Twenty seven | Rachel and Benjamín

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Olha, é, tenho duas lâminas acorrentadas a mim (Acorrentadas a mim)
Inferno ou Céu, já estive nos dois, é tudo igual pra mim (Igual pra mim)
Raiva e caos vêm com sacrifício, tiraram muitas vidas
Não dá pra lavar, o sangue tá marcado em mim
Tô cheio de trauma de uma segunda vida

Chase Atlantic - Demon time

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22 de Outubro, 2024
San Diego, Estados Unidos

Três dias. Três longos, miseráveis e tortuosos dias desde o maldito jantar na minha casa. Três dias em que Ángel e eu não trocamos uma palavra sequer. Três dias de olhares desviados, silêncios ensurdecedores e uma tensão que parecia crescer a cada batida do relógio. Três dias em que a raiva parecia se enraizar em nossas almas, como uma trepadeira sufocando tudo ao redor.

Eu não sei por que diabos ela aceitou vir nessa maldita viagem comigo. Talvez por orgulho, talvez para provar algo, talvez porque nenhum de nós dois queria ser o primeiro a ceder. Mas aqui estávamos, presos em um carro pequeno demais para tanto ressentimento, com o motor rugindo mais alto do que nossas vozes caladas.

Estávamos em San Diego, a cidade onde Miguel, meu primo, nasceu e cresceu. O mesmo Miguel que me ensinou a pilotar quando eu ainda era só um moleque cheio de sonhos e raiva reprimida. Miguel, o louco que ria do perigo e dizia que o asfalto era sua casa.

Toda vez que venho para cá, sinto como se ele ainda estivesse presente. As ruas parecem guardar o eco de sua risada, e os ventos que vêm do mar trazem memórias que não consigo esquecer. É estranho estar aqui agora, não só pelo peso da lembrança dele, mas também pelo motivo que me trouxe: a semifinal da corrida latina.

E, como o universo tem um senso de humor hilário, meu adversário nessa etapa seria ninguém menos que Michael Aston. O namorado ou sei lá da Rachel. Minha prima e irmã de Miguel. Já fazia tempo que eu não a via pessoalmente, mas sabia de umas coisas sobre ela que me faziam questionar se ela havia aprendido a sobreviver nesse mundo após a morte do irmão.

Michael era tudo o que eu detestava em um piloto: confiante demais, arrogante e com aquele jeito de quem acha que o mundo deve algo a ele. Ele pilotava como se o mundo inteiro fosse sua plateia, um estilo que me irritava profundamente, mas que, de alguma forma, também funcionava para ele. Afinal, ele tinha talento. Não tanto quanto eu, mas o suficiente para tornar essa corrida interessante.

No caso temos personalidades parecidas quando estamos na pista, mas somos totalmente diferentes fora dela.

Mas enfim, no momento nada disso importava. Até porque eu ainda estava tendo problemas em meu relacionamento, tudo o que eu conseguia sentir era o calor sufocante da presença dela ao meu lado, como se a proximidade física só piorasse a distância emocional entre nós.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora