Alinhado ao centro,
justamente onde o epicentro acontece.
Eu não sinto absolutamente nada,
apenas enxergo que meu corpo perece.
É involuntário ver a ambição,
a ambição por sobreviver,
personalidades disfarçam-se na multidão.
O que isso consegue? Apenas entreter.
Vasculhando meu eu lírico
não encontrei o que procurava.
Mas tinha algo, um lírio
em meio à bagunça que o camuflava.
Enigmas isolados da verdade,
a sensação de ser velho impotente.
Dizem-me: para isto não tens mais idade.
Já não há o que me deixe contente.
Na adolescência fazia mais sentido,
todo o drama e a carga psíquica.
Na velhice tratamos como instinto,
a melancolia vinda do nada que fica.
A moça branca, olhos verdes,
ela corria também.
Tentei até chamar sua atenção,
estou velho, tratou-me com desdém.
E tornei-me isto, estou esperando.
Eu espero algo todo dia,
dizem que gosto de fingir chorando,
mas é que é mais fácil que fingir alegria.
- William Philippe 10.09.15
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Victoriam
PuisiÀ poesia da morte. Fadado ao fracasso, sou um ser flagelado. Composto de poemas, pessimistas misturados.
