⚠️Esse livro é um dark romance ⚠️
Até onde um amor jovem pode trazer o passado a tona?
Duas famílias extremamente poderosas estão em guerra há gerações pelo controle de Tijuana. No meio dessa disputa violenta, estão os jovens herdeiros, Ángel Díaz e...
❝Lugares, lugares, vão para os seus lugares Vista seu vestido e coloquem seus rostos de bonecas Todos acham que somos perfeitos Por favor, não deixe eles olharem através das cortinas❞
Dollhouse-Melanie Martinez
[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]
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9 de setembro, 1.987 Tijuana, México 40 anos atrás Rafael com 14 anos
O lápis deixava um sombreado escuro sobre meus dedos. As linhas recém traçadas no papel tinham uma precisão que me enchia de orgulho — o contorno do leão, a coroa, o símbolo da força dos Díaz. Eu nem pisquei enquanto terminava o traço final, engrossando o olhar feroz do animal, porque papai dizia que o símbolo só valia alguma coisa quando o olhar fosse capaz de intimidar.
Ergui o papel com cuidado e fui até a mamãe que estava sentada na poltrona perto da janela, segurando sua xícara de chá.
— Olha, mamãe — falei com a voz que escapou meio ofegante. — Ficou idêntico ao original, não acha?
Ela me olhou e sorriu.
— Ficou perfeito, Rafa — ela disse naquele tom calmo que contrastava com tudo lá fora. — Melhor que o original.
Meu peito esquentou.
— Posso mostrar ao papai? — perguntei, sem esconder a empolgação. E por um segundo, achei que o sorriso dela ia crescer.
Mas ele sumiu.
Sumiu tão rápido quanto veio. Os olhos dela desviaram do desenho para a porta, como se esperasse ver alguém ali.
— Rafa... — ela começou, com aquele jeito de quem quer escolher as palavras. — Seu pai está em reunião. Não acho que seja um bom momento.
Meu sorriso hesitou. Só por um instante.
Mas eu era um Díaz. E um Díaz não hesitava.
— Quando é um bom momento para falar com ele? — murmurei, mais pra mim do que pra ela.
Ela não respondeu. Só apoiou a xícara no braço da poltrona e estendeu a mão, passando o dedo delicadamente sobre o traço grosso da coroa no papel.
— Tá bom, vai lá... mas não diga que eu não avisei — mamãe murmurou. Ela esticou a mão e bagunçou meu cabelo com um carinho.
Ela me entregou o desenho e eu corri.
O corredor parecia maior quando eu estava animado. As janelas altas deixavam entrar uma luz cinzenta, tímida, que não aquecia nada — só revelava o pó flutuando no ar e os retratos antigos nas paredes, todos com molduras douradas e rostos que nunca sorriam. A maioria deles eram de homens. Todos sérios. Todos parecidos com meu pai.