Forty-Five | Ángel Díaz Part 3

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❝Estou cansada de ser cuidadosa, cautelosa
Tentando manter a água quente
Me deixe sob sua pele
Uh-oh, lá vai
Eu falei demais e transbordou
Por que eu sempre derramo?❞

Soap-Melanie Martinez

[CAPÍTULO NÃO RECOMENDADO A MENORES DE 18 ANOS POIS CONTÉM ELEMENTOS DE ALUCINAÇÕES VISUAIS CONTENDO PRINCÍPIO DE VIOLÊNCIA SEXUAL E PEDÓFILA]

[NÃO SEJAM LEITORES FANTASMAS COMENTEM E VOTEM]

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02 de maio, 2015
Tijuana, México
10 anos atrás

A primeira coisa que senti foi uma dor latejante na cabeça, como se algo me esmagasse por dentro. Tentei abrir os olhos, mas a claridade invadiu de um jeito tão agressivo que soltei um gemido, apertando as pálpebras, tentando fugir daquela luz branca e fria que parecia cortar minha visão como lâminas.

Demorei alguns segundos até conseguir abrir de vez. Pisquei várias vezes, ajustando o olhar, e o que vi foi... estranho. Uma parede branca, o cheiro de hospital, uma janela com cortinas azuis meio desbotadas balançando com o vento. Ao lado, uma mesa pequena e sobre ela um vaso de vidro transparente com uma única rosa vermelha, perfeitamente aberta, como se estivesse viva só para enfeitar aquele lugar.

Mas o que realmente fez meu corpo congelar foi a voz.

— Que bom que acordou, princesa. — aquela voz rouca, grave, que eu conhecia como a palma da minha mão.

Virei lentamente o rosto, e o mundo pareceu girar. Não... não era possível.
Ali, sentado na poltrona ao lado da cama, estava ele.

Rafael. Meu pai.

Mas não, ele não estava como a última vez como eu o tinha visto. O que estava diante de mim era o Rafael de dez anos atrás. Cabelos loiros, penteados pra trás, barba bem feita, quase sem nenhuma ruga, e aqueles olhos... aqueles olhos azuis frios, cortantes, perigosos... mas que, naquele momento, estavam suavizados por um falso tom de cuidado.

Meu peito apertou. Meus olhos desceram automaticamente pro meu corpo. E o choque bateu como um soco. Minhas pernas eram pequenas. Meus braços, finos e frágeis. As mãos pequenas e delicadas, sem nenhum sinal das tatuagens que hoje carregam minhas cicatrizes. Levei a mão ao peito, não tinha seios, meu corpo era o de uma criança.

Que merda era essa? Eu tinha nove anos de novo?

Fechei os olhos tentando lembrar. Procurando, vasculhando minha memória por qualquer coisa que me explicasse aquele inferno. A última coisa que me vinha era... Hailey. O grito. A seringa furando meu pescoço. Meu corpo... amolecendo. E o vazio. Um vazio tão grande que parecia não ter fim.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Histórias para pegar e não largar. Descubra agora