Forty-Two | Back to the old days

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❝Eu tentei ao máximo não te deixar partir
Não gosto da vista do caminho até lá embaixo
Apenas prometa que não será lento
Sentirei o impacto do chão? ❞

The Abyss-The Weeknd feat. Lana Del Rey

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08 de abril, 2027

Tijuana, México
3 anos depois

Engatei a quinta marcha com a precisão de quem conhece cada centímetro da própria máquina. O motor respondeu com um ronco grave, vibrando como um animal faminto prestes a ser solto. O velocímetro já passava dos cento e vinte por hora, mas eu queria mais. Sempre quero mais.

A noite cobria Tijuana com seu manto denso e abafado, onde o cheiro de gasolina se misturava ao do asfalto quente e ao do perigo no ar. As luzes da cidade eram borrões amarelos refletidos no retrovisor, enquanto os postes passavam como fantasmas ao meu lado. No rádio, Bellakeo tocava alto, eu batucava o volante no ritmo da música, sentindo a tensão se acumular nos meus ombros, como sempre acontecia antes de um racha.

Meus olhos estavam colados na estrada, mas minha mente... estava em chamas.

Já fazia algumas noites que um corredor misterioso e audacioso o bastante para me desafiar vinha invadindo os rachas e saía de lá com o prêmio que deveria ser meu. Ganhava de mim por segundos. Por milímetros. Nunca vi seu rosto, nunca ouvi sua voz. Só a Porsche 911 GT3 RS preta, com faróis azulados que cortavam a noite como garras afiadas. Ele surgia do nada, desafiava as regras, ultrapassava todo mundo como um demônio com fome e desaparecia antes que alguém pudesse interceptar.

A primeira vez, achei que foi sorte. A segunda, coincidência. A terceira, entendi que era pessoal.

E hoje... poderia ser a quarta.

Minha mandíbula travava só de lembrar da última corrida, há três dias, em Rosarito. O filho da puta me ultrapassou na reta final como se soubesse exatamente quando eu trocaria a marcha, como se tivesse estudado cada curva, cada falha do meu carro. E depois sumiu. Ninguém conseguiu seguir. Nem drones. Nem olheiros. Ninguém sabia quem era.

Mas eu sabia o que sentia.

Raiva. Ardendo feito gasolina no estômago.
Orgulho ferido.
Sede de sangue.

Mas essa noite... essa noite seria diferente.

Porque eu ainda era o rei dessas ruas. Essas curvas sabiam meu nome. O asfalto reconhecia o peso dos meus pneus. Cada ponto cego, cada buraco escondido, cada esquina onde a morte já espreitou... eu conhecia tudo. Melhor do que qualquer um. Melhor do que aquele corredor maldito que ousou se intrometer no meu império como um fantasma querendo roubar minha coroa.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora