Forty-Six | New Day, Old Conflicts

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❝Eu estou indo direto para o castelo
Eles querem fazer de mim sua rainha
E há um velho sentado no trono
Dizendo que eu provavelmente não deveria ser tão má❞

Castle-Halsey

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09 de abril, 2027

Tijuana, México

Caminhei lentamente pelo corredor que levava ao escritório do meu pai, ouvindo o som dos meus saltos ecoarem pelas paredes frias da mansão Díaz. O piso de mármore refletia a luz suave dos lustres dourados pendurados no teto, e o cheiro amadeirado dos móveis antigos parecia mais intenso naquela manhã.

Diferente de todas as outras vezes em que cruzei aquele corredor, meu coração não disparava. Minhas mãos não suavam, minhas pernas não tremiam e eu não sentia o estômago revirar.

A única coisa que eu sentia era uma frieza cruel. Um vazio gelado que se alojava bem no centro do meu peito, onde antes costumava morar o medo.

Parei diante da porta dupla de madeira escura, os nós dos meus dedos cerrados, mas firmes, quando bati duas vezes.

Segundos depois, a voz grave soou do outro lado, arrastada e impaciente:

— Entra!

Respirei fundo. Não porque estava nervosa, mas porque precisava controlar a raiva que pulsava. Cada passo, cada gesto, cada respiração minha era uma batalha entre o controle e o ódio. Eu não podia deixar que ele visse. Não ainda.

Girei a maçaneta devagar e entrei.

O cheiro forte de tabaco e álcool me atingiu de imediato, como uma bofetada do passado. Nada ali era acolhedor. As paredes estavam revestidas por uma madeira escura e opressora, e a luz amarelada dos abajures criavam sombras densas nos cantos do cômodo. O ar estava pesado, como se guardasse segredos demais. Algumas poltronas haviam sido trocadas, e agora uma estante de vidro exibia troféus, armas de coleção e retratos de um império que meu pai fazia questão de exibir.

Rafael estava sentado atrás da enorme mesa de carvalho. Os óculos de leitura escorregavam levemente em seu nariz, e seus olhos percorriam alguns documentos antes de pararem, fixos em mim. Por um instante, ele congelou. Os traços severos não escondiam a leve surpresa, como se me ver ali fosse algo improvável.

— Ángel... — ele murmurou, quase sem voz.

Eu inclinei a cabeça de leve, como se fosse uma visita cordial.

— Oi, papai. Voltei. — Aquela palavra saiu da minha boca como veneno com um gosto doce.

Por um segundo, vi os olhos de Rafael hesitarem. Uma oscilação sutil, quase imperceptível, mas para mim foi como um sinal de fumaça no campo de batalha. Ele engoliu em seco, e foi nesse instante que percebi: ele não sabia o que esperar de mim. Era como se tentasse decifrar se o meu retorno era um presente ou uma sentença.

Ele se levantou com a compostura típica de um rei acostumado ao controle absoluto, ajeitando o paletó com movimentos precisos. Mas eu sabia reconhecer os sinais. A tensão na mandíbula. O leve tremor nos dedos ao soltar os papéis. A rigidez forçada do sorriso. Rafael Díaz, o homem que fazia da frieza uma arte, estava totalmente desconcertado.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora