⚠️Esse livro é um dark romance ⚠️
Até onde um amor jovem pode trazer o passado a tona?
Duas famílias extremamente poderosas estão em guerra há gerações pelo controle de Tijuana. No meio dessa disputa violenta, estão os jovens herdeiros, Ángel Díaz e...
❝Nós não conversamos Nós não somos suficientes E a tempestade lentamente chega Quando a luz volta E os tempos frios surgem❞
Falling Apart-Michael Schulte
[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]
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27 de Outubro, 2024 Tijuana, México
Exausta, me deixei cair no sofá da sala. Meu corpo estava tão pesado que parecia como se eu carregasse o peso do mundo. Minha mochila escorregou dos meus ombros e desabou no chão com um baque, espalhando alguns papéis e cadernos pela sala. Desde que voltei para Tijuana, os trabalhos da faculdade têm se acumulado como uma pilha interminável de problemas, e eu mal consigo respirar entre um prazo e outro.
Olhei para o lado e vi Trevor fechando a porta com calma antes de vir em minha direção. Ele se sentou ao meu lado no sofá, jogando a mochila no chão com um suspiro cansado.
— E o seu namorado está em casa? — ele perguntou com um tom casual, mas ao mesmo tempo desconfiado.
— Não, ele provavelmente está ocupado com os preparativos da festa que a família dele vai dar hoje — respondi, tentando soar indiferente, mas a leve pontada de desdém escapou na minha voz. Não pude evitar.
Desde que voltamos para Tijuana, que foi basicamente ontem, Benjamín está mais distante. Não é que ele esteja me ignorando, mas sua atenção está em outro lugar... ou melhor, em outra pessoa. Paulina. Aquela vadia insuportável que está cuidando da organização da festa dos Martínez. Claro, Benjamín, como o herdeiro exemplar que precisa ser, está ajudando. E eu? Estou aqui, sendo esquecida.
Trevor arqueou uma sobrancelha, parecendo ler meus pensamentos.
— A família do Benjamín é bem popular, né? — perguntou enquanto folheava as páginas do caderno.
— Sim, assim como a minha — respondi.
— Parece que você não gosta muito dessa popularidade — Trevor comentou, com os olhos cravados em mim, enquanto girava uma caneta entre os dedos.
Soltei um suspiro longo, deixando o ar escapar como se carregasse parte do peso que estava no meu peito. Me levantei lentamente, caminhando em direção à varanda. O ar do entardecer invadiu a sala, trazendo consigo o som abafado de Tijuana pulsando lá embaixo. Apoiei as mãos no parapeito e encarei a cidade iluminada.
Esses dias longe de Tijuana... eles tinham sido um alívio. Uma pausa da realidade sufocante que essa cidade representava. Foi fácil acreditar, enquanto estava fora, que Benjamín e eu podíamos ser apenas nós dois, livres de nossas famílias, dos segredos e das expectativas sufocantes que carregavam nossos sobrenomes. Mas agora, de volta, era como se a cidade nos lembrasse de que nunca escaparíamos de verdade.