Cap 6:Ele é louco

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Estupefado, Gulf fitou a porta enquanto era fechada a sua frente. Durante vários minutos ficou parado no mesmo lugar, perguntando a si próprio se havia escutado direito as palavras de Mew. Foi tirado do estupor quando Sana tornou a abrir a porta, trazendo uma grande jarra de água quente. Sem nada a comentar, Gulf sentou-se na cama, e pouco depois Sana ajudou-o a se despir e o conduziu para a tina de madeira num dos cantos do largo aposento.

   Quando o banho terminou, Sana providenciou uma longa túnica para Gulf, que, depois de vestido, pediu para ser levado a um quarto de hóspedes. A mulher, entretanto, afirmou que não seria necessário e o levou para deitar no enorme leito do Lorde. Em seguida, apagou todas as velas. Agora, apenas o fogo da lareira iluminava o aposento. Depois disso, partiu.

    Contrafeito, mas cansado, Gulf terminou por relaxar sobre as cobertas quentes.

   Afinal, Lorde Suppasit terá de me despertar se quiser me roubar a castidade e uma vez desperto, saberei me defender. Esse foi seu último pensamento antes de resolver se entregar ao sono, agora bem vindo.

  — Que dia agradável! Vou acender o fogo para esquentar um pouco o quarto.

  Gulf abriu os olhos devagar e fitou a mulher agachada de fronte a lareira. Por um breve instante ele não sabia onde estava, mas então recordou os acontecimentos da noite passada. Felizmente, o travesseiro intocado a seu lado indicava que dormirá sozinho.

   Sonolento, ele se ergueu e sentou sobre o leito. Sana havia aberto a cortina de uma das janelas, revelando um dia cinza e chuvoso lá fora. Como se poderia considerar agradável um dia assim? Sua vontade era tornar a se meter sobre as cobertas e continuar dormindo.

  — O senhor está com um aspecto melhor! — Sana, sorrindo, terminou de acender o fogo e se aproximou. — Uma boa noite de sono lhe fez bem.

  Sempre prestativa, a mulher  o ajudou a levantar indicou-lhe uma bacia de porcelana com água quente para ele lavar o rosto.

  — Já trouxeram sua bagagem.

   Sana era de fato simpática, e não fazia rodeios para dar sugestões:

  — Porque não coloca o Blazer verde em vez do azul, querido?

  — Porque não coloca o Blazer verde em vez do azul, querido?

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   Gulf concordou com um sorriso. Depois, Sana o fez sentar num Pequenino banco de madeira e passou a escovar seus cabelos. Sentindo-se à vontade, Gulf resolveu comentar algo a respeito da última coisa que Lorde Suppasit dissera na noite passada.

  — Não compreendi o comentário de seu senhor sobre noivos.

  — Está claro para mim: ele pretende casar-se com o senhor.

  — Como sabe? Você não estava aqui quando ele disse isso.

  — Ouvi o Lorde conversando com Thorn a respeito. Encontrava-me perto deles, e não pude deixar de escutar o que diziam.

  — Lorde Suppasit é algum louco? — Gulf ficou surpreso com a naturalidade com que Sana tratava a situação. — Ele nem me conhece!

  — Muita gente se casa sem conhecer o conjugue. O senhor tem a mesma posição social de meu Lorde, e ele não faz questão deu dote rico, pois já tem posses e terras suficientes; Além disso é um cavalheiro com idade apropriada para casar. A união entre vocês me parece natural... Uma solução perfeita.

  — Talvez perfeita para ele, mas não para mim.

  — Porque não? Meu Lorde tem sangue Nobre, mas não gosto de sair do castelo e por isso não teve muita chance de encontrar um noivo até hoje. Os Suppasits nunca saem de suas terras. É uma coincidência extraordinária que um cavalheiro tão lindo como o senhor tenha vindo até nossos domínios, evitando que meu senhor tenha de fazer visitas a corte em busca de um marido à altura.

   Porque será que um Nobre tão atraente como Mew Suppasit não saia do Castelo nem frequenta as festas da corte do Rei? Era estranho que se dispusesse a casar com alguém que entrava em seu feudo por um simples acaso; mas ele ouvirá falar que nem todos os senhores apreciavam a vida da corte, e preferiam se manter próximos aos vassalos. Contudo, isso não explicava a rápida decisão de desposá-lo. Seguramente não se tratava de amor a primeira vista.

  — Eu gostaria muito de visitar meu primo, Sana. Esta é a primeira vez que saio de meu castelo, e sinto necessidade de conhecer um pouco o mundo e a corte antes de me ligar a alguém de modo definitivo.

  — A Corte não passa de um bando de Nobres que tudo fazem para agradar o rei, enquanto tecem comentários maldosos pelas costas um dos outros. Trata-se de um ambiente de intrigas e, creia-me, o senhor não perde nada mantendo se distante de gente assim.

  — O primo de seu senhor disse que não conseguiram encontrar o cavalheiro de companhia que viajava comigo — Gulf resolveu mudar de assunto.

  — Se Lorde Thorn não o conseguiu encontrar, é porque realmente ele não estava por perto.

— Ainda acho estranho. Talvez não tenham achado seus rastros por causa do escuro.

  — Meus senhores são capazes de rastrear qualquer pessoa que se embrem na floresta, sobretudo numa noite de lua cheia — assegurou Sana. — Pronto! Está penteado e lindo. Agora o levarei para o salão principal, e tomará o desejo junto com os demais.

  Gulf estava de fato faminto, e não hesitou em deixar Sana conduzi-lo escada abaixo, rumo ao salão principal do Castelo. Apesar de ser dia, os corredores permaneciam escuros e iluminados por velas. Pelo visto, os Suppasits gostavam da escuridão, ou talvez preferissem manter as pesadas cortinas da janelas fechadas para que a luz não danificasse as finas tapeçarias pendurados nas paredes.

  — O senhor acordou na hora de fazer a refeição — disse Sana ao abrir a porta para o salão principal.

   — Agora é de manhã, não é? — Perguntou Gulf.

  — Já estamos no meio do dia, mas eles tomam o desejo neste momento. Meus Lordes nunca acordam cedo.

 Meus Lordes nunca acordam cedo

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Esse é o nosso Mew

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