Capítulo 36 - Minha!

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Eu estava confortável e aquecida. Meus olhos estavam bem adaptados a escuridão do quarto, mas eu ainda via formas estranhas pelos cantos dos olhos. Era como se eu estivesse bem no meio de dois mundos diferentes.

Um era a escuridão que me cercava, transformando qualquer coisa como uma toalha em uma cadeira em um monstro horrendo. O outro era o calor e segurança dos braços de Severo me envolvendo. Eu estava protegida, sabia que nada nem ninguém poderia me ferir naquele momento.

Após acordar de um vívido pesadelo, ele havia me abraçado de conchinha e cantou baixinho até eu me acalmar. Depois disso eu não consegui fechar os olhos nem por um segundo. As imagens do que encontrei naquela casa ainda dançam em meus olhos sempre que pisco.

Eu sabia que Severo também não estava dormindo. Na verdade, ao contrário de mim que apaguei por alguns minutos, ele não dormiu em nenhum momento.

Ele estar ali para mim naquele momento é algo que faz meu coração inchar de maneira sôfrega. A forma como ele me aconchegou em seu corpo e me prometeu que tudo daria certo fazia eu me sentir a pessoa mais sortuda do mundo.

- Você deveria estar dormindo - seus lábios fizeram cócegas em minha nuca.

- Olha quem está falando - respondi em um sussurro - Parece que essa noite nunca vai acabar.

- Falta pouco para o amanhecer. Parece que hoje será um dia chuvoso.

Era possível ouvir a chuva fraca que caía do lado de fora. Era um som gostoso e calmante. Mas não o suficiente para me fazer dormir.

Depois do que pareceu horas, finalmente um pouco de luz começou a entrar no aposento. Severo então se levantou e foi até o banheiro. Levantei também e vesti meu robe. Tirei a maldita toalha que me atormentou a noite inteira do encosto da cadeira e joguei para lavar.

Quando Severo saiu eu entrei. Após fazer xixi e escovar os dentes apenas dei uma passada de mão nos cabelos para organizar um pouco e voltei para o quarto.

Severo estava sentado na cama. Ele ainda não havia se vestido como geralmente faz. O que significa que pretende ficar mais um pouco. Caminhei até ele para sentar-se ao seu lado, mas fui puxada para seu colo.

Montada sobre suas pernas e de frente para ele apoiei minhas mãos em seus ombros e o encarei. Eu realmente não sabia o que dizer.

- Como se sente?

- É complicado de explicar. Ao mesmo tempo que tenho ódio e sinto meu poder forte dentro de mim também me sinto cansada e com medo - suas mãos apertaram suavemente minha cintura - Quero explodir tudo e também me esconder sob à cama.

Ele concordou com a cabeça. Meus olhos deslizaram de seu rosto para seu ombro. Marcas de dentes eram bem visíveis ali. Minhas marcas, de meus dentes. Voltei atenção para seus lábios. Merlin! Como quero beijar ele.

- Eu gosto de você - me vi dizendo - Você sabe disso né?

- Sim - sua resposta foi simples e direta.

- E você gosta de mim! - não era uma pergunta e por um segundo temi a resposta.

- Sim.

Seus olhos não desviaram ou hesitaram. Estávamos falando da mesma coisa. Eu sabia. Ele sabia. E estávamos em comum acordo. Não era um contrato quebrado, era apenas uma modificação dos termos.

Eu realmente não tinha planos de me apaixonar por ele. Eu esperava um homem muito diferente do que eu encontrei e isso era bom. Eu sabia que em algum momento eu iria me machucar e por mais estranho que isso possa parecer, eu aguardo por isso. Não quero ser eu a lhe machucar.

Angelus Tenebris - SnapeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora