Eros O'Neill governa com mão de ferro a mais temida organização criminosa da Irlanda. Frio, estratégico e absolutamente leal ao seu império, ele nunca permitiu que sentimentos interferissem em suas decisões, até Lilith Reilly cruzar o seu caminho. E...
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— E aí? Qual é a bronca da vez, velhotes? — Gian nos pressiona a contar em seu senso de humor irônico.
Hesito, meus homens estão ao meu lado me apoiando, segurando minhas mãos e apertando levemente, sendo minhas âncoras, trocamos um significativo olhar de afeto e confiança, eles me incentivam, dizendo silenciosamente que estão comigo e não me abandonarão, assim como meus pais e avó, fico feliz e com lágrimas ameaçando transbordar dos olhos ao revisitar o momento mais desolador de minha adolescência, respiro fundo controlando a avalanche de emoções e forço um sorriso meigo para meu querido filho.
— Meu nome verdadeiro é Yasmin Venture Moliner. — começo honesta. — Eu sou herdeira de uma importante família na Galícia. — os olhinhos de meu menino fofo se arregalam.
— Isso é espetacular, eu sempre quis conhecer mais as origens da Galícia. — ele sorri descontraído, levando tudo na brincadeira.
— Nem tudo foi perfeito, meu pai foi deserdado da linhagem Moliner por ter se apaixonado pela minha mãe, meus avós não aceitaram por ela ser pobre e negra, os expulsaram da máfia e os dois vieram para cá, onde eu nasci sem nenhum luxo. Minha adolescência foi feia, passamos por grandes dificuldades e sofremos muito, a prisão de papai, a doença de mamãe, foram tempos horríveis e a única bênção foi meu filho, em meus dezesseis anos engravidei de meu primeiro namorado e, infelizmente, eu não tinha condições de criar o bebê, tudo estava conspirando contra e uma sucessão de eventos catastróficos me obrigaram a renunciar a maternidade entregando a criança para a adoção, eu me arrependi, me culpei e me odiei muito. — engulo o pranto de dor e Gian ouve transparecendo tristeza, sem ligar os pontos de que é o meu filho, afinal, não faz ideia de que foi adotado. — Então, por anos eu precisei fazer coisas ruins para garantir o sustento em casa...
— "Coisas ruins" do tipo matar? — Gian indaga interessado, contudo, não encontro sinais de julgamento em suas feições e pondero o que direi, para não pegar pesado e o traumatizar. — Relaxe, estou acostumado com isso, meu pai é um assassino, não tem nada demais você ser também, torna vocês dois perfeitos um para o outro. — considera amistoso.
— Eu... Eu me vendi, fiquei com muitos homens, tudo para ajudar a minha família, para que a situação melhorasse. — contei envergonhada. — Por anos eu me esforcei para sair daquela vida podre e recuperar o meu filho... — detalhei sofrendo de novo.
— Na juventude, me convenceram de que eu era estéril, — Eros assumiu a fala, me abraçando. — eu fiquei destruído, pois, meu sonho sempre foi ser pai e, ao me tonar o chefe, resolvi adotar um filho, você, meu pequeno, quando lhe vi pela primeira vez, foi amor à primeira vista e possui a certeza de que você tinha nascido para ser meu filho. — expressou emocionado, soltando lágrimas sinceras ao mesmo passo que Gianluca, o pequeno soluça arrasado entendendo os motivos que constituem toda a narrativa complexa.