Ao se libertar, contudo, Gulf notou que Thorn receberá a punhalada à ele destinada e correu a ajudá-lo, com a sensação de que sombras flutuavam a seu lado, acompanhando seus movimentos. O punhal felizmente se cravará logo abaixo do ombro, e ele respirou o fundo antes de puxá-lo para fora. Thorn soltou um gemido de dor, mas no instante seguinte o ferimento começou miraculosamente a fechar.
— Mate este desgraçado, Mew, ou eu o farei! — Gritou Saint.
Ainda fascinado pela visão do ferimento cicatrizando num passe de mágica, Gulf se virou ao ouvir o grito de seu irmão, mas não conseguia vê-lo, pois muitos cavalheiros sangue-puros permaneciam à sua frente.
— Meu irmão está realmente zangado, Thorn. Quando está assim é perigoso como um Leão.
— Sem dúvidas parece um leão — comentou ele com um leve sorriso.
— Consegue vê-lo? Seu cabelo se avolumou está eriçado?
— Tal como se fosse uma juba — informou Thorn com ar divertido. — Mas Mew, se prepara para enfrentar San. Melhor você ficar atrás de mim, pois suponho que não vai gostar de observar esta luta.
Saint não tardou a se aproximar, e após abraçar o irmão Gulf tentou se colocar em posição mais favorável, envolvido pelo anel de cavalheiros sangue-puro que o rodeavam. Ele de fato não desejava observar o enfrentamento entre Mew e San, mas sim saber o que ocorria.
Mew se dirigiu para um canto da caverna que funcionava como salão principal dos sangue-puros, e San o seguiu. Ambos empunhavam longas e afiadas adagas de prata. Alguns poucos homens fizeram menção de seguir San, mas outros os impediram, demonstrando que a situação estava clara: San se isolará por Mew ter nomeado um sangue-puro como seu sucessor caso algo lhe ocorresse.
— Nosso confronto aconteceria mais cedo ou mais tarde — disse San.
— Só lutaremos porque você não me deixe escolha.
— Eu o farei pagar por pretender liderar aqueles que, ao contrário de você, possui o sangue totalmente puro.
— Sou o senhor dos Suppasits por herança de meu pai.
— Também o farei pagar por ter matado Art.
— Orgulho e vaidade causaram a morte de Art. Você é quem deve pagar por ter ousado atacar meu marido, o senhor de Cambrun.
— Art valia 10 vezes mais que este mísero mortal... E depois de acabar com você, darei cabo dele e do feto infame que traz no ventre.
Mew cerrou os ouvidos para tais insultos, por saber que San tencionava cegá-lo de ira para aumentar suas chances de vencer; mas também sabia que manter o controle o tornaria mais ágil. Esta batalha tinha de ser vencida, pois ele ainda queria desfrutar a vida ao lado do marido.
San atacou de repente, com toda a força e a rapidez que sua natureza bestial lhe proporcionava, mas Mew conseguiu desviar-se do golpe. Em seguida os dois se engalfinharam num feroz e selvagem combate corporal. A desvantagem de Mew era não ter a capacidade de se curar de ferimentos tão rapidamente quanto San, e isso o fazia evitar o máximo as mordidas dos dentes pontiagudos do oponente. Sua vantagem era ser movido pelo amor que sentia pelo clãSuppasit, e pelo desejo de sobreviver para prolongar a existência da família.
San atacava como um lobo selvagem, mas Mew se desviava com astúcia e agilidade, e revidava com enorme velocidade. Em breve ambos exibiam ferimentos; os machucados de San eram mais profundo, porém Mew é que já começava a cambalear.
O final da luta aconteceu de forma súbita inesperada. Com um golpe de Mew, a adaga de San caiu no chão. Surpreso, San deixou o peito desprotegido por não mais que um instante, mas o suficiente para Mew lhe enterrar a adaga no coração ferindo-o mortalmente. San soltou um medonho uivo antes de tombar mas Mew também já não conseguia se manter em pé e caiu a seu lado. No silêncio que se seguiu o eco do uivo de San ainda ecoava através dos corredores escuros que saíam da imensa caverna, enquanto Mew lutava para manter o tronco erguido. A hemorragia causada pelos ferimentos que sofrerá já resultará numa enorme poça de sangue; isto lhe custaria a vida se algo surpreendente não acontecesse: um sangue-puro se ajoelhou ao lado de Mew e lhe ofereceu o pescoço. Então outro cavalheiro se aproximou e fez o mesmo, e um terceiro não tadou a chegar, seguido de outro.
— O que está havendo? — Pergunyou Gulf pois os cavaleiros a sua frente o impedia de ver o que se passava.
— Mew está muito fraco — explicou Thorn. — Mas é melhor não olhar o que estão fazendo, depois poderá se chocar. De qualquer maneira, há tantos cavalheiros ao redor do nosso Lorde, dando-lhe o que ele necessita para se recuperar, que o senhor não conseguirá ver seu marido.
— Pensei que soubesse tudo a respeito dos Suppasits, mas me enganei. Eu o levarei de volta a Dunsmuir, se quiser.
— Ele fica aqui — avisou o Thorn.
— Cabe a meu irmão decidir isso.
Saint estava chocado com a visão de Mew bebendo o sangue de seus cavalheiros, mas não parecia tão surpreso quanto era de se esperar. Gulf se perguntou como e quando ele teria sido informado sobre os Suppasits.
— Não quero partir, Saint, mas agradeço a oferta.
— Pense bem. Não sei se essas pessoas algum dia o aceitarão sem restrições, pois a maneira como falam a respeito de quem não é como eles revela grande arrogância.
— San era o pior de todos, Saint. Ele incitava o conflito e gerava o ódio entre os demais. Talvez eu ainda tenha de esperar até ser aceito, mas a verdade é que Mew é pai da criança que trago no ventre, eo clã é seu lar. Há muitos rumores sobre os Suppasits, mas hoje em dia eu sei que entre eles a gente boa e ruim, como em todas as famílias. E... — Gulf hesitou um instante antes de concluir... — Bem, eu amo meu marido! — Completou, provocando um sorriso em Thorn.
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Cavalheiro da Noite
FanfictionPrólogo Dois homens unidos por Laços de Sangue e por uma maldição que assombra seu clã, estão condenados a uma vida sombria e submetidos a desejos estranhos e incontroláveis. Somente o casamento com homens que não compartilham a natureza desses...
