Thirty nine | Chaos

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Essas vozes na minha cabeça estão gritando: Corra
Estou rezando pra que elas sejam humanas
Por favor, entenda que estou dando o meu melhor
Minha cabeça está uma bagunça, mas estou tentando
Ansiedade é um problema terrível❞

Consume-Chase Atlantic (feat. Goon des garcons*)

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4 de novembro, 2024
Tijuana, México

Minhas mãos não paravam de tremer. Tentei escondê-las entre as pernas, como se enfiar os dedos contra a coxa pudesse conter a descarga elétrica que subia pelo meu corpo. Mas não adiantava. Era como se o meu próprio corpo estivesse em estado de alerta, lutando contra algo invisível que me espreitava de todos os lados.

Alisson digitava sem parar ao meu lado, com os olhos fixos na tela do notebook, o cenho franzido em concentração máxima. Às vezes murmurava algo, como se estivesse organizando os pensamentos em voz alta, mas eu não conseguia prestar atenção.

Meus olhos ardiam. As lágrimas já não desciam com força, mas teimavam em cair, uma por uma, silenciosas e pesadas, como se cada gota carregasse as palavras que eu não tive coragem de responder.
As palavras dele.

"Você mentiu... me enganou... e fez isso tão bem que eu não sei mais quem você é."

A voz de Benjamín ainda martelava na minha cabeça, repetindo aquelas palavras como um eco cruel. Eu não menti. Não como ele estava dizendo. Eu apenas... não sabia. E essa era a pior parte. Não ter respostas. Não ter como provar que eu falava a verdade.

Eu ainda tentava entender como as coisas chegaram naquele ponto. Como o homem que uma vez me olhou como se eu fosse a salvação dele agora me olhava como se eu fosse a queda.

Meus dedos se fecharam com força no tecido da calça, tentando conter o tremor que insistia em me dominar. A raiva começou a se acumular no fundo do peito. Não por ele. Mas por mim. Por ter me calado. Por ter engolido as dúvidas, os medos. Por ter acreditado que o amor seria suficiente para me manter viva nesse caos todo.

Eu sentia vergonha.

Vergonha por ter sido usada, manipulada, exposta de uma forma tão cruel. Meu corpo não me parecia mais meu. Minha história também não. Estava nas mãos de alguém que queria destruir tudo o que eu era, tudo o que eu ainda estava tentando entender sobre mim.

Sentia raiva.

De mim mesma. Por não ter percebido. Por não ter lutado quando ainda era tempo. Por ter deixado aquele homem me tocar naquela gravação, como se eu tivesse consentido.
E sentia medo.
Medo do olhar do Benjamín. Medo de como ele me viu naquela madrugada no beco. Da frieza, do desprezo que carregava no fundo dos olhos. Aquilo não era raiva. Era decepção. Era a morte de algo que ele acreditava que existia entre nós. E eu estava ali, assistindo isso morrer sem poder fazer nada.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora