CAPÍTULO 11| Aviãozinho

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Estavamos sentados no banco do parque durante o recreio

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Estavamos sentados no banco do parque durante o recreio. Bento e eu  estavamos conversando sobre jogos e outras coisas, rindo e se divertindo. Bento contava sobre  um novo jogo que ele havia descoberto, e eu estava animado para experimentá-lo. Estavamos tão envolvidos na conversa que nem percebermos quando os valentões se aproximaram.

-- O que vocês estão fazendo aqui? Seus perdedores? -- Disse um dos valentões

Me encolho ficando quieto, com medo de provocar ainda mais os valentões. Mas então, um dos valentões me  empurra, fazendo-me cair no chão. Bento  ficou furioso e se levantou para me defender.

-- Por que vocês estão fazendo isso? Deixem-nos em paz! -- Disse Bento

Os valentões riram e começaram a cercar Bento. Mas ele não se intimidou e continuou a me  defender.

-- Não vou deixar vocês machucarem o meu amigo! -- Bento diz com um tom de raiva em sua voz

Bento pegou uma pedra e arremessou na cabeça de um dos valentões. Ele se preparou para jogar mais uma quando os valentões começaram a se afastar com medo. Os valentões perceberam que Bento não estava para brincadeira decidiram ir embora. Bento me  ajudou a se levantar e depois ele me abraçou. Levanto limpando minhas roupas e só aí percebo que minha bermuda estava melada de lama.

-- Papai vai me matar -- Digo com medo

-- Você pode passar lá em casa e trocar de bermuda, assim ele nem vai saber que sujou -- Bento diz com um sorriso angelical

-- Tudo bem

Andamos um ao lado do outro, conversando sobre tudo. Eu me sentia feliz ao lado do meu amigo, a hora perfeita do meu dia era quando eu me encontrava com o Bento.

-- Toma -- Ele estende a bermuda -- Pode ficar com essa

-- Obrigado -- Digo sorrindo para ele e vestindo a bermuda -- Nossa que aviãozinho maneiro -- Falo quando vejo um avião de brinquedo azul e branco

-- Leva para você -- Ele oferece

-- Não posso aceitar -- Recuso

-- Leva, aceita é de coração -- Ele sorrir mais uma vez

O sorriso de Bento provocava em mim uma onda de calor e felicidade, eu sentia esse sentimento se espalhar por todo o meu corpo. E é nesse sorriso que, mesmo em meio a todas as dificuldades e desafios da vida, havia algo de bom e bonito no mundo.

...

Eu estava feliz porque meu amigo havia me dado um aviãozinho. Eu segurava o aviãozinho com cuidado, admirando a forma como as asas se curvavam e o nariz se inclinava para cima.
Quando cheguei  em casa, corri  para mostrar o aviãozinho para meu pai. Mas, em vez de ficar feliz, ele  ficou bravo.

-- O que é isso? Onde você conseguiu isso? -- Perguntou com uma latinha de cerveja em mãos

-- O Bento que me deu --  Respondi ainda segurando o aviãozinho.

-- Isso é lixo! Você não deveria estar brincando com isso--  Disse papai, pegando o aviãozinho das minhas  mãos e quebrando.

-- Não pai, por favor -- Tento segurar suas mãos mas ele era maior e mais forte e eu só uma criança de dez anos magricelo.

-- A próxima vez que você chegar com brinquedo aqui em casa, eu vou te arrebentar inteiro -- Ele gritava em meu ouvido

-- O que está acontecendo aqui? -- Minha mamãe apareceu com um dos olhos machucado

-- Esse merdinha chegou em casa com o que não era dele -- Papai respondeu

-- Mas o Bento me deu -- Choro

-- Porra nenhuma -- Papai diz se aproximando de mamãe e beijando seu pescoço -- Quero foder você agora -- Ele dizia e mamãe fazia uma careta de nojo

-- O Lucian está aqui, respeite pelo menos o seu filho -- Mamãe o afastava

-- Cala a boca sua cadela inútil -- Ele então rasga a blusa que minha mãe vestia e aperta seus seios

-- Sobe para seu quarto -- Mamãe dizia em meio as lágrimas

-- Mamãe -- Digo ainda chorando -- Meu aviãozinho -- Choro mais ainda

-- SOBE LUCIAN -- Ela gritou e eu corri

Fiquei chocado e triste. Eu não conseguia entender por que o pai não gostava do aviãozinho. Me  sentir envergonhado e humilhado, como se tivesse feito algo errado.
Fecho a porta do quarto e logo aquele som começava a se fazer presente na casa. Gemidos de dor, som de algo se chocando, tapas que saiam em um tom alto. Pego meus fones e o radinho dentro do colchão e coloco em meus ouvidos, ocultando qualquer tipo de barulho externo.

Eu ainda não entendia




Até o capítulo 20 as coisas vão começar a evoluir. Vou revisar alguns e já posto 🙃 comentem muitooooo e não esqueçam de votar, a mão da autora dói 🥲❤️

ManicômioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora