Para estar a sós
é necessário desfazer-se.
Aguar o ácido do peito,
das palavras abster-se.
Fazer da incontrolável ânsia
algo que reflita.
Sufocar a esperança,
gozar a dor escrita.
Distendido de si próprio,
tu vês tão distante.
Permaneces um simplório
achando que és amante.
Ludibriam-te, meu caro amigo.
Tua ânsia está a te rasgar.
Não conseguirás abrigo,
quando mais alguém a desejar.
Consternado tu passas sóbrio,
caminhando sob úmida penumbra.
À casa volta em coma alcóolico,
a penitência te inunda.
Entras em conflito com o espelho
e com alguém que parece reflexo.
Carregas o mesmo sentimento no peito,
envia-te o escarno em anexo.
Professaram que este dia chegaria,
disseram que sofrerás.
— Sabia que amar-te doía?
— Chegará o dia em que pagarás!
- William Philippe 04.10.15
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Victoriam
PoetryÀ poesia da morte. Fadado ao fracasso, sou um ser flagelado. Composto de poemas, pessimistas misturados.
