Alguns dias se passam e decido visitar Emily em seu apartamento. Levo Henry Miguel comigo, com seus olhinhos curiosos observando tudo ao redor. O sol já começa a se pôr quando chego ao prédio onde compartilhei tantas histórias com Emily. Henry Miguel está tranquilo nos meus braços, e seus pequenos dedos agarram-se ao meu cabelo. Caminho até o elevador, e enquanto subimos, penso nas memórias que vivi neste lugar com Emily. O corredor do andar parece menor do que costumava ser, mas a porta do apartamento dela ainda é familiar.
Ao bater na porta, meu coração se agita de ansiedade. A porta se abre, revelando Emily com um olhar surpreso ao ver-nos ali. No entanto, ela fecha a porta quase que imediatamente, como se quisesse se esconder de alguma coisa.
— Emily? Sou eu, a Clara. Trouxe o Henry Miguel. Podemos entrar?
— Não quero visitas agora, Clara. — Emily responde, sua voz soando um pouco trêmula.
Percebo um desconforto nas palavras de Emily, algo que vai além da surpresa. Insisto suavemente, preocupada com a expressão que ela tenta esconder.
— Emily, o que aconteceu? Por que não quer que a gente entre?
Emily hesita por um momento antes de abrir a porta novamente. Seu olhar evita o meu, mas não consigo deixar de notar as marcas visíveis de hematomas em seu corpo. Um aperto se forma em meu peito ao testemunhar o que ela tenta esconder.
— Emily, o que aconteceu? Quem fez isso com você? — pergunto, preocupada.
Ela desvia o olhar, recuando um passo.
— Não é nada, Clara. Só uns problemas.
— Emily, não minta para mim. Quem fez isso com você? — Insisto, deixando Henry Miguel no sofá.
Ela suspira, revelando um misto de tristeza e resistência.
— Não importa, Clara. Eu só quero ficar sozinha agora. Por favor, vá embora.
Minha preocupação cresce diante da resistência de Emily, mas respeito seu pedido, embora relutante.
— Emily, não posso simplesmente ir embora sem saber o que aconteceu. Você não merece passar por isso sozinha. Deixe-me ajudar.
Ela sacode a cabeça, com os olhos marejados.
— Não preciso de ajuda. Só peço que vá embora.
— Eu não vou embora enquanto não souber o que aconteceu. Não quero ver você sofrer em silêncio. Se algo está errado, é só me contar. Somos amigas, lembra?
Ela se afasta, evitando meu olhar.
— Não somos mais amigas, Clara. As coisas mudaram.
Sinto um aperto no coração ao ouvir suas palavras, percebendo a dor que ela carrega além dos hematomas físicos. Insisto mais uma vez, decidida a não abandoná-la.
— Mesmo que as coisas tenham mudado entre nós, eu me importo com você. Além disso, você me ajudou muito quando eu mais precisei de você. Ninguém merece passar por isso. Por favor, me deixe ajudar.
Emily parece vacilar por um momento, como se estivesse lutando contra uma batalha interna. Seus olhos se encontram brevemente com os meus, revelando uma mistura de dor e relutância.
— Clara, por favor, vá embora. Eu não posso... — Ela engole em seco, incapaz de completar a frase.
Sinto-me impotente diante da situação, mas não posso forçar Emily a aceitar minha ajuda.
— Por que você não veio me visitar no hospital? Senti sua falta. Você deve saber que o Henry Miguel havia sido raptado pelo pai do Eric, e que eu quase morri por causa dele. Eu precisei de apoio, de amigas como você.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O Professor - Livro 2
RomansaApós Clara descobrir que o atual namorado de sua mãe é na verdade Eric, seu ex-namorado, ela se vê diante de um grande dilema e precisa decidir se deve confrontá-los ou guardar segredo. Enquanto isso, Dylan retorna à cidade para tentar superar seus...