Fifty-Two | Chaos smells like us

386 33 10
                                        

❝Olha o que aconteceu (olha o que aconteceu)
Eu não alimento o medo dela, eu alimento seus hábitos (alimente seus hábitos)
Levei ela para o céu em uma carruagem (oh)❞

Too Late-Chase Atlantic

[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]

24 de fevereiro, 2014Tijuana, México13 anos atrás

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

24 de fevereiro, 2014
Tijuana, México
13 anos atrás

— Papai! Mamãe! — minha voz ecoou pelos corredores da mansão.

Meus pés descalços se arrastavam pelo piso de mármore. O relógio antigo no fim do corredor marcava as horas com um som ritmado. Já passava da meia-noite. Todos os funcionários já tinham se recolhido, até dona Antonieta, que sempre insistia em ficar até mais tarde para garantir que eu não dormisse sozinha.

Mas, naquela noite, eu estava sozinha. Sozinha demais.

Meus olhos varreram cada cômodo enquanto eu passava: a sala de estar, a cozinha, o escritório, mas não havia nenhum sinal deles.

Engoli em seco, sentindo minha garganta arder. Talvez estivessem na garagem, afinal era o único lugar onde eu não havia ido.

Apertei os dedos contra o corrimão frio da escada que descia até o andar inferior. Cada degrau estalava como se estivesse denunciando minha presença.

À medida que me aproximava, as vozes deles se tornaram mais nítidas, em tom carregado de aspereza. Instintivamente, me abaixei, sentindo o coração bombardear minhas costelas como se quisesse escapar dali, me escondi atrás da porta semiaberta e respirei fundo, com medo de fazer qualquer barulho e espiei pela estreita fresta, tentando entender o que estava acontecendo.

Meu pai estava com os olhos tomados por uma fúria insana, os dentes cerrados e as veias do pescoço saltadas. Suas mãos grandes seguravam minha mãe contra a Mercedes AMG GT 63 roxa — o carro que ele mesmo havia lhe dado.

Minha mãe vestia uma jaqueta de couro aberta, revelando discretamente o colo de seus seios, combinada com uma calça jeans justa que moldava suas curvas com naturalidade. O cabelo loiro, preso em um rabo de cavalo apressado, começava a se desfazer em mechas soltas, talvez por conta da tensão.

— Eu disse para você parar de ir nessas merdas! — rugiu ele, cuspindo as palavras como veneno.

Ela ergueu o rosto.

— Eu só queria me divertir um pouco... não pode me culpar por gostar de ir aos rachas! — rebateu, a voz trêmula, mas firme.

Em um movimento brusco, meu pai avançou, agarrou a cabeça dela com força e a chocou contra o vidro do carro, fazendo o estalo seco ecoar pela garagem me fazendo estremecer inteira.

— Diversão? — Ele cuspiu a palavra. — Diversão?! É isso que você chama de diversão, sua vadia?

Ele empurrou de novo, mais forte. Minha mãe gemeu, tentando empurrá-lo com os braços, mas ele era muito mais forte.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora