Capítulo Três

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A editora Albuquerque era uma gota de tinta azul no meio do oceano.

Mariana sabia disso, mas ainda assim não conseguia entender porque o pai a havia vendido justamente para a Ortiz Empreendimentos, durante a faculdade havia se esforçado pra se manter longe o máximo da patricinha herdeira do império Ortiz e conseguiu com louvor, mas agora graças a promessa que havia feito ao pai teria que trabalhar com a prepotente e arrogante Camila Ortiz.

Sabia que com a influência da Ortiz a Editora teria agora grandes chances de está entre as maiores, mas sabia bem qual era o interesse deles na Editora, desmembrar e vender partes dela, demitir os funcionários, que eram como uma verdadeira família pra ela, mas como explicar o acordo maluco entre seu pai e o poderoso Mauro Ortiz, acordo que a fazia ter que trabalhar por cinco longos anos ao lado de Camila. Será que valeria a pena conviver com a insuportável patricinha em nome do futuro da quase arruinada Editora Albuquerque?

Do outro lado da cidade Camila analisava o contrato feito com Arnaldo Albuquerque, antigo dono da Editora que agora pertencia a Ortiz, sem acreditar no que o pai havia feito ao compra-la.

Haviam outras editoras de sucesso sob a gerência da Ortiz Empreendimentos, e por isso não entendeu o que levou o pai a comprar justo àquela ainda mais com uma cláusula no início do contrato que dizia que ela não poderia ser desmembrada, nem vendida, nem seus funcionários demitidos em menos de cinco anos e que Mariana Albuquerque, a filha, era quem mediaria a mudança para os padrões Ortiz e por fim quem tomaria as decisões junto com os novos donos.

Camila bufou diante do contrato ridículo que o pai havia assinado ao comprar a empresa por um valor alguns por cento a cima do mercado e era isso que a deixava com uma pulga atrás da orelha.

Seu desejo era na verdade vender, a marca, o prédio, demitir todos os funcionários pra o primeiro que se dispusesse na pagar ao menos o valor de mercado pela Editora, mas como aquele contrato a impedia disso preferiu respirar fundo e aguardar que todos se acomodassem ao redor da enorme mesa de reuniões enquanto aguardavam pela chegada da tal Mariana Albuquerque.

Geralmente Sophia fazia uma pesquisa minuciosa sobre o/a representante da nova empresa afim de achar pontos fracos e fortes da pessoa numa forma de saberem como agir, mas naquele dia em especial depois de levar um fora de uma loirinha arrogante não estava afim de ler páginas infindáveis sobre alguém que definitivamente não estava nem um pouco animada em conhecer.

Camila mantinha a expressão séria enquanto sua mente devaneava pela noite anterior, por isso não notou a expressão de emergência no rosto de Olívia, muito menos viu a expressão debochada de Bruno que vinha logo atrás da noiva.

Voltou á realidade quando a porta da sala de reuniões se abriu, ficou paralisada diante da mulher que estava parada do outro lado da sala.

Mariana mantinha seu olhar firme e fixo em Camila enquanto se acomodava na única cadeira livre do outro lado da mesa de frente para Camila.

-Bom dia.

Saudou a todos em seu melhor tom profissional.

Todos responderam com ascenos com a cabeça ou em frases baixas, menos Camila que permanecia estática em seu lugar.

Saiu do torpor quando ouviu alguém pigarrear sonoramente, notou que todos os rosto estavam virados em sua direção. Pensou em perguntar o porquê deles estarem a encarando, mas é óbvio que aguardavam que ela iniciasse a reunião, mas não queria falar, ainda estava entalada com a surpresa, então fez um gesto com a mão indicando que Olívia o fizesse e virou a cadeira ficando de costas para todos, aquele gesto era tão comum que ninguém se importou quando Olívia começou a reunião com exceção de Mariana, que não deixou de fitar o encosto da cadeira furiosa com a atitude prepotente de Camila, mas jamais esperaria demais da patricinha.

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