Ayla Stefanih nunca teve sorte na vida, desde cedo teve que batalhar para sobreviver. Órfã e sem ninguém para amá-la, pois, viveu em lares adotivos, até completar maioridade, sem nenhuma perspectiva de vida buscou uma forma de sobreviver em uma cida...
"O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida."
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Os dias foram passando como todos os outros, sem nenhum acontecimento importante. A minha ansiedade aumentou em nível máximo, me deixando de péssimo humor, você tentava me animar de todas as formas. Primeiro me fez acompanhá-lo em uma de suas caminhadas matinais, alegando que me faria bem descarregar as energias acumuladas, não funcionou muito, pois eu ficava imaginado o tempo todo se em algum lugar do parque havia alguns dos capangas do Jacob nos observando. Talvez fosse uma paranóia minha, mas era um medo real, para meu alivio havia apenas fotógrafos lhe perseguindo. Saímos para jantar, até que foi divertido, me distraiu um pouco do meu nervosismo do que viria acontecer na sexta. Chris achava que o motivo do meu estresse toda era por que eu ainda não havia recebido nenhuma resposta da faculdade, em parte sim, mas não era o que me preocupava.
Você viajou na quinta de manhã para LA, acho que você tinha um compromisso de trabalho e só voltaria em dois dias. Meu nível de ansiedade elevou ao máximo em pensar que em menos de 24 hrs eu cometeria meu primeiro ato criminoso em toda minha vida. Não posso negar o quanto eu queria poder não fazer isso, mandar Jacob se ferrar, mas eu não podia pensar só em mim, havia uma criança envolvida nessa história e era nela que eu pensava sempre que eu pensava em contar para você, sinto muito se eu fui egoísta em não pensar em como você ficaria quando soubesse da minha traição.
O dia foi passando com os nervos a flor da pele, confesso que eu fui muito chata com todos. Era muito estresse misturado com pressão para que eu pudesse controlar. Angel me fez tomar várias xícara de chá de camomila, por achar que me ajudaria me acalmar, para ela meu estado devia ao fato de que eu me culpava por não ter tido nenhuma resposta das faculdades e o fato de você estar longe. Em parte ela não estava errada, saber que tinha chance de não ser aceita arruinaria a chance que eu tinha de dar um futuro para Mia, um futuro que eu não tive, mas que ela poderia ter, mesmo que tivesse perdido a mãe.
E eu sentia sua falta, me acostumei a ter você sempre ao meu lado.
Apreensiva, me arrumo sem muita pressa, adiando o inevitável, visto um vestido com parte de cima preto uma faixa mostrando a barriga na cintura com a saia xadrez, calcei um salto nude, arrumei o cabelo em um rabo de cavalo baixo antes de deixar o closet. Peguei minha bolsa no quarto, saindo logo em seguida do mesmo. Descendo para o andar de baixo encontrei Angel no hall de entrada, vindo de fora com uma bandeja na mão.
- O que você fazia lá fora com uma bandeja? – A olhei, desconfiada, tenho observado que ela e o Afonso tinham se aproximado naqueles dias.
- Só levei um suco para o Afonso. Vai sair? – Percebi sua mudança de assunto desviando a atenção dela.
- Vou sim. Marquei uma consulta com a médica para ver o motivo das minhas dores de cabeça. – uma desculpa descarada.
- Verdade. Tinha me esquecido que você comentou comigo ontem.
- Sabe onde o Chris guarda as chaves dos carros? Procurei pelo quarto e no escritório, mas não achei.
Ontem a noite vasculhei o quarto e o closet a procura da chave do carro, já vi você a deixando pelo quarto algumas vezes, mas não a encontrei. Então procurei no escritório, mas nada também, comecei a pensar que talvez você tivesse a levado o que não faria sentido já que Afonso havia te levado para o aeroporto.
- Já procurou na garagem?
- Não. Tenho que ir ou vou me atrasar, até mais tarde. – Saí antes que ela me faça mais perguntas das quais não poderia responder.
Angel e você se tornaram uma das pessoas das quais eu mentia com mais freqüência, e eu odiava ter que fazer isso.
Entrei na garagem, ainda não tinha vindo nessa parte da casa, porque não havia motivo para tal coisa, até o momento. Vi a Lexus ao lado de um Audi r8 preto e uma moto Haley Davidson muito linda, adoraria ter dado uma volta nela durante o tempo que passamos juntos. Encontrei as chaves pendurada no painel próximo a porta, peguei, destravando o carro, sentei-me no barco confortável.
Peguei o celular na bolsa, ligando para Chris que atendeu no segundo toque.
- Oi. – Sua voz saiu sonolenta, como se você tivesse acabado de acordar, conhecendo seu ritmo sei que deveria ter algumas horas que havia se levantado.
- Ei. Hmmm... Tem algum problema se eu dirigisse seu carro? – Por um momento torci para que você dissesse que sim, mas o medo do que Jacob faria caso eu não fizesse o que ele ordenou, me fez mudar de idéia e prossegui com o plano.
- Claro que não. Mas onde você está indo tão cedo?
Vou levar seu carro para ser roubado, para que alguém que eu amo não sofra pelos meus erros e mentiras. Era o que eu deveria ter respondido, mas o que saiu da minha boca foi mais uma das minhas mentiras.
- Na consulta com a Dra. Kate, você não se lembra? Marquei antes de você viajar. – Mordi minha unha em um gesto nervoso.
- Verdade. Você pode pegar qualquer um dos carros, tenho que ir agora, tenho um compromisso em 10 minutos. Nos falamos mais tarde, se cuida. – eu definitivamente não merecia você.
- Tudo bem. Sinto sua falta.
- Também, meu amor.
Levei alguns minutos olhando o visor do celular esperando que o que eu ouvi estivesse errado, de todos os dias que você pode me chamar assim, tinha que ser esse? Era a forma que o destino tinha encontrado de me punir por um décimo dos meus erros, só podia, me fez desejar que tudo fosse diferente, que eu não fosse uma completa covarde. Liguei o carro ouvindo o moto rugir suavemente, engatei a marcha, saindo da garagem, sabendo que era um caminho sem volta partir do momento em que eu seguisse em frente.
Acho que deve ter sido o primeiro passo em direção o precipício que me esperava, e agora estou no vale escuro, muito abaixo do topo do precipício, sem esperança de me reerguer, olha aonde minha covardia me levou.
Não dirigia desde que tirei minha carteira aos 16 anos na época do colegial, não tive oportunidade nenhuma de dirigir desde então, e não posso negar o quanto é bom sentir essa liberdade mesmo que seja por algumas horas. Atravessei o jardim para a saída, esperando um dos seguranças abrirem o portão, um pânico me causou um frio estranho na barriga, eu sabia que estava deixando o lugar em que me sentia segura para ir ao encontro das pessoas que tem apavorado minha vida durante anos.
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