Mew o abraçou pela cintura e beijou-o na face, como tantas vezes nos últimos dias, desde que o carregará para o quarto e se deitará sobre ele. Num impulso, ele beijou a veia do delicado pescoço de Gulf, resistindo ao desejo de provar o sabor do líquido vital que ali corria. Mew o cortejava sem tréguas, e não hesitava em acaricia-lo, despertando o desejo em ambos. Cada vez mais Mew desejava possuir Gulf, estar dentro dele, e sua mente alimentava a fantasia nas quais Gulf jazia nu sobre o leito e abria os braços para recebê-lo.
Gulf ronronou com suavidade quando ele lhe beijou o lóbulo da orelha. Era estranho que produzisse tal som, mas ele sempre fazia ao ser acariciado; e este ronronar, como o de um gato, o excitava ainda mais.
Um ruido próximo, contudo, despertou sua atenção e o fez emergir do encantamento. Surpreso, Mew percebeu que havia erguido Gulf do chão, comprimindo-o contra a parede; Gulf não parecia ter notado, dê certo preso no mesmo encantamento que ele. Baixou-o com delicadeza e olhou ao redor para descobrir a origem do ruído, mas não havia ninguém por perto.
Eles estavam num dos compridos corredores do Castelo, e apesar de não enxergar viva a alma, seu instinto lhe dizia que alguém os observava a pouco. Será que os sangue-puros os espreitavam? Nada mais se passará depois da discussão com Sãm e Art, mas sem dúvida os sangue-puro de seu clã ainda se opunham ao casamento.
— Já está pronto para dizer sim? — Perguntou, notanto com prazer que Gulf lutava para recuperar a compostura e se libertar do desejo que as carícias lhe causavam.
— Você é um homem obstinado! — Gulf sentiu o coração acelerar.
— Sou — concordou Mew com um sorriso, antes de beijá-lo suavemente nos lábios. — Mas receio que terei de continuar minha sedução mais tarde — então soltou-o, e desapareceu pelo corredor.
Gulf suspirou fundo, buscando acalmar a respiração, que sempre se alterava quando Mew lhe tocava. Ainda que não gostasse, os carinhos do lorde despertavam seu desejo, e ele se sentia maduro e pronto para amar com paixão. Tocou o pescoço para assegurar-se de que ele não o ferirá com seus dentes afiados embora já não tivesse mais nenhum receio de que Mew o machucasse.
O sol brilhava, e Gulf resolveu sair para respirar ar fresco. Como de costume, não havia sinal do Suppasits no pátio e entre as vielas onde moravam os London, e a gente de Sana seguia as suas tarefas cuidando dos animais e da manutenção da propriedade. Gulf se sentia protegido entre os vassalos, pois os últimos dias lhe deram a oportunidade de comprovar que eram muitos leais ao lorde de Cambrum.
— O dia está agradável — disse Sana, aproximando-se ao avistá-lo.
— Sempre diz isso! — Gulf sorriu.
— Não gosto dos dias frios do inverno. A chuva e o tempo cinza não me incomodam, mas não aprecio as baixas temperaturas.
— Não há crianças aqui? — Perguntou Gulf, fitando os outros que seguiam trabalhando. — Mew mencionou algo a respeito dos Suppasits não terem herdeiros jovens, mas nunca vi crianças mesmo entre os vassalos.
— O senhor tem razão, não temos crianças. Meu filho David foi o último a nasceu no castelo há 20 anos. Talvez o senhor o conheça, é o rapaz que toma conta do estábulo. Quanto ao Clã do Lorde, faz muito tempo que não são blindados com herdeiros.
— É mesmo? Pensei que Thorn também tivesse por volta de 20 anos — Gulf notou que seu comentário incomodava Sana.— Qual a idade de Thor Suppasit?
— Não sei ao certo — Sana hesitou um instante. — Não me recordo de quando ele nasceu, e não penso sobre tais assuntos. De qualquer forma, de que interessa saber a idade deles? Importante é que continuem forte e possuem uma saúde de ferro.
— Creio que tem razão, mas o fato é que eu gostaria de ter filhos — disse Gulf, corando levemente.
— Não se preocupe, estou certa que meu senhor poderá fazê-lo pai de uma grande família. Quanto a nós, tanto os Suppasits como os London seguimos nosso destino de adultos sem proler. Meu filho David já tem idade para casar, mas os jovens que habitam o feudo são parentes próximos demais para contraírem matrimônio; e como nunca saímos daqui, permanecemos solteiros. Entretanto, sei que nosso Lorde será capaz de trazer sangue novo para o clã.
— Então está segura de que Mew é um homem que pode gerar filhos? — Perguntou Gulf, pensando que seria melhor se os habitantes do castelo usassem a palavra sangue com menos frequência.
— Pensei que o senhor já tivesse certeza disso pois têm estado tão juntos ultimamente... — o olhar maroto que Sana dirigiu a Gulf o fez corar. — Agora, se me desculpa, devo continuar meus afazeres — disse ela, sorrindo com tamanha simpatia que era impossível deixar de reconhecer que aquela mulher era sua amiga.
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Cavalheiro da Noite
FanfictionPrólogo Dois homens unidos por Laços de Sangue e por uma maldição que assombra seu clã, estão condenados a uma vida sombria e submetidos a desejos estranhos e incontroláveis. Somente o casamento com homens que não compartilham a natureza desses...
