Capítulo 2

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Depois de algumas horas e umas peças compradas, Adele deu-se por satisfeita.

- Adorei o teu trabalho. Gostava que considerasses a hipótese de realizares uma exposição em Paris.  - Ao ver a reacção de Carolina, Adele pede apenas. - Pensa nisso com calma e se decidires que sim, só tens de me dizer, eu trato de tudo, só tens de aparecer no dia da exposição. - Carolina sorri

 - Está bem. Pensarei nisso. - Já mais pensava voltar a Paris, tinha sido lá sua lua de mel e não se imaginava a voltar sem o Pedro, seria demasiado doloroso.

Depois da amiga sair, Carolina começou a empacotar as peças do Sheik. Que homem estranho, ela pensa para si mesma, apesar de ter sido muito gentil, ela nunca se sentiu à vontade ao pé dele, como se ele estivesse à espera do momento certo para se revelar. Esperava não o voltar a ver.

Ao Final do dia, um homem bastante alto, de cabelos e pele escura tocou à campainha de sua casa. Inicialmente teve medo, mas depois lembrou-se de que esperava o funcionário do Sheik e foi abrir a porta.

 - Boa tarde. - Disse para o homem

- Boa tarde Senhora. Venho buscar a encomenda do Sr. Samir- O homem inclinou a cabeça como cumprimento.

- Sim, claro. Está pronta. Por favor acompanhe-me. - Saiu para a rua a contornaram a casa em direcção ao atelier. 

Depois de carregar todas as peças, o homem voltou com uma caixa de veludo negro e entregou-lha.

 - O que é isto? - Ela pergunta sem pegar na caixa

 - Um presente do meu patrão para si, senhora. - Ele responde com calma. Mais uma vez faz um gesto para lhe entregar o presente, mas ela recua.

 - Lamento mas não posso aceitar. Agradeça, por favor, ao seu patrão mas não tenho o hábito de aceitar prendas de clientes. - Carolina falou com convicção e viu o respeito surgir nos olhos do homem, ele não insistiu mais.

 - Muito bem, seu recado será entregue. - Inclinou a cabeça e retirou-se.

Carolina não gostou da audácia do Sheik, e lembrou-se da fama de playboy que Adele lhe disse que ele tinha, pelos vistos a amiga tinha razão. Mal se conheciam e já se sentia a vontade para lhe enviar presentes.

No dia seguinte, Carolina estava a trabalhar numa encomenda quando o estafeta chegou com um ramo de flores enorme.

 - Isso é para mim? - Ela perguntou espantada. O estafeta que já a conhecia bem, sorriu

 - Sim, acho que tens um admirador. - Ele pisca para ela 

Carolina pega as flores e fica a ver o estafeta afastar-se,  depois de ficar sozinha abre o cartão e lê a mensagem: " Como não aceitaste o meu presente, espero que pelo menos aceites as flores e meu convite para almoçarmos juntos, irei buscar-te ao meio-dia. Samir"

Carolina, virou o cartão à procura de um contacto dele, mas não tinha mais nada escrito. Não queria ir almoçar com ele, mas como poderia cancelar o almoço se não tinha qualquer contacto dele. O estafeta, ela tinha o numero dele, correu para a sua agenda:

- António? É carolina. podes passar por aqui novamente por favor?

- Claro, não estou longe, até já.

Carolina retira uma rosa do seu ramo de flores e junta-lhe uma mensagem: " Muito obrigado pelas flores, foi muito gentil da sua parte. Infelizmente não vou conseguir almoçar consigo, pois já tenho algo marcado. Carolina"

Felizmente António tinha a morada do hotel onde o Sheik estava hospedado e prometeu entregar ainda durante a manhã.

Samir olha para a rosa com raiva, nunca nenhuma mulher o tinha rejeirado, muito menos duas vezes seguidas, desta vez ele mesmo iria ao seu encontro e não lhe daria chance de dizer não novamente. Alan observa o seu patrão e pensa pra si mesmo que talvez desta vez ele não fosse conseguir o que queria.

Ao final da tarde, Carolina, regressava das compras quando se apercebeu do carro grande preto parado no seu portão, reconheceu o carro do dia anterior. Parou o seu carro e saiu para apanhar as compras na bagageira, e imediatamente as portas do carro preto abriram-se também.

- Olá Carolina.- O Sheik a cumprimenta - Alan, carrega as compras por favor. - Ele pede.

- Boa tarde. - Carolina cumprimenta os homens. - Obrigado Alan, eu vou abrir a porta.

Depois de Alan entrar com as compras, Carolina não tem outra alternativa se não, convidar o Sheik a entrar:

- Entre por favor. 

Samir sorri e entra, na sala observa tudo com atenção e quando olha por cima da lareira sente uma raiva enorme nascer em seu peito, lá estava um quadro com uma fotografia de Carlina vestida de noiva nos braços de um homem loiro, jovem. A fotografia do dia do Casamento.

 - Porque manténs esta foto aqui? - Ele pergunta

- Como? - Ela olha pra onde ele está a apontar confusa. - Ah sim, é uma recordação do dia mais feliz da minha vida. - E pela primeira vez Samir vê um sorriso genuíno nela, mas durou apenas um segundo e logo desapareceu. Isso o perturba mais do que imaginaria, o seu sorriso é para um homem morto à seis anos.

- Não achas que está na altura de seguires com a tua vida? Ele morreu à seis anos. - Ele fala sem piedade, levado pela raiva que não consegue controlar

Ela olha-o com mágoa, abre a porta da rua e diz-lhe:

- Sai por favor. - Ela já nem olha para ele

- Carolina ele está morto!! Eu estou aqui à tua frente. - Ele agarra-a pelos braços. - Olha para mim. Estou aqui e quero-te!! Quero-te muito. - Ela olha para ele com os olhos marejados, e ele vê neles uma dor enorme.

 - Tu não és ele. - Ela fala devagar, perdida em sua dor e Samir perde completamente o controlo, Abraça-a forte e beija-a sem piedade, um beijo devastador, como se assim podesse apagar aquele homem da vida dela. Ele fará parte da sua vida e não há espaço para o defunto nela.

 - Eu vou arrancar ele de ti, vou fazer com que o esqueças!! - Ele promete ainda abraçado a ela

 - Terias de me matar primeiro.. - Ela responde olhando-o nos olhos. 

Samir sente vontade de fazer isso mesmo, mas controla-se, beija-a mais uma vez e sai fechando a porta com força.

- Vamor embora Alan - Ele ordena quando chega ao carro

Carolina deixa-se cair na poltrona mais perto e chora, aquele homem cruel não precisava de a lembrar que o seu marido estava morto, ela sentia a dor de não o ter todos os dias.

Dois dias depois, Carolina ainda não se tinha esquecido daquele episódio com o Sheik, felizmente ele não tinha voltado a tentar contacta-la. Não gostava dele e esperava não voltar a vê-lo nunca mais.

Alan observava o seu patrão e o reprovava silênciosamente, não concordava com o que ele ia fazer e tinha sérias duvidas de que fosse correr bem, mas ele era o patrão por isso teria de obdecer.




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