Thirty three | Benjamín Martínez Part 2

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Ele estava chorando no meu ombro
Tudo que pude fazer foi abraçá-lo

Só nos aproximou ainda mais

Até julho❞

Wildflower- Billie Eilish
Tradução levemente alterada

[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]

Tijuana, México 21 de Abril, 201411 anos atrásBenjamín com 10 anos

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Tijuana, México
21 de Abril, 2014
11 anos atrás
Benjamín com 10 anos

A dor era a primeira coisa que senti. Ela latejava em minha cabeça como se algo pesado tivesse sido arremessado contra mim repetidas vezes. Meus olhos se abriram lentamente, a visão embaçada tornando difícil distinguir onde eu estava. Pisquei algumas vezes, tentando me acostumar à luz fraca do ambiente, até que os contornos do quarto começaram a se formar diante de mim.

Uma penteadeira branca, repleta de enfeites delicados e pequenos frascos de perfume, estava à minha esquerda. A parede atrás dela era de um rosa claro, quase infantil. Me virei um pouco e percebi que o quarto inteiro seguia esse mesmo tom suave – um edredom florido cobria a cama onde eu estava, e cortinas rendadas balançavam levemente com a brisa vinda da janela entreaberta.

Definitivamente, esse era o quarto de alguma garota boba. Mas a pergunta que pulsava em minha mente era: como eu fui parar aqui?

Tentei me sentar, mas um choque de dor percorreu meu corpo, me fazendo gemer baixinho. Minhas costelas doíam, minha cabeça parecia prestes a explodir, e cada músculo do meu corpo gritava em protesto ao menor movimento. Fechei os olhos por um instante, forçando minha mente a lembrar.

Meu aniversário. A entrega para os Raxacas. Aqueles homens. Sujos, perigosos. O olhar deles me avaliando como se eu fosse algum tipo de mercadoria.

E então, a dor. Golpes que vieram rápidos, sem aviso, fortes o suficiente para me derrubar. O gosto metálico de sangue na boca, a ardência cortante na pele.

E depois... escuridão.

Minha respiração ficou pesada. Eu estava vivo, mas não deveria estar. A última coisa que lembro bem era aquele homem, um dos Raxacas, me chutando enquanto zombava de mim, e então... alguém atirou nele.

Meus olhos se abriram de súbito. Alguém me salvou.

Mas quem?

Olhei ao redor do quarto novamente, notando pequenos detalhes que eu não havia notado antes. Ursos de pelúcia estavam empilhados no canto da cama, alguns caídos ao chão, como se alguém os tivesse afastado apressadamente. Uma escrivaninha cheia de papeis rabiscados, cadernos coloridos e lápis de cor. Esse definitivamente não era um lugar onde eu esperava acordar.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora