XXVI - Impressões em papel

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Precisava acabar aquela carta

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Precisava acabar aquela carta.

Durante as últimas duas semanas, experienciei uma ansiedade terrível. Não só por não poder ver o Gabriel, mas também por não saber o que fazer quando puder. Não sabia exatamente o que dizer, de que forma reagir, e tenho vergonha de dizer isso a quem quer que seja. Então, em vez de pensar no que dizer, peguei numa caneta e comecei a escrever uma carta.

Destilei tudo que aconteceu e tudo que eu estava sentindo até antes de ele ter sido... atentado. Espero que ele ria quando descobrir que eu conheci a mãe e o pai dele antes de ele apresentar, ou estranhe a reação da mãe dele quando soube o nome completo de Sandra. Que se preocupe comigo porque conheci a Sra. Sara de mau humor sozinha, que dê um sorriso meigo por estar escrevendo coisas bregas para ele... qualquer coisa que me lembre que está vivo. Bem. Aqui.

Comigo.

Meu celular vibrou intensamente, fazendo com que a garrafa de bolso caísse da cama. Estava aberta, derramando tudo que tinha lá dentro para o chão. Me arrastei para a berma da cama e vi aquilo tingindo a minha blusa de amarelo fraco.

Merda, era de algodão!

Não vai cheirar bem não, e não tenho como lavar agora... vou deixar no lavatório com água escorrendo por alguns minutos. Tirei a garrafa do chão. Pelo peso, já tinha ido tudo para a blusa. Dei o último gole, deixando que aquele líquido com rastro de fogo descendo limpasse vestígios de raiva que estivesse tendo, por quem tentou ligar e permitiu que essa desgraça acontecesse.

Ao levantar, não tive pé firme. Ou o cérebro ainda estava atrasado, virando agora. Botei as mãos do lado da cama e pousei devagar. Olhei para a porta do banheiro e tracei um plano de como chegar lá com os apoios mais próximos. Com esforço, levantei e fui pegando na cama mesmo, na maçaneta da porta e finalmente no lavatório. Deixei lá a camisa, refiz o caminho e voltei a deitar na cama. Assim que as tonturas passarem, eu prometo ligar para quem tentou.

 Assim que as tonturas passarem, eu prometo ligar para quem tentou

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Mais uma vez, o celular vibrando. O barulho pareceu tão perto que fez com que eu tivesse um pequeno lampejo de dor, que parecia ter se propagado para a cabeça no geral. Ainda de olhos fechados, tentei desligar, mas não acertava o botão. Abri um pouco o olho e era Sury ligando. Tentei deslizar para aceitar, mas já tinha perdido a chamada. Ela provavelmente deixou mensagem.

Olho de ÂmbarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora