CAPÍTULO 26| Bem vindo

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Minha cabeça latejava, escutava gritos e vozes assustadoras

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Minha cabeça latejava, escutava gritos e vozes assustadoras. Eu precisava fugir e para isso eu fiz a pior escolha da minha vida, fui atrás de uma tia minha, era minha última esperança de tentar mudar, a última chance de não desabar. Mesmo com as mãos ensanguentadas eu ainda tinha esperança que tudo melhoraria.

Bato três vezes na porta torcendo para ter alguém em casa.

– Já vai – Ela grita de dentro

A porta é aberta pela figura de uma mulher de cabelos avermelhados e bagunçados, seus olhos eram fundos e seu corpo era magro, ela segurava uma bebida que eu não reconheci, mas dava para ver que ela estava totalmente bêbada. Eu não podia voltar atrás, eu tinha que achar um lugar para dormir, eu não aguentaria dormir no mesmo teto ao lado de um corpo totalmente mutilado.

– Oi, tia – Tentei ser o mais amigável possível – Posso dormir aqui hoje?

– Cadê seu pai? E sua mãe? – Ela pergunta ironizando – Aqui não tem espaço para ratos como você, volta para sua casa

– Querida, não seja grosseira – Um homem de altura média surge atrás dela – Pode entrar rapaz, seja bem vindo

Não recusei, eu precisava de um lugar para dormir, um lugar sem um rio de sangue.

– Meu nome é Coop, sou o marido da sua tia – Ele aperta minha mão – Fique à vontade.

– Obrigado – Observei a sala e tudo estava em ordem, sem latas jogadas, sem gritos, sem cheiro de bolor e cerveja.

– Olha, tem um quarto vago e banheiro – Ela me olhava com gentileza nos olhos – Toma banho.

– Para de secar esse garoto – Minha tia berrava da cozinha.

– Não liga para ela, vamos?

Ele me deu um quarto, uma cama, roupas limpas e comida, era tudo que eu precisava. Me deitei tentando dormir mas as vozes me atormentavam.

– Me deixem em paz – Eu tampava o ouvido tentando afastá-los de mim – Me deixem, saiam de perto de mim – Eu gritava como um louco.

A porta foi aberta e a figura de Coop entrava, ele se aproximou de mim e amarrou meus pés e mãos, colocou uma mordaça na minha boca. Eu não tinha reação, tudo estava rodando, eu via pessoas zombando de mim, eu via os corpos.

"Eu deveria ter deixado você morrer"
"Filho, você nunca se importou com minha dor"
"Papai vai te ensinar a ter bons modos"
"Você me culpou pela morte do seu amigo"

Você vai queimar no inferno

Assassino

Doente

Monstro

Acordei no dia seguinte jogado na cama, sem roupa, os lençóis estavam com manchas de sangue. Eu sentia uma dor estranha entre as pernas. Meu corpo estava grudento, tinha algo molhado e nojento em minha bunda.

-- Acorda -- Minha tia entrou no quarto com um roupão -- Ontem a gente te deu um trato

-- O que vocês fizeram comigo? -- Ergui o corpo sentindo tudo doer

-- A gente se divertiu com seu corpinho -- Coop apareceu com um semblante divertido

-- Por que fizeram isso comigo? -- Perguntei confuso -- Já não bastava a dor que já me causaram na vida? Não bastava?

-- Meu irmão foi encontrado morto agora de manhã -- Minha tia falava amargamente -- O corpo estava irreconhecível -- Ela se aproximava -- Sua mãe está desaparecida

-- Eu não fiz nada -- Eu dizia em agonia -- Eles mereceram, é tudo culpa dele

As vozes voltaram, minha cabeça doía.

-- Você está completamente louco -- Coop rir -- Cara, você está fodido. A gente chamou uma ajudinha para você

O quarto foi invadido por jalecos brancos, injetaram alguma droga em meu corpo, mas antes que eu apagasse vi uma imagem borrada de Coop entregando um malote de dinheiro a um homem. Foi a última esperança, foi a última vez que me permitir sofrer, se existia um pouco de inocência dentro de mim, ele tinha acabado de ser estraçalhado.



...

Deixei o carro da Isadora no lugar que ela me pediu, foi um milagre Bento ter me ensinado a dirigir nas vezes que eu fugia de casa e era incrível que eu ainda lembrava de como funcionava. Eu esperei por uma hora, por três horas e já estava escurecendo e a Isa não tinha chegado. Eu não sabia o que fazer, não sabia se eu voltava ou se ficava, eu simplesmente não sabia. Fiquei dentro daquele carro até pegar no sono, eu tinha que voltar naquele hospital, tinha que encontrar ela.

Foi o que eu fiz, voltei na garagem do hospital me escondi e esperei que algum  fardado de branco passasse por mim, me armei com um pedaço de madeira que achei entre uns galhos na estrada.

– Hora do soninho

Acerto com força a cabeça de um homem que eu nem conhecia, tirei minhas roupas e vesti aquela roupa branca, sorte que deu em mim. Passei pelos seguranças com a cabeça baixa em uma prancheta. Passei pelo corredor e não achei nada, ela não estava em nenhum lugar, ela sumiu. Entrei em alguns quartos e nada dela. Corri em desespero procurando e já temendo o pior, dou de cara com o canalha que eu devia ter matado na primeira chance.

– Ethan

– Você voltou – Ele ri – Não vai encontrar a Isadora – Ele zomba

– Onde ela está seu canalha – Falei partindo para cima dele

– Calma, calma – Ethan tira uma arma da cintura e aponta para mim – Fica quieto

– Onde ela está? Seu desgraçado, eu vou te matar!

– Cala a boca, eu que tenho a arma na sua cabeça – Ele apontava o revólver – A Isadora está segura, por enquanto

– Você é um mentiroso

– É verdade – Ele sorriu – Fui eu que te coloquei aqui, sabia? – Ele passou o cano da arma pelo cabelo -- Sua tia e o Coop me deram uma bolada para internar voce

– Seu canalha – Berrei de ódio – Você vai pagar caro por isso

– Você tem dez segundos para fugir desse hospital, estou te dando uma chance de escapar e vir atrás de mim – Ele olhou o relógio – Se você ficar aqui vai ser preso e nunca mais vai ver a Isadora

– O que você quer de mim? Você enlouqueceu?

– Você é meu fantoche, Asher – Ele riu

– Não me chame assim – Rosnei

– Você está no meu jogo, quero que você tente me matar. Corra, se arme, seja o vilão que você sempre foi e tente me desafiar – Ele engatilhou a arma – Dez segundos a partir de agora – Dez, nove

– Eu vou te matar, isso é um juramento

– Oito, sete – Ele continuava a contagem

Virei as costas e corri, ouvindo um tiro. Ethan acertou minha perna e eu continuei correndo com dor. Corri com dificuldade, mas consegui sair, o alarme soava nos meus ouvidos. Entrei no carro e arranquei, eu só tinha um destino possível.

O meu antigo inferno








Tem aviso pra vocês lerem, é de estrema importância que vocês leiam.

ManicômioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora