Fifty-Three | The beginning - Rafael Diaz Part 1

262 26 3
                                        

❝Lugares, lugares, vão para os seus lugares
Vista seu vestido e coloquem seus rostos de bonecas
Todos acham que somos perfeitos
Por favor, não deixe eles olharem através das cortinas❞

Dollhouse-Melanie Martinez

[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]

[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

9 de setembro, 1.987
Tijuana, México
40 anos atrás
Rafael com 14 anos

O lápis deixava um sombreado escuro sobre meus dedos. As linhas recém traçadas no papel tinham uma precisão que me enchia de orgulho — o contorno do leão, a coroa, o símbolo da força dos Díaz. Eu nem pisquei enquanto terminava o traço final, engrossando o olhar feroz do animal, porque papai dizia que o símbolo só valia alguma coisa quando o olhar fosse capaz de intimidar.

Ergui o papel com cuidado e fui até a mamãe que estava sentada na poltrona perto da janela, segurando sua xícara de chá.

— Olha, mamãe — falei com a voz que escapou meio ofegante. — Ficou idêntico ao original, não acha?

Ela me olhou e sorriu.

— Ficou perfeito, Rafa — ela disse naquele tom calmo que contrastava com tudo lá fora. — Melhor que o original.

Meu peito esquentou.

— Posso mostrar ao papai? — perguntei, sem esconder a empolgação. E por um segundo, achei que o sorriso dela ia crescer.

Mas ele sumiu.

Sumiu tão rápido quanto veio. Os olhos dela desviaram do desenho para a porta, como se esperasse ver alguém ali.

— Rafa... — ela começou, com aquele jeito de quem quer escolher as palavras. — Seu pai está em reunião. Não acho que seja um bom momento.

Meu sorriso hesitou. Só por um instante.

Mas eu era um Díaz. E um Díaz não hesitava.

— Quando é um bom momento para falar com ele? — murmurei, mais pra mim do que pra ela.

Ela não respondeu. Só apoiou a xícara no braço da poltrona e estendeu a mão, passando o dedo delicadamente sobre o traço grosso da coroa no papel.

— Tá bom, vai lá... mas não diga que eu não avisei — mamãe murmurou. Ela esticou a mão e bagunçou meu cabelo com um carinho.

Ela me entregou o desenho e eu corri.

O corredor parecia maior quando eu estava animado. As janelas altas deixavam entrar uma luz cinzenta, tímida, que não aquecia nada — só revelava o pó flutuando no ar e os retratos antigos nas paredes, todos com molduras douradas e rostos que nunca sorriam. A maioria deles eram de homens. Todos sérios. Todos parecidos com meu pai.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora