Capítulo 28

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O sobrenome Stark sempre carregou peso...

Genialidade, inovação, perigo. Meu pai construiu um império criando coisas que o mundo não sabia se deveria admirar ou temer. Durante anos, eu tentei equilibrar isso por ele, como se fosse minha responsabilidade impedir que o caos escapasse de suas mãos.

Percebo o real peso disso no momento em que atravesso os corredores das Indústrias Stark ao lado de Natasha. 

Funcionários passam por nós com expressões tensas, cochichos baixos, tablets pressionados contra o peito. A empresa inteira parece respirar de forma irregular.

- Ele está decidido - Nat murmura sem me olhar. - Pelo menos acha que está.

- Ele sempre acha - respondo sem amargura.

Paramos diante da sala de reuniões principal. As paredes de vidro deixam à mostra a mesa longa, as cadeiras alinhadas, a tela desligada esperando projeções de algo importante. Por um instante, vejo meu reflexo no vidro: postura ereta, expressão séria, olhos atentos e ombros tensos.

Natasha segura minha mão por um segundo antes de soltá-la.

- Seja o que for que aconteça... - ela começa.

- Nós nos apoiamos - completo.

Ela assente e então entramos. Havia alguns executivos conversando com rostos sérios enquanto analisavam alguns papeis.

Tony já está lá de pé, falando ao telefone. Quando nos vê, encerra a ligação com um gesto impaciente.

- Estavamos esperando vocês - diz. - Sentem-se.

Pelo seu tom de voz, aquilo não era um pedido.

Sentamos. Natasha abre sua pasta, organizada e precisa como sempre. Eu cruzo as mãos sobre a mesa.

- Imagino que já saibam - Tony começa, andando de um lado para o outro - que a proposta avançou. O governo quer um posicionamento oficial até o fim da semana.

- E você quer dizer sim - digo sem rodeios.

Ele me encara, surpreso apenas por um segundo.

- Não estamos falando de bombas jogadas ao acaso. Estamos falando de tecnologia defensiva.

- Armas - Natasha corrige com a voz calma. — Ainda são armas.

Tony suspira passando a mão pelo rosto.

- Eu já tive essa conversa antes. Com você. Com outros. - Ele olha para mim. - Achei que você entenderia.

- Justamente por entender é que estou aqui - respondo.

Ele se senta, finalmente.

- Você construiu esse império com a ideia de que poderia controlar tudo - continuo. - A diferença agora é que você sabe que não pode.

Tony abre a boca para responder, mas Natasha intervém.

- Do ponto de vista jurídico - começa ela, profissional - os contratos propostos transferem parte da responsabilidade, mas não o impacto moral. Se algo sair do controle, o nome Stark ainda estará lá.

- Sempre esteve - Tony rebate.

- E sempre pesou - digo.

O silêncio se instala. Tony me encara com atenção renovada.

- Você acha que eu não pensei nisso? - pergunta mais baixo.

- Eu acho que você pensa em soluções técnicas para problemas humanos - respondo. - E esse é o risco maior.

Another LoveOnde histórias criam vida. Descubra agora