Este livro é dedicado a vocês, que ousam sonhar com um amor sem fronteiras. Que ousam descobrir o lado mais obscuro do amor e da paixão. Que ousam amar com toda a sua intensidade, mesmo que isso implique se arriscar pelo caminho.
Isadora Ravenwood é...
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Alicia 11 Isadora 10
Vejo Alicia vestida com um tutu rosa e uma faixa de cabelo que combina. Ela dança balé com movimentos graciosos e delicados, e eu a observo com um olhar de admiração. A música clássica toca suavemente ao fundo, criando um ambiente tranquilo e agradável. Alicia sorri enquanto dança. Eu fico encantada com a beleza da dança e a habilidade dela. Assisto com atenção, sem desviar o olhar, e aplaudo quando sua apresentação termina.
-- Maninha -- Alicia me chama, se aproximando com um pano para enxugar o suor do seu rosto
-- Tá aqui -- Eu entrego a garrafa de água para ela -- Você arrasou -- Eu elogio, sorrindo com orgulho dela
-- Pena que minha irmãzinha não quer treinar comigo -- Alicia me dá um peteleco na testa e eu faço uma careta
-- Ai -- Eu reclamo baixinho
-- Pelo menos eu tenho você aqui comigo e isso é melhor do que tudo no mundo -- Alicia me abraça forte
Ela era delicada, despojada e popular. Eu era a mais reservada, a que gostava de videogame e assistir anime com uma camisa de Naruto. Mas eu a amava, amava de um jeito que meu peito apertava. Alicia era o exemplo do que eu queria ser... Era o que eu pensava.
-- Que tal um sorvetinho de groselha? -- Ela me pergunta com um sorriso travesso e um aviãozinho na mão.
-- Você sabe que eu prefiro... -- Começo a dizer, mas ela me interrompe.
-- Chocolate com menta e cobertura de chiclete -- Ela faz uma careta de desgosto. -- Você tem um paladar muito esquisito, irmãzinha.
-- Groselha é muito sem sal -- Rebato.
-- Você precisa aprender a curtir as coisas boas da vida, maninha -- Ela me dá um peteleco na testa.
Fim do flashback
As lembranças invadem minha mente, meu coração acelera com momentos que tanto tento esquecer. Entro no meu quarto, tranco a porta e vou até o banheiro. Me olho no espelho e vejo um semblante abatido, olhos fundos, boca machucada pelas vezes que arranquei a pele, os dedos? Todos feridos de tanto que tirei a cutícula com os dentes. Abro a torneira e sinto a água arder nos meus dedos.
-- Merda -- Resmungo para mim mesma
Tiro minha roupa ficando somente de peças intimas, com a gilete em mãos, eu me sento embaixo do chuveiro com a água ligada. Faço pequenos cortes em minha coxa, enquanto a água lavava todo o sangue automaticamente.
Maninha
Maninha
Maninha
Meu pensamento me atormentava.
-- SAI DA MINHA CABEÇA, ALICIA! -- Eu grito. -- Sai, por favor!
Você foi a culpada
Você teve toda a culpa
Você me abandonou à morte
Assassina
Seu sorriso, seus movimentos enquanto dançavam, sua voz. Tudo se repetia na minha cabeça.
-- Sai daqui, sai daqui! -- Eu grito em desespero.
Um corte atrás do outro, cada corte uma dor, cada gota de sangue uma lágrima.
Depois de me acalmar, saio do banheiro como se nada tivesse acontecido. Enrolo uma faixa na minha perna para esconder o sangue caso volte a sangrar. Visto uma roupa confortável e vou até a cozinha.
-- Oi, querida. -- Minha tia se vira ao me ver entrando na cozinha. -- Como você está se sentindo hoje? -- Ela pergunta enquanto mexe algo na panela.
-- Eu estou bem -- Respondo com um sorriso forçado -- Só mais um dia comum na minha vida
-- Que bom que você está se recuperando, isso é muito importante para você -- Ela diz com carinho
-- Hum, que cheiro bom é esse? -- Pergunto sentindo o aroma delicioso
-- É lasanha de carne com queijo e molho branco -- Ela anuncia animada -- Vou te servir um pedaço -- Ela pega um prato e corta a lasanha -- E como vai aquele paciente?
-- Bem... Estamos avançando aos poucos -- Ela coloca o prato na minha frente e eu começo a comer -- Está uma maravilha -- Ela sorri em agradecimento
-- Seus pais te ligaram hoje -- Ela me avisa e eu perco o apetite na hora
-- Eles queriam o que? -- Eu pergunto com um nó na garganta
-- Saber como você está se saindo -- Ela me dá um sorriso forçado
-- E você disse o quê? -- Eu pergunto mastigando a lasanha
-- Disse que você estava ótimo -- Ela fala baixinho -- Você precisa conversar com eles -- Eu a encaro meio irritado
-- Eu? Faz três anos que ela se foi, eles destruíram meu mundo depois daquela noite horrível -- Falo com raiva -- Eu sei que eles sofreram com a perda de uma filha, mas e a outra que ficou? Eles a mandaram embora porque não suportavam olhar para mim e se lembrar dela -- Sinto uma dor no peito
-- Relaxa, eles só estão preocupados com você
-- Não adianta, tia, se eles ligarem -- Respiro fundo e me levanto -- Fala que eu fui pro céu junto com "ela"
Saio da cozinha e vou pro meu quarto, fechando a porta com força. Na cama, eu me desabo em lágrimas.