Este livro é dedicado a vocês, que ousam sonhar com um amor sem fronteiras. Que ousam descobrir o lado mais obscuro do amor e da paixão. Que ousam amar com toda a sua intensidade, mesmo que isso implique se arriscar pelo caminho.
Isadora Ravenwood é...
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Estava exausta, nada do que eu fazia via mudança. Um mês tratando Lucian e não sair do lugar, ele teve uma mudança na sua forma de agir mas nada muito grande. Agora estou aqui de frente para ele em mais uma das nossas consultas de rotina.
-- Você tem o diagnóstico de sociopatia -- Encaro ele
-- A sociedade rotula pessoas como sociopatas, psicopatas, monstros. E talvez eles estejam certos. Talvez eu seja realmente um monstro, uma aberração da natureza. Mas isso não me incomoda. Na verdade, eu abraço essa escuridão dentro de mim. -- Sua boca se curvou em um sorriso
-- O que levou a ser assim? -- Um músculo da sua mandíbula contraiu-se -- Sei que algo aconteceu com você, te jogaram aqui dentro, te abandonaram nesse hospital -- Ele cerrou os dentes
-- Ah, a pergunta sobre o que me levou a ser assim. Uma pergunta tão clichê, tão típica dos "especialistas" que tentam encontrar uma explicação psicológica para tudo. Mas vou te contar, jasmim, não há uma resposta simples para isso.
-- O que quer dizer?
-- Eu nasci assim. Desde jovem, eu sentia uma sede insaciável por poder, controle e prazer. Eu via o mundo de uma maneira distorcida, enxergando as pessoas como meras peças no jogo que eu estava determinado a vencer.
-- Geralmente pessoas desenvolve certos problemas por trauma -- Ele morde o lábio, seu movimento foi tão forte que um vislumbre de sangue se fez presente em seus lábios
-- Não houve um evento traumático específico que tenha me transformado nesse monstro. Foi uma combinação de fatores, uma mistura de natureza e criação. Talvez a genética tenha me agraciado com essa escuridão interior, e o ambiente em que cresci apenas a alimentou.
-- Seu pai? Sua mãe? O que aconteceu com eles?
-- Tirei suas dores -- Ele diz simples
...
Entrei em casa exausta depois de um longo dia. Joguei minha bolsa no sofá e caminhei até o quarto. Fechei a porta e me joguei na cama, suspirando profundamente. Comecei a pensar demais. Comecei a sentir uma sensação de pânico se espalhando por todo o meu corpo. Meu coração começou a bater mais rápido e eu tive dificuldade para respirar. Tentei me acalmar, mas a sensação de pânico só piorou. Comecei a tremer e a suar frio. Senti como se estivesse sufocando. Tentei me levantar, mas minhas pernas não respondiam. Me senti presa e impotente. Fechei os olhos e tentei me concentrar na respiração, mas a sensação de pânico continuou a crescer. Comecei a chorar, sentindo-me completamente desamparada.
-- Não, agora não -- Digo entre soluços
Como um filme, minha cabeça começa a reproduzir o pior dia da minha vida. O som do carro se chocando contra o outro, a gritaria, as luzes da ambulância. As sapatilhas no meio de todo destroço.
Flasback on
Alicia 18 Isadora 17
Estamos no banheiro de casa. O banheiro é pequeno, mas limpo e organizado. Estou sentada em um banquinho em frente ao espelho, enquanto Alicia está atrás de mim segurando um pente e um spray de cabelo. Isa começa a pentear o meu cabelo desembaraçando-o com cuidado. Ela então começa a fazer um penteado simples, torcendo o cabelo em um coque solto. Ela usa o spray de cabelo para fixar o penteado.
-- Você está linda -- Alicia dizia olhando meu reflexo no espelho
-- Obrigada -- Sorrio e logo depois passo um gloss
-- Você está nervosa? -- Ela pergunta
-- Um pouco. -- Respondo mordendo os lábios
-- Não precisa ficar. Ele é um cara legal. Você vai se divertir. -- Alicia se ajoelha em minha frente e da o seu famoso peteleco em minha testa
-- Isso dói -- Esfrego o lugar
-- Te amo! -- Ela segurando minhas mãos
-- Eu amo mais
...
Ele é alto, tem cabelos castanhos e é bonito. Ele tem um sorriso simpático e olhos expressivos. Ele está vestindo uma camisa branca e jeans.
A lanchonete é aconchegante, com paredes de tijolos expostos e mesas de madeira. Há um balcão de pedra com bancos altos, onde os clientes podem sentar e conversar. O chão é de ladrilhos pretos e brancos, e há uma grande janela que permite a entrada de luz natural. O ar está cheio do aroma de hambúrgueres grelhados e batatas fritas crocantes.
-- Então, o que você gosta de fazer nas horas vagas?
-- Eu gosto de jogar videogame . E você? -- Respondo meio envergonhada
-- Eu gosto de jogar videogame e sair com meu amigo.
-- Legal! Qual é o seu jogo favorito?
-- Eu gosto de jogar 'The Legend of Zelda'. E você? -- Ele pergunta entusiasmado
-- Eu gosto de jogar 'Animal Crossing'. É um jogo muito relaxante.
-- Eu nunca joguei esse jogo. Você pode me mostrar? -- Ele segura em minha mão o que me deixou levemente corada
-- Claro! Vamos jogar juntos algum dia.
Comemos, conversamos sobre vários assuntos. Ele parecia ser uma pessoa boa e isso me atraia muito nele.
-- Eu me diverti muito hoje. -- Ele diz segurando minha mão
-- Eu também. Obrigada por me trazer para casa.
-- De nada. Eu queria ter feito isso há muito tempo. -- Ele fez beicinho
Ele se aproxima de mim e me beija suavemente nos lábios. Fecho os olhos e retribuo o beijo.
-- Boa noite, linda. -- Diz com um sorriso curvado nos lábios
-- Boa noite.
Fim do flasback
Controla minha respiração, tomo um calmante e me deito outra vez. Fecho meus olhos e afasto de mim todo pensamento negativo.