso, antes de desaparecer entre as sombras.

  Gulf logo compreendeu a razão de Thorn partir com tanta pressa: as venezianas das janelas foram erguidas pelo lado de fora e a luz do sol inundou o estábulo.

  Cansado de tantas conversas e emoções fortes, Gulf resolveu que era hora de voltar, e logo já caminhava pelas vielas da propriedade feudal e atravessava o grande pátio onde os London realizavam as tarefas do dia a dia. Pouco depois, adentrava o castelo. Após atravessar os corredores iluminados por velas deparou-se com Mew no salão principal. Sentado a grande mesa ele conversava com Magnus, outro cavaleiro do clã cuja lealdade ao Lorde estava acima de suspeitas. Ao lado deles, outros membros do clã escutavam a conversa com atenção e respeito.

   Gulf fitou aquele Lorde que desejava despozá-lo. Sua beleza masculina era tamanha que chegava a lhe provocar um aperto no coração. Mew ergueu a cabeça e sorriu para ele, mas seguiu a conversação com Magnus. Um lorde atraente, rico e nobre como qualquer esposo que ele poderia almejar. Contudo, ele não suportava a luz do sol, possuía dentes afiados como de um lobo, apreciava comer carne crua... e diversos membros de seu clã habitavam cavernas subterrâneas sobre o castelo! Havia motivo de sobra para que se preocupasse, mas mesmo assim já não desejava partir: sentia carinho e ternura demais por aquele homem.

    Gulf atravessou o salão caminhando em direção à mesa, e de repente uma certeza se formou em seu coração: ele amava Mew. Já não podia negar tal sentimento, mesmo que quisesse. Não saberia dizer quando seu coração sucumbirá ao lorde de Cambrum.

  — Você é um homem vivo — murmurou Gulf para si mesmo ao se aproximar.

   Surpreso, Mew o fitou, tentando não deixar que a esperança de ser amado inundasse seu coração de forma incontrolável, que talvez causasse futuras desilusões.

   — Sim, meu cavalheiro — foi o que disse em tom suave. — E a única pessoa que pode colocar sua alma em risco se decidi ficar ao meu lado é você mesmo.

  — Suponho que isso deva me fazer sentir mais calmo... — Gulf postou-se ao lado dele.

   Mew o tomou pela mão e o fez sentar em seu colo. Agora seu rosto exibia um sorriso que o tornava ainda mais bonito.

  — Decidiu ficar aqui comigo, então? —  Perguntou ele, sem se importar com a presença de Magnus e dos demais.

  — Sim! — Gulf sentiu-se livre de todas as incertezas.

Ao ouvirem aquilo, os homens soltaram murmúrios de alegria, e alguns até mesmo bateram palmas.

   — Posso perguntar porque mudou de ideia?

  Gulf sorriu com ternura, mas não revelaria o que ia em seu coração enquanto não tivesse certeza de que seus sentimentos eram retribuídos pelo lorde.

  — Porque você beija bem!

  — Obrigado, querido, mas acredito que também exista outra razão.

   — Decidi que é melhor aceitá-lo como esposo, já que não há nenhum outro lorde pelo qual eu sinta a mesma inclinação.

  Já é um começo, pensou Mew antes de beijá-lo nos lábios com suavidade. Na verdade ele desejava mais, pois queria ser amado. Mas teria paciência. Em breve Gulf Kanawut se tornaria parte de sua família, ganharia seu nome e lhe entregaria seu corpo, e ele faria o possível e o impossível para também conquistar seu coração e seu amor.

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