Ayla Stefanih nunca teve sorte na vida, desde cedo teve que batalhar para sobreviver. Órfã e sem ninguém para amá-la, pois, viveu em lares adotivos, até completar maioridade, sem nenhuma perspectiva de vida buscou uma forma de sobreviver em uma cida...
"Erros são sempre perdoáveis se você tiver a coragem de admiti-los." Bruce Lee
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Depois de todas as revelações, incluindo a dor de perder o amor da minha vida. Tive que passar por todo o processo de ser presa. A famosa foto segurando a placa com meu nome, vestir o macacão laranja e andar pelo correndo até a minha cela.
Foram longas semanas de choro silencioso. Eu estava só novamente, o que não era uma novidade em minha vida, mas dessa vez era diferente, porque por algum tempo eu pude experimentar o que era felicidade. Sozinha na cela, percebi que a minha felicidade estava de baixo do meu nariz, rodeada de pessoas que se tornaram tudo para mim, e no fim eu as decepcionei.
Então, guardei minha dor no fundo do meu peito, foquei em fazer o Jacob pagar por tudo o que ele me fez passar. Não importava o quanto isso me levasse para o fundo do poço, ele iria junto comigo, afinal não havia nada lá fora para mim.
Me surpreendi quando duas semanas depois recebi uma visita do advogado, o Dr. Anthony. Pelo o que entendi o Estado disponibilizou um advogado público, já que eu não podia pagar por um. Após uma longa conversa decidimos que como confessei, entregando o Jacob, eu ainda poderia testemunhar durante o julgamento dele. Minha ajuda poderia não só condená-lo como poderia fazer a polícia descobrir outros crimes dele. Foi nisso que trabalhamos todas as vezes que eu e o Dr. Anthony nos encontramos.
- Tem alguma notícia da Mia?
- O juizado de menores a levou para uma instituição que cuida de crianças. Ela está bem, Ayla. – acenei querendo acreditar nele. Mas já estive nesses lugares e sei que não são bons como dizem. Preparei-me para fazer a próxima pergunta. – Não, Ayla, não tenho notícias sobre ele. Você sabe que ele irá depor no julgamento e por isso não posso falar dele com você.
- Eu sei, não iria perguntar sobre o Chris.
- Como seu advogado, não deveria mentir para mim. E você sempre pergunta por ele. Vamos nos concentrar em sua defesa, suas informações para a polícia ajudou a descobrir tráfico de garotas para a Turquia, o Bob foi preso essa manhã.
- Ótimo. Mais um inimigo para me odiar eternamente.
- Não tem com quê se preocupar, estará em um presídio feminino, eles não poderão fazer mal a você.
Era bom saber que eu estaria segura no presídio, talvez eu não precisasse trocar cigarros por proteção. A minha situação só piorava, de alguma forma estava me sentindo estranhamente cansada nos últimos dias.
- Ayla, você está bem? Está parecendo um fantasma de tão pálida.
- Não tenho me sentido muito bem.
- Tenho percebido. O que tem sentido?
- Enjôos e tonturas. E nada que eu coma permanece muito tempo no meu estômago, o que não é novidade, a comida daqui é uma maravilha, se é que você me entende. – só de pensar na comida, a bile já subia por minha garganta.
- Imagino. Vamos encerrar por hoje, o julgamento será em alguns dias. Preciso que descanse para dar seu depoimento, será um longo dia.
Levantei apertando sua mão. Por um algum instante o mundo girou, as paredes da sala pareciam de gelatina, se movimentando de forma engraçada, sacudi de leve a cabeça, fazendo a sala voltar ao normal. Dei um passo para a porta quando uma onda de enjôo veio com tudo, logo em seguida a sala tornou estranhamente destorcida mais uma vez, e tudo se apagou.
Acordei em uma sala pequena, com forte cheiro de alvejante que poderia causar dores de cabeça. Havia um tubo em meu braço ligado ao soro que pingava lentamente, ainda me sentia zonza. O Dr. Anthony surgiu por de trás da cortina que dividia a sala do consultório.
- Melhor? – ele encostou na ponta da maca, meio desconfortável.
- O que aconteceu?
- Você desmaiou quando estávamos na sala de visita. O guarda te trouxe para a área da enfermaria. – chegando mais perto notei que ele parecia nervoso. - Tenho uma notícia para te dar.
- Estou morrendo? – não seria de tão ruim, a vida na prisão é uma luta diária.
- Não. O exame de sangue indicou que você está grávida. – sentei bruscamente ao ouvi-lo.
- Como? Isso não é possível. – acho que o alvejante afetou minha audição.
- Não é o que o exame está dizendo. A enfermeira disse que o quê você vem sentindo bate com sintomas de gravidez.
-Mas estou aqui há quase um mês.
- Sua gravidez deve ser de poucas semanas. Parabéns, você e o Chris terão um filho. – o olhei tentando entender se ele estava sendo sincero, ou irônico.
- E eu deveria estar feliz? Como vou ter um filho na cadeia?
- Em alguns dias você receberá sua sentença, mesmo estando grávida. Cumprirá sua pena em um presídio feminino e receberá toda a assistência durante a gestação. Após o bebê nascer poderá ir para uma ala destinada a detentas com filhos ou poderá entregá-lo ao pai.
Eu não conseguia pensar em mais nada, deitei novamente sem reação nenhuma a notícia que mais uma vez mudaria a minha vida. Pedi que o advogado não contasse a você sobre a gravidez, eu queria um tempo para me acostumar com a idéia que nos próximos nove meses estarei grávida de um filho nosso estando presa. Vendo a minha situação posso afirmar que eu era uma pessoa sem sorte, e o destino poderia ser cruel. Quando falamos em filhos não consegui me imaginar sendo mãe, não tive uma, então nunca me senti maternal. O que de bom eu traria para meu filho, levando as condições que ele viria ao mundo, já cogitaria a possibilidade que ele vivesse na prisão comigo. Passaria nove meses como mãe, e anos sem vê-lo.
Então resolvi escrever essas cartas para contar minha versão da história, a versão verdadeira, não que Jacob tentou distorcer. Queria que soubesse como tudo aconteceu e onde tudo começou, detalhes que não ouviu durante o interrogatório. Assim, quando você estiver segurando nosso filho nos braços não odiaria a mãe dele, ou pelo menos, não tanto assim. Se um dia nosso filho perguntar por mim, diga que eu o amei e que será difícil me separar dele, como está sendo difícil saber que não poderei estar com ele nos seus primeiros anos de vida.
A minha barriga já está começando a aparecer nesses dois meses. As vezes me pego imaginando como seria estar agora com você feliz por termos um filho a caminho. Como seria passar por toda a experiência da gravidez em nossa casa, planejando nosso casamento, sonhando com o futuro. Mas sei que meus sonhos não se realizaram, então cuide dele e o proteja. Sei que você será um pai maravilhoso e que nosso filho terá sorte por ter você ao seu lado.
SINTO SUA FALTA.
COM AMOR, AYLA.
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Espero que gostem da história... E por favor, comentem e favorite.