O que resta depois de uma promessa quebrada?
Para Gabriel ficou o silêncio, e a ausência de quem o ensinou a ver o mundo com brilho.
Para Luana, o eco de um passado que ainda não soube enterrar.
Na Universidade Argentum, o acaso volta a cruzar os se...
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Três meses de trabalho árduo condensados em um ficheiro PDF de um email de um professor.
Assunto: Notas da 2ª avaliação de Cálculo I.
Antes que eu próprio pudesse ver a minha nota, Bruno vinha correndo atrás de mim gritando:
— Noventa e sete em cálculo, porra! Eu nunca tirei noventa e sete! — Antes que conseguisse impedir, ele já tinha envolvido seus braços no meu pescoço e estava bagunçando meu cabelo com força, torcendo o pulso bem na raiz das tranças.
— Me solta, mané! — Empurrei pra longe, fazendo com que ele chocasse contra as pessoas passando para sair da porta do auditório onde a gente estava. Ele voltou correndo de braços abertos.
— Gabriel Ater, você salvou a minha vida. Eu te amo, cara! — Os olhares desviavam na nossa direção por pouquíssimo tempo, sem qualquer expressão de estranheza no rosto. Já estão habituados a ver esse tipo de coisa?
— Também não é bem assim, né. — Seu rosto quase dobrou, contrastando totalmente a harmonia de há pouco.
— Tô repetindo essa matéria, criatura. Claro que é assim. Abençoado o bom Deus, que fez você entrar nessa faculdade e na minha turma. Me desculpe se algum dia questionei você, cara. Eu claramente não sabia do que estava falando. — Disse com falseto, apertando as minhas bochechas com força.
— Quer... — Me desvencilhei mais uma vez, puxando a cabeça pra trás e esticando os braços para manter distância — Quer parar?!
— Não! Eu vou conseguir sair só da torcida, vou poder ajudar o time, você sabe o que isso é? Eu te devo o que tu quiser, mermão. — Por que a capa do Harry Potter só existe no Harry Potter? Vontade de sumir de perto desse maluco aqui. E mesmo assim, um sorriso brotava do meu rosto. Eu me sentia o Bartolomeu Gusmão lançando "A Passarola" e vendo ela voar por alguns instantes, depois de tantas tentativas fracassadas.
— Ainda bem que você não desistiu. — Reconheci.
— Eu tô indo ter com a galera festejar, você tem alguma coisa pra fazer? — Fiz o meu melhor para não contrair o rosto para esse convite.
— Convite tentador, mas eu tenho algumas coisas pra organizar no dormitório. Mas obrigado, cara. — Não era tentador. Eu só queria voltar para o dormitório aproveitar a semana de folga do restaurante para organizar o meu sono.
— Certeza? Vai ser rápido, e... — Abanei lentamente a cabeça para ele entender que eu não ia mudar de ideias — Tá bom. A gente ainda se vê. — Enquanto via ele saltando de um lado para outro, a conversa da gente passava rápido pela cabeça. "Vou poder ajudar o time".
— Bruno! — Chamei. Ele virou para mim e voltou correndo — Fiquei pensando num negócio, cara. No inicio eu tinha raiva de você por ficar falando desse seu "time" jogando ou perdendo toda hora, mas agora fiquei curioso... que time é esse? Você é algum tipo de sócio ou assim? — Franziu o cenho e soltou uma risada seca.