Forty | Rafael Díaz

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❝Por favor, pare, você está me assustando
Eu não consigo impedir essa energia terrível
É isso aí, acho bom ter medo de mim
Quem está no controle? ❞

Control-Halsey

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4 de novembro, 2024Tijuana, MéxicoAlgumas horas antes do sequestro da Ángel

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4 de novembro, 2024
Tijuana, México
Algumas horas antes do sequestro da Ángel

Caminhei pelos corredores do segundo andar da mansão tragando um charuto cubano, o gosto amargo da fumaça se misturava com o silêncio que me dava a sensação de controle. O mármore escuro sob meus sapatos refletia a luz suave que entrava pelas janelas altas, tingindo as paredes com tons dourados e alaranjados. Soltei a fumaça devagar, observando-a subir e desaparecer como as certezas de quem ousa me desafiar.

Foi então que ouvi os gritos.

Vieram abafados e cheios de desespero, aquele era o tipo de som que já conhecia de cor, mas que agora parecia vir do quarto de Alisson. Meus passos desaceleraram. Parei ao lado da porta, colando meus ouvidos na parede.

— Eu me sinto suja! — a voz ecoou, trêmula, partida. — Eu me sinto um lixo, Alisson! Como se nada em mim valesse alguma coisa!

Era Ángel.

Minha filha.

A mesma menina que oito meses atrás escolheu cuspir na história da própria família. Escolheu o lado do inimigo. Escolheu amar o filho do homem que arrancou meu pai de mim com uma bala.

Benjamín Martínez.

O nome dele era como ácido escorrendo por dentro da minha garganta. E o rosto dela — aquela mistura perfeita entre a doce Martina e meu sangue impiedoso — era um lembrete cruel de que mesmo as criações mais preciosas podem apodrecer quando alimentadas com ilusões.

Ódio não era suficiente para descrever o que ela me causava. Era algo mais profundo. Uma mistura de desprezo, frustração e um orgulho ferido que sangrava silenciosamente desde o dia em que a vi indo embora sem olhar para trás. Eu dei tudo a ela. Tudo. E ela jogou fora para se deitar nos braços de um Martínez.

Mas ainda assim... alguma parte doentia em mim continuava a vê-la como minha. Como algo que um dia voltaria ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

— Eu me sinto sozinha! Perdida! Abandonada em um inferno que ninguém entende! — A voz dela soou ainda mais quebrada — Eu preciso fazer isso sozinha... eu preciso olhar na cara dele e fazer ele se sentir como eu me sinto agora. Eu preciso...

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora