Não há mais relevância
em estar vivo, em poemar.
Eu procuro em dicionários
alguns verbos para rimar.
A com A, nem ar.
Meu corpo quer sonhar, crescer.
Parar de rimar o A,
fazer por merecer.
Rimar com a terceira terminação,
bem fácil, fácil igual a rir,
nem uso a imaginação,
por que escrever e não cuspir?
Não vale a pena ser,
sonhei um dia sem querer.
Estar vivo é loucura,
estar vivo é aceitar morrer.
Desilusão aleatória,
gratuita na vizinhança,
deixar de viver a história
para rimar com vingança.
É na carne branca
onde o espírito adormece.
É da carne branca,
que o são enlouquece.
Depois de desistir de lutar,
pela rima nobre,
na vida a vagar,
invejando até o esnobe.
Vejo o cego estragando a visão,
vejo o mundo fingindo canção.
Estou na mente de quem desistiu de tentar,
estou na mente de quem nunca se quer conseguirá...
tentar.
- William Philippe 22.08.15
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Victoriam
PoesíaÀ poesia da morte. Fadado ao fracasso, sou um ser flagelado. Composto de poemas, pessimistas misturados.
