CAPÍTULO 1| O Paciente

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Acordo com o som estridente do alarme nos meus ouvidos

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Acordo com o som estridente do alarme nos meus ouvidos. Sem tirar o lençol do rosto, tento achar meu celular na cômoda ao lado, mas bato a mão num copo com água que sempre deixo ali e ele cai, molhando todo o chão.

-- Droga -- Murmuro enquanto tiro o lençol do rosto.

Desligo o alarme e vou direto para o banheiro. Faço minha higiene pessoal, visto uma camisa branca com uma calça da mesma cor, pego meu jaleco e saio do quarto.

-- Já vai sair? -- Minha tia pergunta, saindo da cozinha com um pano de prato no ombro.

-- Já estou indo... Me atrasei um pouco -- Respondo, pegando minha pasta com as informações dos meus pacientes.

-- Não vai comer nada? -- Ela insiste. Balanço a cabeça negativamente. -- Bom trabalho, minha menina, e veja se come alguma coisa no trabalho.

-- Tudo bem, eu te amo -- Mando um beijo no ar e saio.

Desço as escadas do meu apartamento, pego as chaves na bolsa e destranco o carro. Entro e logo coloco uma música para tocar, meu dia só começa depois que eu ouço pelo menos uma música. Favorite Crime toca enquanto eu dirijo em direção ao hospital psiquiátrico.

Me formei em psiquiatria depois que perdi a minha irmã em um acidente, me senti desolada e culpada, pois naquele dia quando tudo aquilo aconteceu eu realmente era a culpada. Eu carrego a culpa dentro de mim, por muito tempo pensei em desistir de tudo. Esse é um assunto que eu não gosto de lembrar.

Estaciono o carro em uma vaga na frente do hospital psiquiátrico, saio dele e me dirijo à minha sala. Me sento e abro os relatórios no meu computador... Passo os olhos pela tela e vejo que o paciente Arshe tinha uma consulta comigo. Me sobressalto quando ouço alguém bater na porta.

-- Pode entrar. -- Digo, sem tirar os olhos da tela à minha frente.

-- Bom dia, Dra. Isadora. Vim verificar se a senhora já está pronta para atender o paciente Arshe. -- Ethan foi o último a pegar o caso do Arshe. Ele desistiu por ter ficado com medo do paciente.

-- Já coletei algumas informações e já posso ir. -- Me levanto com a pasta em mãos. -- Alguma dica? -- Pergunto, arqueando a sobrancelha.

-- Leve sedativo e dois enfermeiros. -- Ele aconselha.

-- Ele é apenas um paciente como qualquer outro, Ethan. -- Saio da sala, caminhando ao lado dele.

-- Ele corresponde ao diagnóstico dele. -- Rio do seu comentário.

-- Agradeço -- Me afasto

Caminho pelo longo corredor, observo dois enfermeiros parados na porta do quarto do meu paciente, ambos com os braços fechados e expressões sérias.

-- Bom dia! -- Cumprimento eles

-- Bom dia! -- eles respondem em uníssono -- Tome cuidado, vamos acompanhá-lo e se precisar podemos aplicar um sedativo

-- Espero que não seja preciso -- Digo -- Vamos entrar?

O enfermeiro abre a porta e seguimos. O quarto era simples, com uma cama e uma mesinha no canto, meus olhos percorrem o ambiente até encontrarem Arshe. Ele estava deitado olhando para o teto sem se mexer.

-- Lucian Arshe, vinte e cinco anos e diagnosticado com TPA -- Me acomodo na cadeira em frente à sua cama -- Posso conversar com o senhor Arshe?

Indago, mas ele continua com o olhar fixo no teto.

-- Precisamos conversar. Peço que faça um esforço para que eu possa compreender a sua situação. -- Digo com a voz mais tranquila possível. Alguns minutos se passam e ele continua imóvel e calado. -- Arshe, por favor!

-- Tire esses dois inúteis daqui. -- Ele finalmente se pronuncia.

-- Acho que não posso fazer isso. -- Respondo.

-- Então vai ficar aí sentada até ficar com dor nas costas. -- Arshe fala com um tom áspero.

Faço um gesto para os enfermeiros saírem e eles obedecem. Ajusto-me na cadeira e volto a olhar para Arshe.

-- Bem... Agora podemos conversar? -- Pergunto.

-- A sessão de tortura psicológica já vai começar. -- Ele diz e sorri sem graça.

ManicômioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora