Este livro é dedicado a vocês, que ousam sonhar com um amor sem fronteiras. Que ousam descobrir o lado mais obscuro do amor e da paixão. Que ousam amar com toda a sua intensidade, mesmo que isso implique se arriscar pelo caminho.
Isadora Ravenwood é...
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Eu me encaro no espelho do meu banheiro, as marcas dos dedos dele ainda estão visíveis em mim, sinto uma pontada de culpa por ter sentido algum prazer naquele toque violento. Luiz quase me tirou o caso de Arshe, mas eu não podia deixar isso acontecer, eu tinha que tentar ajudá-lo. De alguma forma, aquele homem me fez duvidar da minha própria sanidade, eu estava mesmo tentando ver algo bom na pior coisa que eu já fiz na minha vida?
-- Isa, eu trouxe um chá para você -- Minha tia entra no quarto e me vê saindo do banheiro
-- Obrigada! -- Eu pego a xícara da sua mão
-- Você devia passar esse caso para outro profissional, olha só o estado do seu pescoço -- Ela se senta na minha cama e me olha com preocupação
-- Eu não vou desistir, tia. Eu prometi que cuidaria de quem precisasse de mim -- Eu digo
-- Você sabe que não precisa ser uma psiquiatra para cuidar das pessoas, né?
-- Eu sei, mas no manicômio é onde tem mais gente sofrendo com seus próprios monstros e eu quero ajudá-los -- Eu tomo um gole do meu chá
-- Isso é por causa dela, né? -- Ela me pergunta e coloca a mão no meu ombro -- Não foi culpa sua, meu amor
Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem.
Flashback on
-- Mana, olha só o que eu consegui fazer!
Alicia girava na ponta dos pés, toda graciosa e feliz. Ela era mais velha do que eu, tinha nove anos e eu oito. Ela era loira e tinha uns olhos cor de mel que brilhavam como o sol. Eu era ruiva e tinha olhos castanhos, bem comuns. Ninguém acreditava que éramos irmãs, até verem nosso sorriso parecido.
-- Uau, Alicia, você está arrasando no balé! -- Eu disse, batendo palmas.
-- Você bem que podia fazer balé comigo, assim a gente ficaria sempre juntinhas. -- Ela disse, me abraçando.
-- Não é muito a minha praia, mas eu adoro te assistir. -- Eu disse, retribuindo o abraço.
Foi nesse momento que eu vi o Edu entrando em casa. Ele era o filho do vizinho e eu tinha uma paixonite por ele.
-- Eu sei o que você está pensando, sua boba. -- Alicia da um peteleco em minha testa e piscou.
-- Ai, mana, para com isso. -- Eu disse, corando.
-- Vou ser a madrinha do casamento de vocês -- Ela diz rindo e me abraça
-- Eu não acredito, Alicia. Imagine ter que beijar e fazer aquelas coisas que os adultos fazem. -- Eu faço uma cara de nojo.
-- Ainda somos crianças, mas um dia vamos nos divertir juntas e beijar vários gatinhos em uma festa e ficar bêbadas. -- Ela diz, dando outro peteleco na minha testa.
-- Para de ficar dando peteleco na minha testa, Alicia. -- Eu reclamo e ela me abraça mais forte.
-- Bobinha.
Fim do flashback.
-- Vou me deitar, tia -- Digo, mudando de assunto -- Amanhã tenho um desafio pela frente.
-- Você não vai abrir mão dele de jeito nenhum, não é? -- Ela pergunta, balançando a cabeça -- Durma bem, meu amor -- Ela beija minha testa
...
-- Você não precisa fazer isso -- disse Ethan, caminhando ao meu lado.
-- Se ele for transferido para outro médico toda vez que fizer algo, ele nunca vai se curar -- respondi.
-- Só toma cuidado.
-- Não se preocupa -- sorri fracamente e entrei no quarto de Arshe.
Arshe estava sentado, com o olhar distante. Quando percebeu minha presença, ele me olhou e me encarou.
-- Pensei que outro médico viria me atender -- ele falou e logo desviou o rosto.
-- Não gosto de desistir -- me sentei em frente a ele -- Ontem começamos mal, podemos tentar ser amigos.
-- Não quero ser amigo de ninguém -- ele disse, olhando para o chão.
-- Vamos devagar, está bem? Sem pressa, eu quero te ajudar.
-- Ninguém nunca conseguiu me ajudar -- diz Arshe -- Você não seria diferente.
-- Você é um desafio que eu quero vencer -- suspiro -- Que tal se fizermos trocas de perguntas? Eu te faço uma pergunta e você responde, e depois você faz o mesmo comigo.
-- Tanto faz -- Arshe hesita -- Como se chama, doutora?
-- Isadora, Isadora Ravenwood -- sorrio, tentando transmitir conforto -- Minha vez, por que você nunca deixa ninguém cuidar do seu caso?
-- Eles me irritam.
-- Mas se você não deixar, nunca vai sair daqui. Não vai mudar.
-- Eu não quero mudar -- Ele responde com indiferença -- Por que não desistiu do meu caso?
-- Eu gosto de desafios, e você é um dos maiores que eu já enfrentei -- Eu digo a verdade -- Você pensa em se matar?
-- O tempo todo -- Ele confessa -- E você, já se apaixonou?
-- Só quando criança -- Eu respondo -- Você tem algum medo? -- Eu pergunto.
-- Não! Eu já tive muito medo, mas hoje eu não sinto nada disso. Agora é a minha vez -- Ele se ajeita na cama -- Por que você cruzou as pernas ontem?
-- Foi ontem? -- Eu pergunto confusa.
-- Sim, quando eu apertei seu pescoço e te lambi, você fechou as pernas.
-- Foi um reflexo, não significa nada. -- Eu sorrio sem jeito.
-- Que curioso, você tem um paciente sociopata pressionando seu pescoço, tirando seu ar e a única coisa que você faz é fechar as pernas. -- Meu rosto fica vermelho. -- Pode falar a verdade, Isa, você gostou.
-- Não, não gostei. -- Respondo.
-- Nem você acredita nisso. Você é uma péssima mentirosa.
-- Foi automático.
-- Então vamos brincar. Eu vou me aproximar e, se você mover a perna um centímetro, é porque gostou.
-- Você está totalmente fora de si -- Eu digo, nervosa.
-- É o que o meu diagnóstico diz, mas você gosta de uma aventura -- Arshe se aproxima de mim.
-- Fique longe -- Eu o empurro.
-- Eu posso sentir sua respiração acelerada só de tocar em você -- Suas mãos colocam meu cabelo atrás da orelha -- Seu corpo se arrepia ao sentir meu toque, sua boca fica seca ao escutar minha voz -- Arshe sussurra no meu ouvido-- voce fica molhadinha com todo esse contato
-- Arshe, você não quer que eu chame os enfermeiros, quer? -- Pergunto com a respiração ofegante
-- Calma, doutora, deixe-me só testar uma coisa
Sera que voces merecem mais capitulos? O que estão achando?