CAPÍTULO 02

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Escrito e revisado por: VitoriaCrazy

LILITH

Desde sempre a minha vida sempre foi toda fodida, uma mistura sem fim de muita loucura, traições e mentiras. Como algumas garotinhas inocentes do subúrbio, na infância eu me iludia tendo o maior sonho medíocre de ir para a cidade grande e ser uma famosa supermodelo. Eu era muito obcecada em estar dentro dos padrões exigidos, tanto que sofria de anorexia nervosa e bulimia. Deus foi generoso me agraciando com uma grande beleza favorável, resultando em mim sendo assediada e sexualizada frequentemente desde cedo, fora isso o que mais pesava contra era a pobreza, a fome.

Tantos danos.

Jamais me conformei com o pouco e ansiava ter mais, ter um nome de prestígio e uma carreira de sucesso, ajudar meus pais a quitarem suas dúvidas e nunca mais chorar por passar fome, para variar nasci em uma clichê família humilde, composta de mãe costureira, Celeste, e pai taxista, Mario, pessoas de caráter inquestionável, extremamente honestas e que jamais roubariam uma moeda de ninguém.

Vivíamos em um pequeno vilarejo deprimente dentro do cu de Dublin, ali eu jamais conseguiria crescer profissionalmente e ser alguém de alto poder na vida, viver só para ser uma dona de casa comum, uma empregada tolerando calada humilhações dos outros, como minha mãe se submetia todos os dias, não era um plano aceitável para mim, então, estudei, adquiri o máximo de conhecimento útil possível, comecei a trabalhar aos doze para fortalecer meus pais, em meio a crise financeira e também ir guardando dinheiro, ganhava um miséria por mês, todavia, como era sábia e equilibrada, não saia gastando tudo de uma vez, comprava o essencial e o restante colocava na poupança secreta no quarto.

O que movimenta o mundo é o dinheiro e quanto mais você tem, mais você é importante. Para ter glória, você tem que ser mais cruel que o sistema.

Por mais economia que fizéssemos, nada era suficiente, no final do mês estávamos no vermelho, pegando empréstimo com agiotas, piorando a situação e meu pai, no auge do desespero, para conseguir pagar o aluguel e despesas, começou a cruzar linhas perigosas fazendo serviços escondidos para uma gangue local, transportando drogas em seu táxi, mamãe achava aquilo péssimo, tinha medo de sermos mortos e tentava de todo jeito convencer o velho a parar de se arriscar com marginais, só que uma vez dentro do esquema, não se sai tão cedo, ela acabou relaxando e pegando gosto pela nova situação confortável, já que em troca recebia uma comissão gorda que nos sustentava por longos meses, nos proporcionando coisas boas, como a emancipação, o meu primeiro portfólio de fotos profissional aos 13 e contratação em uma agência de destaque, ganhando meu próprio dinheiro com as publicidades e desfiles medianos.

Tudo parecia ir bem, minha carreira estava alavancando aos poucos e patrocinadores aumentavam, marcas me procuravam para mim representá-las, até meus trágicos 16, recebermos a notícia de que meu pai havia sido preso por conta das merdas do tráfico e como era só um laranja sem valor, ele levou toda a culpa da cagada, seus queridos "amiguinhos" o deixaram apodrecendo por lá, fizeram questão de comprar as autoridades corruptas para colocar uma sentença bem grande de 15 anos ao todo.

Minha mãe e eu ficamos apavoradas e investimos todos os nossos recursos para contratar um bom advogado e conseguir uma diminuição de pena, uma soltura, qualquer porra que ajudasse a manter o velho burro longe das grades, foi o maior escândalo na época e minha carreira em ascensão decaiu para cacete, ninguém queria ter seu nome associado a filha de um traficante presidiário e recebemos ameaças dos malandros, perdi parte de tudo o que estava conquistando com muito esforço, parei de modelar por um tempo, só dedicada em salvar o rabo sujo de Mario da desgraça.

PECADO PERIGOSO (Concluído)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora