XXV - Atenuado

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— Meu Deus, você não

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— Meu Deus, você não... que burrice. Você passou a noite aqui. — Ouvi uma voz vinda de todas as direções, sempre distante. 

— Sim. — Disse levemente atordoada pelo sono ainda. Não levantei a cara imediatamente, continuei com a cabeça baixa, testa apoiada nos braços em cima do joelho. Assim que levantei, vi Sra. Sara sentada do meu lado.

— Não. Vá descansar, por favor. Não quero que massacre seu corpo, pode voltar mais tarde.

— Não precisa.

— Você precisa descansar direito.

— Não ia dormir de qualquer forma, Sra. Sara. Seu filho...

— Vai ficar bem.

— Eu não. Eu preciso ver ele, preciso... não dá.

— Não posso deixar que você continue aqui. Já falou com os seus pais?

— Eles vêm aí, não se preocupe.

— Vem comigo então, a gente pode ir para a cafeteria comer alguma coisa. — Levantei e fui arrastando os pés, bocejando ocasionalmente. Assim que a gente chegou, soneguei um pouco com o cotovelo em cima da mesa e a cabeça em cima da mão. Quando abri os olhos, vi uma bela, colorida e volumosa bandeja com uma tosta com leite e banana.

— Imensas desculpas por ontem. — Engasguei. Não esperava que ela comentasse tão descontraidamente sobre o assunto — Você tá bem? — Levantei o polegar para ela — Eu realmente me sinto mal por isso, só que... não consegui controlar.

— Entendo, eu também tenho os meus acessos de raiva de vez em quando. — Ficámos em silêncio em seguida — Correu bem a extração? — Chutei. Ela não tirou os olhos do café enquanto balançava a colher e mexia num movimento circular constante.

— Correu sim. Consegui que extraísse quinhentos mililitros de uma vez.

— De quanto Gabriel precisava?

— Muito menos que isso, mas você sabe, meu tipo pode dar para todo o mundo... — Ela começou a contrair um músculo específico na cara.

— Mas apenas recebe dele mesmo. — Disse devagar enquanto olhava aquilo — Senhora, tá bem?

— Não se preocupe, esses espasmos acontecem de vez em quando, preciso é de tomar a minha pílula. — Sacou medicamentos e engoliu com água que tinha perto dela. Ficou um pouco calada antes de continuar — Fiquei um pouco tonta no fim, não vou mentir. Para ajudar, o Dr. Leandro recomendou que comesse feijão, banana...

— Mufete. — Sugeri.

— Quem?

— É um prato gostoso pra caramba, que leva banana e feijão. Você devia experimentar. É vendido no restaurante onde Gabi tava trabalhando antes... disso tudo.

— Vou experimentar. Vamos os três.

— Claro. Seria um prazer. — Depois de comer, fomos para as cadeiras de sempre, esperando que Leandro já tenha entrado e esteja trabalhando naquele rapaz. Milagrosamente, quem estava saindo do bloco operatório era mesmo ele.

Olho de ÂmbarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora