- Harry, eu sou sua prima.
- Como é? Não, isso é impossível - ele nega - Tio Walter e tia Petúnia só tem um filho.
Pego sua mão e faço ele me olhar nos olhos.
- Sou a mais velha. Você e Duda tem pouco tempo de diferença. Quando você foi deixado na nossa porta eu ainda era pequena. Petúnia - aperto os olhos com força - Mamãe não gostou muito, lembro que ela bateu o pé, mas Lilian era sua irmã e não havia mais ninguém a quem recorrer.
'Claro que não foi fácil. Eles não davam muita bola para você. Então eu lhe cuidava. Quando a carta de Hogwarts foi entregue, eles enlouqueceram. Não me autorizaram a vir. Quando um filho de trouxas é escolhido para vir para cá, um bruxo vai até sua casa para explicar tudo aos pais. Eu havia brigado com eles e papai me expulsou de casa. Eu não pensei duas vezes e saí. Sei que eles esperavam que eu voltasse. Mas eu não fiz. Dumbledore foi até lá pessoalmente. Em primeiro para a explicação, e em segundo para poder vê-lo novamente. Mas quando ele chegou lá eu não estava. Você era muito pequeno não deve lembrar de nada. Ele foi atrás de mim e me encontrou na rua toda encharcada.'
Respiro fundo para controlar as lágrimas que ameaçam cair.
- Alvo me contou que eles não me queriam mais como filha. Se esse era o lugar que eu queria ficar, então que ficasse para sempre. Dumbledore me disse que por eu ser de menor não poderia ficar sem um responsável. Ele se voluntariou para isso. Foi até o Ministério da Magia e preparou os papéis e foi até meus pais - solto um riso afogado - Acredita que eles nem leram? Apenas assinaram. Alvo me disse que eles apagaram todo vestígio que algum dia eu já morei naquela casa. E quando você chegou aqui e não me reconheceu, tive a certeza que eles tinham feito um bom trabalho. Alvo passou a ser meu responsável legal e com o tempo se tornou um pai para mim.
"Não foi fácil para mim tudo isso. E eu jurei que voltaria por você. Mas você acabou vindo para cá primeiro - dou um sorriso fraco - Fiquei com medo de te contar e você achar que eu te abandonei. Mas eu era apenas uma criança, não havia muito que eu poderia fazer. Eu pedi a Alvo para mandar uma carta ao Ministério. Eu já sou de maior legalmente então, se você quiser e o Ministro autorizar, eu poderia pegar sua guarda. Poderíamos morar juntos. Sei que é muita coisa para sua cabeça, mas gostaria que pensasse bem nisso. "
- Por que nunca soube de você? Por que não me lembro?
- Você era muito novo. A forma como eles devem ter lhe tratado deve ter ajudado a apagar suas lembranças de mim - deixo as lágrimas escaparem - Harry, eu te amo muito. Sempre te amei. Só te peço que me dê uma chance. Eu sinto muito, Harry.
Ele fica em silêncio parece que por eras. Por fim ele suspira e seca as lágrimas do rosto.
- Não sei o que pensar. Então, somos primos. Por que não me contou antes?
- Eu quis, mas fiquei com medo. Eu tentei entrar em contato com meus pais e com você, mas como não obtive resposta, suponho que nem leram minhas cartas. E depois que você chegou e nos tornamos amigos foi ainda mais difícil. Tenho medo de te perder. Mas depois do que aconteceu no terceiro andar, não pude adiar mais. E você merece saber a verdade.
- Estou confuso e um pouco magoado. As coisas sempre foram tão difíceis para mim naquela casa. E pensar que poderia ter sido diferente. Mas eu não consigo te odiar, eu gosto demais de você para isso. Conheço meus tios, vi como eles agiram quando eu recebi a carta. Imagino como foi com você que é filha deles. Vem aqui.
Ele estica os braços para mim. O enrolo em um abraço apertado. Não sou muito grande para minha idade. Tenho apenas um metro e sessenta e sete, mas Harry cabe perfeitamente nos meus braços. Engulo o choro e solto dele.
- Precisa descansar. Queremos você bom logo. Vou roubar isso - pego um punhado de varinha de alcaçuz e saio da ala hospitalar.
....
- Tudo bem, pode me soltar agora, antes que você mate o coitado do Finn.
Sam me solta e me puxa sentada em baixo do Salgueiro Lutador. Por algum motivo ele nunca nos fez nada. Finn aparece das minhas vestes e eu o coloco no tronco do Salgueiro. Finn fica tão perdido pelas minhas roupas que às vezes esqueço que estou com ele.
- Então ele não pulou na sua garganta. Isso já é uma coisa boa.
- Ele está digerindo a informação. Sei que foi uma bomba para ele.
Ao longe vejo as vestes negras do professor Snape andando pelo pátio. Olho em direção à cabana do Hagrid. Levanto de pé.
- Fica aqui. Se eu demorar leve o Finn para dentro. Quer saber, nos encontramos no Salão na hora da comida.
Saio antes que Sam possa falar algo. Desço até a cabana e vou entrando sem bater.
- Hagrid - ele pula assustado - Não acredito que você arrumou um dragão e não teve a decência de me mostrar. Um Dragão, Hagrid. Céus, sabe meu amor pelas criaturas mágicas.
Rony e Hermione me contaram tudo que aconteceu enquanto Harry estava inconsciente.
- Oh - ele parece arrependido - Eu ia te contar, mas você sumiu e bem, isso é algo proibido. Se Alvo ficasse sabendo ele mandaria Norberto embora.
- Eu jamais contaria. Não acredito que pensou isso - estou magoada - Você é meu grande amigo, sem intenção do trocadilho, eu nunca faria uma coisa dessas com um amigo.
- Eu sei, mas é que o trio já havia descoberto. E é seu último ano aqui. Não queria te envolver em problemas se algo desse errado.
- Ah, Hagrid.
Abraço ele. Ouço seu fungar. Me solto dele e sento em uma poltrona e começo uma conversa agradável. Ele tem razão. É meu último ano, já fiz meus exames e agora é só esperar o resultado. Meus dias em Hogwarts estão contados. Tenho que aproveitar ao máximo.
Está perto do anoitecer quando saio da cabana. Resolvo passar no Lago Negro para ver o pôr do sol. Sento no chão e pego minha varinha na mão.
Lembro do dia que a comprei. Carvalho 30cm, semi flexível com pena de Thunderbird. Lembro da sensação, a corrente elétrica que iniciou na mão e correu pelo corpo até se alojar no coração. Naquele momento eu soube que aquela era minha varinha. Ela é simples. No punho há desenhos de raios dourados.
Olhando em volta percebo que a noite já caiu. Levanto e paro ao notar algo na água. Há uns dez metros da margem, um sereiano se debate. Ele parece estar enrolado em algas.
Sempre fui impulsiva, esse é um grande defeito meu. Apenas ajo sem pensar nas consequências. E foi isso que eu fiz. Apenas pulei no lago e nadei até lá.
O sereiano não teria problema nenhum de se livrar das algas se ele tivesse com sua lança, mas ele estava com as mãos vazias. Por ele estar se debatendo, sua situação só piora. Ele está todo envolvido pelas algas e já não consegue se manter flutuando. Ele parece cansado também. Me aproximo de vagar.
- Oi - ele se vira assustado - Eu vim te ajudar. Só preciso que pare de se mexer.
Seus cabelos claros estão colados no rosto. Seus olhos negros são maiores e com uma película transparente que os permite enxergar sob a água. Suas guelras abrem e fecham rápidas trabalhando dobrado.
- Posso te ajudar.
Ele me olha por um tempo, me analisando. Por fim seus movimentos diminuem. Entendo isso como um consentimento e me aproximo. Aponto a varinha para as algas e começo o trabalho de as soltar. Quando enfim o liberto ele chega perto de mim. Mesmo no escuro posso ver sua cauda por baixo da água.
- Obrigado - sua voz é estranha, mas não é incomoda.
Ele mergulha e some no negrume do lago. Começo a nadar de volta mas sinto o cansaço me atingir. Algo enrola em minha perna e no tranco, afundo na água deixando minha varinha cair da minha mão.
Ah que beleza. Salvei ele para eu mesma morrer afogada. Era tudo que eu queria.
Sei que não adianta me debater e estou ficando sem forças para me manter sobre a água. Que droga, sempre fui uma péssima nadadora. Olho em direção ao castelo, porém essa hora estão todos no Salão jantando. Não tenho nenhuma ajuda. Que maravilha. Ótimo jeito de morrer Dhelila. Me parabenizo.
Respiro fundo e mergulho para tentar me soltar, mas a alga é muito lisa e está firmemente presa no meu tornozelo.
Tento voltar a superfície só que não consigo. As minhas forças acabam e a necessidade de ar faz com que eu abra a boca. Grande erro. Sinto a água gelada descendo direto para meus pulmões e então o fim. Enquanto meu corpo afunda, e meus pulmões enchem de água, vejo a lua sobre a água. Lua cheia. Ela está tão linda hoje. Penso na idiotice que acabei de fazer. Em Alvo, Harry, meus amigos. Em Severo.
E então sou sugada para o esquecimento.
BÔNUS
Severo Snape percebe que a garota não está em nenhuma das mesas na hora do jantar. E sem saber realmente o motivo para tal ato, ele se levanta e sai pelo castelo. Passando em uma janela ele vê ao longe o Lago Negro. E dentro da água ele pode ver, mesmo pela distância, que há duas pessoas lá. Seu coração dá um salto e ele sai às pressas em direção ao Lago. Apenas alguns metros de seu destino, Severo presencia algo que o deixa abalado.
Um sereiano deposita o corpo da garota na margem do lago. Severo chega correndo e cai de joelhos ao seu lado. Apenas escuta o momento que o sereiano mergulha de volta.
Ao tocar seu pescoço não sente qualquer batimento e sem pensar duas vezes inicia os procedimentos básicos de socorros. Ele angula sua cabeça e tocando seus lábios nos frios dela, ele assopra enviando ar aos pulmões cheios de água. Em seguida apoia as mãos no meio de seu peito e faz compressões. E repete o processo mais uma e mais duas vezes.
- Não acredito que vai fazer isso comigo. Vamos sua impertinente, respire.
A ordem é ouvida e a garota se vira cuspindo a água que havia ingerido.
Ela tosse e respira fundo várias vezes. Ao abrir os olhos ela vê pela primeira vez quem está ali. Movida por uma necessidade sem qualquer motivo lógico ela agarra suas vestes e trás o moreno até ela, diminuindo o espaço de suas bocas. Então ela o beija. Ali, toda encharcada do lago, onde acabará de passar minutos morta. Mas ela não se importa. Naquele momento ela só quer ter seus lábios juntos com os dele.
.....
Eu juro solenemente não fazer nada de bom.
É bruxinhos, as coisas estão acontecendo.
Guardem esse momento, ele será de uma grande importância.
Beijos doces.
Mal feito, feito.
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Angelus Tenebris - Snape
FantasyMais um ano se inicia na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Dhelila é uma típica aluna que gosta de umas travessuras mas que sempre mantém suas notas boas. Com um grupo de amigos bem variado, uma inimiga declarada e um professor que ela está di...
