Este livro é dedicado a vocês, que ousam sonhar com um amor sem fronteiras. Que ousam descobrir o lado mais obscuro do amor e da paixão. Que ousam amar com toda a sua intensidade, mesmo que isso implique se arriscar pelo caminho.
Isadora Ravenwood é...
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O frio da manhã cortava minha pele enquanto eu trabalhava cortando madeira no quintal. As primeiras nuances da neve dançavam pelo ar, como se o inverno estivesse pintando um quadro branco sobre o cenário familiar.
-- Lucian, o café está quase pronto! Venha se aquecer um pouco -- Ela chamou, sua voz cortando o silêncio gelado.
-- Estou indo -- Respondi, largando a machadinha e dirigindo-me para o calor acolhedor da casa. Enquanto entrava, ela sorriu e me entregou uma xícara fumegante.
-- O frio parece mais intenso hoje, não acha? -- comentou Isadora, envolvendo suas mãos na xícara para absorver o calor.
-- Sim, parece que o inverno resolveu se mostrar de verdade. Vai ser um dia longo lá fora -- Respondi, apreciando o aroma do café quente.
Isadora se aproximou, olhando pela janela enquanto a neve caía.
-- Acho que vamos ter que enfrentar a tempestade hoje à tarde. Talvez seja melhor terminarmos as tarefas lá fora antes que fique pior.
Terminamos nossos cafés em silêncio, preparando-nos para o trabalho sob o olhar atento da neve que continuava a cair lá fora. O dia prometia ser desafiador, mas juntos, enfrentaríamos o inverno e suas surpresas.
...
- Lucian - Ela me chama - Posso me aconchegar em você? Estou tremendo de frio
- Pega mais cobertores - Digo, seco
- Prefiro seu corpo quente
- Não vou te aconchegar - Respondo, olhando as chamas
Isadora se aproxima e abraça minhas costas, suas mãos se enlaçam em meu abdômen me causando um calafrio.
- Para de ser tão ruim - Ela diz com uma voz suave
- Eu só não estou acostumado com essa coisa
- Que coisa? Afeto, carinho, amor?
- Amor? - Pergunto, confuso - Não vai me dizer que...
- Talvez, só talvez eu esteja te amando - Ela diz perto do meu ouvido
- Não deveria. Eu não sou a pessoa certa para amar. Eu não sei como é esse sentimento, e minhas emoções são como um terreno frio e desconhecido. - Sinto um aperto no peito, a vulnerabilidade do momento me perturbando.
-- Lucian, todos merecem ser amados. Mesmo que você não saiba como é amar, isso não significa que não possa ser amado.
-- Isadora, eu sou uma pessoa fria, sem sentimentos. Não quero te machucar. Você merece alguém que possa oferecer mais do que eu posso dar.
A tensão pairava no ar, o calor da lareira parecendo insuficiente para derreter as palavras duras que eu lançava. O fogo, antes reconfortante, tornou-se um mero espectador da vulnerabilidade crua que se desenrolava entre nós.
-- Você está sendo tola. Amar alguém como eu só trará sofrimento. Não sou capaz de corresponder a esse sentimento -- Declarei, deixando escapar a crueldade que residia em minha natureza fria.
-- Lucian, todos merecem amor. Mesmo que você se veja assim, eu vejo algo mais. Não vou desistir de tentar entender você. -- Os olhos de Isadora se encheram de lágrimas, mas ela não recuou
-- Entender? Você acha que pode desvendar o que nem eu mesmo compreendo? Não seja tola, Isadora.
As chamas da lareira pareciam dançar em sincronia com a intensidade da discussão, mas não havia calor suficiente para derreter a frieza que eu lançava sobre ela. O momento tenso ecoava na sala, enquanto as palavras cruéis reverberavam, deixando cicatrizes invisíveis no espaço entre nós.
-- Isadora, você não entende. Nunca tive afeto dos meus pais. Para mim, amor era sinônimo de punição. Cresci em um mundo onde as palavras duras e os golpes eram a forma distorcida de expressar cuidado -- Revelei, a dureza em minha voz perdendo um pouco de intensidade.
-- Mas isso não justifica ser cruel. O amor não deveria ser associado a dor.
-- Sabe qual era a lição que eu aprendia? Que eu precisava ser forte, resistir. Mostrar qualquer fraqueza era um convite para mais sofrimento. Eu simplesmente não sei como ser diferente -- expliquei, a máscara de frieza caindo por um momento.
-- Lucian, isso não é desculpa para magoar os outros. Você pode mudar essa narrativa. Não precisa repetir o ciclo. -- Isadora se aproximou, buscando minha mão
-- Tudo que eu toco se desfaz, Isadora. É como se uma maldição acompanhasse cada passo meu. Eu destruo tudo à minha volta -- Murmurei, a amargura pesando em cada palavra.
-- Lucian, você não é uma força de destruição. Todos têm a capacidade de mudar, de se curar."
-- Você não entende. Olhe para minha vida. Relações desfeitas, corações partidos. Sou um catalisador de dor -- Continuei, sentindo o peso da minha própria autodepreciação.
-- Lucian, você não é responsável por tudo. As escolhas podem ser diferentes, a mudança é possível.
-- Não posso mudar quem sou. Está em mim, nas minhas entranhas. A frieza é minha única defesa -- Murmurei, um rastro de desespero em minha voz.-- Eu estou cansado -- Soprei soluçando -- Cansado de ser forte o tempo inteiro
-- Você não precisa ser forte -- Murmurou -- Pelo menos, não comigo.
-- Isso é bom. Porque no momento, tudo que posso oferecer é um homem quebrado -- Desabafo