Capítulo 12

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Morrer não é difícil. No meu caso, eu só precisei abrir a boca e deixar que água entrasse direto para os meus pulmões. Não foi nada agradável, o ardor na garganta. O peso nos pulmões. Mas eu estava bem. Porque aquilo durou pouco tempo e então o sereiano estava tirando meu corpo sem vida da água e colocando na terra.
E eu fiquei ali, ao lado do meu próprio corpo morto, enquanto Severo tentava me trazer de volta.
Céus, não posso acreditar que virei um fantasma.
Sinto um calor no meio do peito. Uma pressão. Esse calor aumenta ainda mais.
- Não acredito que vai fazer isso comigo. Vamos sua impertinente, respire.
O calor aumenta ao ponto de ser insuportável, então sinto um puxão. No segundo seguinte estou tossindo e cuspindo a água do lago que engoli.
Merlin, parece que tentei beber o lago inteiro. Ergo o olhar e vejo Severo. Seus olhos negros estão arregalados e...aliviados?
Com a mão trêmula, agarro as vestes dele e o trago para mim colando nossas bocas em um beijo voraz. Ele hesita por um momento mas acaba sedendo e enrola o braço na minha cintura me colando mais ao seu corpo. Sua língua explora a minha boca em uma fome desesperada. Ele tem gosto de vinho e menta. Levo minha mão até seus cabelos e deixo meus dedos se enrolar nos fios incrivelmente macios.
- Pare - ele me afasta mas mantém o braço na minha cintura - Não... Apenas...pare - não sei se ele fala comigo ou com ele mesmo.
Severo vira o rosto e não me encara. Respiro fundo até me controlar. Por todos os feitiços, o que aconteceu comigo? Morro por um minuto e perco a cabeça? Ele é meu professor.
- Sinto muito.
Ele respira tão difícil quanto eu.
- Pare de ficar se desculpando por tudo - ele se levanta - Acha que está bem o suficiente para andar? Vou te levar direto para a ala hospitalar.
- Por favor, não. Madame Pomfrey vai me entregar para papai. Droga, perdi minha varinha - levanto com sua ajuda. Estou trêmula mas me mantenho em pé - Eu amava aquela varinha.
O som de algo se mexendo na água chama nossa atenção. Ali está o sereiano que eu ajudei, ele ergue a minha varinha. Severo me solta e vai pegá-la para mim. Com um aceno de cabeça o sereiano mergulha novamente. Pego a varinha e a aperto contra o peito.
- Tudo bem. Vamos para a enfermaria.
- O que diabos você tem na cabeça para entrar no lago essas horas?
- Eu estava ajudando o sereiano. Mas acabei ficando presa. Quem me tirou da água?
- Aparentemente ele resolveu retribuir o favor.
Não conversamos mais. Severo me ampara por todo o caminho, já que estou muito ocupada tropeçando em cada linha invisível que aparece na minha frente.
Madame Pomfrey me coloca em um banho quente antes de me acomodar em uma cama ao lado do Harry.
- Precisa descansar e se hidratar bem - ela me entrega um copo com algo amargo.
- Hidratar? - tomo aquilo em um gole só - Eu tomei metade do Lago. Acho que não preciso me hidratar mais do que isso.
- Essa poção vai ajudar a limpar seus pulmões e melhora a dor na garganta. Já chamei o Diretor, ele deve estar vindo.
Solto um gemido e me escondo sob as cobertas.
- O que aconteceu? - Harry pergunta aflito.
- Eu fui dar um mergulho ao crepúsculo - respondo ainda de baixo das cobertas.
- Não brinque com isso menina - ela não sabe se divertir - Severo me contou o que aconteceu. Como pode ser tão tola em entrar no Lago sozinha. Ele é muito perigoso.
- Estou viva, isso que importa.
Severo. Oh céus. Com que cara vou olhar para ele agora? Toco meus lábios relembrando o beijo. É oficial, estou perdida.
- Dhelila Nellesdor!
Ah não. Alvo está bravo. Ele nunca fica bravo. Abaixo as cobertas até meu queixo e sorrio para ele.
- Boa noite, papai - vai que cola né.
- Não sei mais o que faço com você.
Ele senta na minha cama. Me ergo para abraçar ele.
- Como aconteceu?
- Eu sai da casa do Hagrid e estava vindo jantar quando ouvi barulho no lago. Um sereiano estava preso.
- Então resolveu pular na água e ajudar - ele completa.
- Sim. Eu o soltei, mas acabei ficando presa. Ele mesmo me tirou da água. Severo chegou  - paro e encaro os óculos meia lua, sem chances de mentir essa parte. Talvez apenas corte alguns detalhes - e me ajudou então me trouxe direto para cá.
Não vou contar nada para ele que eu morri. Realmente morri por uns cinco minutos e estava parada ao lado do meu corpo sem vida enquanto Severo tentava me salvar. Muito menos que depois que eu acordei, eu meio que cometi assédio em Severo. É, parece que meu ano tem sido bem agradável.
- Primeiro Harry, agora você - ele toca meus cabelos afetuoso - Querem me matar antes da minha hora.
- Deus me livre. Você vai viver para sempre.
O pensamento de perder Dumbledore me deixa tonta. Não posso perdê-lo.
- Tem mais alguma coisa para me contar?
Seus olhos me analisam, ele parece procurar algo diferente em mim. Dou de ombros e dou um beijo estalado em sua bochecha.
- Nada de mais - bocejo - Céus, estou exausta.
- Descanse. Amanha sai os resultados dos exames do sétimo ano. Tenho certeza que quer estar bem para isso. Não vou avisar seus amigos, Madame Pomfrey ficará louca se os Gêmeos Weasley aparecerem com outro vaso, ou pior, a lula gigante.
Ele se despede de mim e Potter e sai. Viro para o lado e durmo.
..
Estou em um dos corredores da biblioteca. Tento alcançar um livro que está mais alto do que eu consigo pegar. Por que não uso minha varinha? Mas não estou realmente no comando da situação então apenas me estico mais e mais nas pontas dos pés tentando pegar o livro.
Sinto um braço se enrolando na minha cintura e alguém se prensando ao meu corpo. A respiração no meu pescoço me deixa toda arrepiada. Estou com o cabelo em um rabo de cavalo. Lábios quentes tocam minha nuca em um beijo leve. A boca segue caminho entre minha nuca e meu ombro esquerdo. Relaxo contra seu corpo e solto um gemido.
- Oh, céus - digo com a respiração começando a ficar ofegante pelo desejo.
Me viro nos braços que me envolvem para olhar meu companheiro.
- Você?
Ele sorri. Um sorriso de verdade, com direito à rugas no canto dos olhos. Me afasto.
- Não, não, não, não. Isso não está certo.
- Dhelila - soa uma voz distante.
- Isso é errado. Muito errado.
- Você quer isso. Sabe que sim - ele se aproxima.
- Não.
- DHELILA!
Sento na cama. Harry para de me balançar. Droga, foi um sonho, apenas um sonho.
- Você está bem? Estava se debatendo.
- Sim. Foi só um pesadelo. Perdão por ter te acordado.
Ele se deita novamente e volta a dormir. Nem preciso dizer que passei o resto da noite acordada.
.........
- Posso saber por qual motivo, razão ou circunstância eu não fui chamada na ala hospitalar depois que minha melhor amiga se afogou?
- Chega de drama, Samantha. Eu estou bem. Foi só um susto - falo pela milésima vez - Já passou.
Deito na grama com a cabeça em seu colo. Marcamos de nos encontrar aqui com o resto do pessoal, mas fomos as primeiras a chegar. Ela brinca com meu cabelo.
- Sam. Tem alguém próximo de nós?
- Não. Por?
- Eu beijei ele - cubro o rosto com as mãos.
- Quem? Fred?
Sinto Finn saindo do meu bolso e indo andar na grama. O sol está forte então sentamos embaixo de uma árvore.
Balanço a cabeça em negativa.
- Severo? - ela soa chocada  - Aí meu bom Merlin. Ele é gato e tal, ainda mais com aquela cara de sou misterioso e perigoso. Mas, uau. Não achei que iria rolar alguma coisa - Sam ri - Imagino a cara dele. Como foi?
- Bom - admito - E ele correspondeu por um tempo. Até a realidade o atingir e ele se afastar. Mas isso não é o pior. Eu tive um sonho noite passada, eu estava na biblioteca quase me entregando para o....
- Hey, meninas - os gêmeos sentam na nossa frente - Do que estavam falando?
- De entregar alguma coisa na biblioteca - Sam cai na gargalhada.
Sento e começo a dar tapas nela. Ela ri ainda mais.
- Vai te catar, Samantha.
O trio chega com Tony. Começamos um jogo de Snap explosivos que acabo sendo a primeira a perder por não prestar atenção.
- Então meninas. Nos contem o que pretendem fazer agora.
- Muito fácil - Sam começa - Eu finalmente decidi o que vou fazer da minha vida. Se eu tirar boas notas vou virar uma Auror.
- Uau. Por que não fico surpreso, George?
- Porque ela falava isso todo fim de ano em época de exames finais, Fred.
- “Quando eu fizer meus exames do sétimo ano e passar, coisa que eu vou fazer nem que seja trapaceando, eu vou virar Auror.” - Fred e George dizem em coro imitando Sam.
- Idiotas - ela me olha - E você?
- Conversei com Dumbledore, ele mandou uma carta para Newt Scamander. Ele disse que ficará satisfeito que o eu passe um tempo com ele para aprender mais sobre criaturas mágicas. Acho que vou começar por aí.
- Aí está uma coisa que me surpreende - Fred pisca para mim.
- Scamander? O Scamander? - Hermione parece curiosa.
- Sim. Alvo e ele são amigos a alguns anos e Alvo pediu esse favor. Newt gosta de pessoas que realmente se interessam por animais fantásticos. E sou uma grande entusiasta de seu trabalho. Sem falar que era amiga de Norman Scamander quando ele estudava aqui.
Para provar meu ponto, Finn sobe pela minha cabeça e fica nos meus cabelos.
- Desculpe a pergunta - Hermione parece em dúvida se realmente pergunta ou não - Mas qual a ligação entre você e o Diretor?
- Ouçam aqui todos vocês - sento e olho para cada um deles - Isso não é algo que deva ser espalhado por aí. Rony e Hermione são os únicos que ainda não sabem. Alvo tinha a minha guarda ate pouco tempo atrás. Desde que eu entrei aqui em Hogwarts estou sob responsabilidade dele.
- Qual o problema das outras pessoas saberem?
- Rony, em primeiro lugar que iriam achar que minhas notas são favoritismo. E em segundo, é porque sou prima do Harry. Ninguém pode saber disso.
- Ahh. Uau, Harry, então você tem uma prima gata - Rony fala empolgado então fica vermelho ao perceber que todos ouvimos - Desculpe.
- Sem problemas. Vamos Samantha, temos que nos arrumar para o jantar.
- Se arrumar? Mas é só o jantar e a entrega da taça das casas.
- Ah Ronyzinho - Sam aperta as bochechas dele - É mais do que isso. Tem também a entrega dos certificados para os alunos do sétimo ano. Vamos Dhelila.
- Nos vemos depois - aceno e deixo Sam me arrastar para o castelo.
...
Me arrumo no meu quarto. Estou com as vestes pretas com o emblema da Sonserina, cabelos presos em um rabo de cavalo alto e com um pouco de maquiagem que Sam insistiu que eu passasse.
Vou dar uma volta pelos corredores das masmorras enquanto não chega a hora de ir jantar. Meia hora antes do jantar o diretor de cada casa entrega as notas para os alunos do último ano. Então, quem se saiu bem pega seus certificados durante uma pequena cerimônia. E depois acontece um pequeno baile em comemoração para esses alunos.
Estou perdida em pensamentos quando esbarro em alguém.
- Perdão - digo ao virar para a pessoa - Barão?
Não se pode dizer que seja uma pessoa, afinal, o Barão Sangrento é um fantasma. O problema é que sendo um fantasma eu não deveria ser capaz de tocá-lo, seu corpo deveria apenas ter passado pelo meu. Ele parece tão chocado quanto eu.
- Como fez isso criança?
- Eu não fiz nada. Quer dizer, não podia ter feito.
Ele se aproxima e toca meu braço. Sim. Sua mão parece bem sólida e forte onde ele aperta.
- Ah, uma Necrom, não tinha conhecimento de alguma por aqui. Tome cuidado, alguns fantasmas são loucos para seguir viagem e assim que souberem o que você pode fazer, muito deles vão te procurar.
- Necro o que? - só pode ser brincadeira.
- Necromante, criança. Responsável por encaminhar almas perdidas para o céu, inferno ou sabe se lá onde.
- Não, não sou uma Necromante, impossível.
- Se não é de nascimento então pode ser outra coisa. Me diga, andou visitando o mundo dos mortos recentemente?
Pelas meias de Merlin. Não pode ser. Volto para o meu quarto e procuro pelos meus livros até achar um específico.
- Necromante - digo apontando minha varinha para o livro. As páginas se viram sozinhas até parar eu uma.
- Necromante - leio - Ainda um grande mistério sobre essas pessoas. Sabe-se apenas que podem ter contato (inclusive físico), com as almas perdidas, também conhecidos como fantasmas. Seu trabalho consiste em ajudar essas almas a seguir em frente. Geralmente é um ‘dom’ passado de geração para geração, mas acredita-se que certos Necrom, que não possuíam antepassados com essa habilidade, se transformaram após ter passado por uma situação de quase morte (quando o indivíduo fica morto por apenas alguns minutos). Necromantes praticam a necromancia, uso do contato com o mundo dos mortos para saber sobre passado, presente e futuro.
- Isso só pode ser brincadeira.
.......
Eu juro solenemente não fazer nada de bom
OPA, como assim?
Beijo....
E essa história de Necromante?
Aiaiai.
A primeira parte está quase terminando. Mas não se preocupem que vou continuar aqui mesmo.
Nos vemos nos próximos capítulos com mais novidades.
Mal feito, feito.

Angelus Tenebris - SnapeOnde histórias criam vida. Descubra agora