⚠️Esse livro é um dark romance ⚠️
Até onde um amor jovem pode trazer o passado a tona?
Duas famílias extremamente poderosas estão em guerra há gerações pelo controle de Tijuana. No meio dessa disputa violenta, estão os jovens herdeiros, Ángel Díaz e...
❝Ele está fora de si, eu estou enlouquecendo Nós temos esse amor, do tipo maluco Eu sou dele e ele é meu No final, somos ele e eu Ele e eu❞
Him & I - G-Eazy & Halsey
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22 de Outubro, 2024 San Diego, Estados Unidos Minutos depois de Benjamín abandonar Ángel na estrada
Babaca. Ele é um completo babaca. Quem, em sã consciência, larga a própria namorada sozinha no meio de uma rua vazia, ainda mais em um país que ela nem conhece?
Respiro fundo, mas a tentativa de me acalmar é inútil. O calor sufocante do sol californiano bate diretamente no meu rosto, e parece que o céu inteiro resolveu desabar em chamas sobre mim. O ar está seco, pesado, e sinto o suor escorrendo pelas minhas têmporas. Minhas pernas estão fracas, meu corpo lateja, e a tontura começa a me dominar. Não sei se é o calor, a exaustão ou... a gravidez.
Respiro fundo novamente, tentando focar em algo ao meu redor, mas tudo parece girar. Meu estômago dá um nó, e levo uma mão instintivamente à barriga, num gesto automático de proteção. Não posso desmaiar aqui, não agora.
A rua parece um cenário de filme de desolação: casas com fachadas desgastadas pelo tempo, poucos carros estacionados, e nenhuma alma viva circulando. O asfalto está tão quente que consigo sentir o calor subindo, mesmo através das solas dos meus tênis. As sombras são poucas, quase inexistentes, e a única coisa que ouço é o zumbido distante de uma música que toca em alguma das casas.
Sinto minha visão embaçar por um momento, e me apoio em um poste, ofegante. Ele me deixou aqui. Simplesmente foi embora, sem olhar para trás, sem se importar com o que poderia acontecer comigo. Como alguém pode ser tão cruel?
Minhas pernas ameaçam ceder, mas eu me forço a continuar em pé. Passei a mão em minha testa suada e olho ao redor, tentando encontrar alguma saída, algum lugar onde possa pelo menos sentar e me recompor.
Mas não tem nada.
— Benjamín, seu grande filho da puta, quando eu te encontrar... — murmurei entre dentes, sentindo a raiva crescer dentro de mim como uma chama incontrolável. Mas, antes que pudesse completar a frase, minhas pernas vacilaram.
A tontura que me atormentava finalmente venceu, e senti meu corpo ceder. Em um movimento desajeitado, caí de bunda na calçada quente. O impacto não foi forte, mas o suficiente para me arrancar um gemido frustrado. A dor se espalhou pelo meu quadril, somando-se à exaustão física e emocional que já estava me consumindo.
— Ótimo... só faltava essa — sussurrei para mim mesma, encarando o chão enquanto sentia as lágrimas ameaçarem escapar.
A calçada parecia ferver sob mim, o calor irradiava através da roupa fina que usava. Eu estava no limite. A vergonha de estar caída ali, à vista de qualquer um, misturava-se à humilhação de ter sido abandonada no meio de uma cidade estranha. Tudo isso por causa dele. Benjamín. Aquele idiota que eu amava e odiava na mesma intensidade.