Natasha Romanoff P.O.V.
Saímos do prédio das Indústrias Stark lado a lado e por alguns segundos o simples ato de caminhar ao lado dela já parecia ser suficiente para silenciar o caos dentro da minha cabeça. O sol do início da tarde refletia nas fachadas espelhadas ao redor e o movimento constante de funcionários indo e vindo criava um pano de fundo quase automático como se o mundo seguisse normalmente enquanto, pra mim, tudo tivesse diminuído o ritmo.
S/n caminha ao meu lado com passos tranquilos. Percebo que há algo diferente nela. Não é apenas a forma como se veste, elegante, sóbria, segura, mas a maneira como ela ocupa o próprio espaço. Antes, sempre havia uma tensão invisível em seus ombros, como se estivesse pronta para fugir a qualquer momento. Agora, seus movimentos são mais firmes, mais conscientes, mais tranquilos.
Entramos em um restaurante discreto a algumas quadras da empresa. Um daqueles lugares que Tony frequenta quando quer evitar paparazzi: iluminação quente, mesas de madeira escura, música baixa o suficiente para permitir conversas longas. O cheiro de comida fresca me faz perceber o quanto eu realmente precisava desse intervalo.
- Esse lugar é ótimo - S/n comenta enquanto a recepcionista nos guia até uma mesa perto da janela.
- Tony odeia admitir, mas tem bom gosto pra escolher restaurantes - respondo, puxando a cadeira para ela antes de me sentar.
Ela sorri de leve, agradecendo, e aquele sorriso carrega algo amadurecido. Não é mais frágil, é sereno.
Pedimos nossas refeições e por alguns instantes o silêncio se instala de forma confortável. Não é constrangedor. É cheio. Carregado de coisas não ditas, mas não pesadas.
- Então... - começo enquanto apoio os cotovelos na mesa. - Como você está? De verdade.
Ela inspira fundo antes de responder como se escolhesse as palavras com cuidado.
- Melhor - diz simplesmente. - Tenho feito terapia com regularidade. Não é fácil, mas... está ajudando. Eu sinto que, pela primeira vez em muito tempo, estou aprendendo a ficar comigo mesma sem me odiar.
Essa frase me atinge mais do que eu esperava. Engulo em seco.
- Isso é... - faço uma pausa, procurando a palavra certa. - Isso é incrível, S/a.
Ela abaixa o olhar por um segundo quase tímida, mas logo volta a me encarar.
- Eu precisei. Chegou um ponto em que eu ou me encarava ou continuaria repetindo os mesmos padrões. Fugindo, me culpando, machucando pessoas que não mereciam.
Há um pedido de desculpas implícito ali. Não verbalizado, mas presente. E eu não a pressiono. Não agora.
- Eu consigo ver - digo com sinceridade. - Você parece mais... em paz.
Ela sorri de novo, dessa vez com mais segurança.
- Acho que estou aprendendo o que isso significa.
Os pratos chegam, interrompendo o momento, mas não quebrando a conexão. Comemos por alguns minutos enquanto conversamos sobre coisas pequenas: o trabalho dela, um projeto novo que ela está desenvolvendo, minhas dores de cabeça constantes tentando manter Tony longe de decisões catastróficas.
Em dado momento, quase sem perceber a pergunta escapa:
- Você... tem falado com a Wanda?
Vejo seus dedos pausarem levemente sobre o talher. Ela não parece surpresa, apenas reflexiva.
- Não exatamente - responde com honestidade. - A gente trocou algumas mensagens depois do casamento, mas nada profundo. Acho que... algumas coisas precisam ficar no passado. Pelo menos por enquanto.
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Another Love
RandomS/N Stark vivenciou um relacionamento dramático ao lado de Wanda Maximoff, com o fim dele, S/N se mudou para a Inglaterra onde continuou trabalhando na filial local das indústrias de seu pai, Tony Stark. Após 3 anos, ela retorna para o casamento de...
