S/n Stark P.O.V.
Acordo antes do despertador.
Por alguns segundos, fico imóvel, olhos fechados, apenas sentindo. O lençol é macio demais. O silêncio é confortável demais. E há um peso morno ao meu lado que não estava ali todas as outras manhãs.
Abro os olhos.
A luz da manhã entra tímida pela fresta da cortina, pintando o quarto com tons claros de dourado.
Viro o rosto devagar e encontro Natasha dormindo ao meu lado.
Ela está de lado, o rosto parcialmente enterrado no travesseiro, os cabelos ruivos espalhados de forma desordenada, mas ainda assim muito linda, com alguns fios caindo sobre a testa. A expressão é tranquila, quase frágil. Um contraste gritante com a mulher firme e inabalável que o mundo costuma ver. O braço dela repousa próximo ao meu, sem me tocar diretamente, como se até dormindo ela estivesse respeitando um limite invisível.
Sorrio sozinha.
Não há urgência em mim e nenhum impulso de analisar, fugir ou me preparar para o impacto emocional que normalmente acompanha manhãs assim.
Fico observando enquanto ela respira, o movimento suave do peito, o jeito como as sobrancelhas se contraem levemente quando ela muda de posição. Penso em como, por tanto tempo, eu confundi intensidade com amor. Em como sempre achei que amar precisava doer, bagunçar e tirar o chão.
Agora, o que sinto é o oposto disso.
É apenas calma.
A noite anterior passa pela minha mente como um filme suave: o jantar improvisado, o vinho, a conversa na sacada, o beijo contido por cuidado e depois, o beijo que veio porque nós duas escolhemos. Sem urgência e sem medo.
Com cuidado, me viro um pouco mais para encará-la melhor. O sol da manhã atravessa parcialmente a cortina, desenhando sombras delicadas em seu rosto. Por impulso, levo a mão até seu braço, apenas para confirmar que ela está ali.
Ela se mexe levemente.
- Você tá me encarando... - murmura ainda de olhos fechados.
Sorrio.
- Você ronca bem baixinho... - provoco.
Natasha abre um olho, depois o outro e me encara com uma expressão entre ofendida e divertida.
- Isso é calúnia.
- Observação científica - respondo. - Passei a noite inteira coletando dados.
Ela solta uma risada baixa e se aproxima um pouco mais, apoiando o cotovelo na cama.
- Bom dia, então - diz com a voz rouca que me causava arrepios.
- Bom dia.
Há um silêncio confortável entre nós. Não aquele silêncio cheio de coisas não ditas, mas o silêncio de quem ainda está acordando para si mesma.
Natasha quebra o momento primeiro.
- Eu acordei faz uns vinte minutos - confessa. - Pensei em levantar, fazer café... mas você parecia tão em paz que eu não quis me mexer.
Meu coração dá um pequeno solavanco.
- Eu quase nunca acordo assim - admito. - Em paz, digo.
Ela me observa com atenção, como se estivesse memorizando cada detalhe.
- E agora? - pergunta.
Penso por alguns segundos antes de responder.
- Agora eu sinto que estou exatamente onde deveria estar.
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Another Love
DiversosS/N Stark vivenciou um relacionamento dramático ao lado de Wanda Maximoff, com o fim dele, S/N se mudou para a Inglaterra onde continuou trabalhando na filial local das indústrias de seu pai, Tony Stark. Após 3 anos, ela retorna para o casamento de...
