A consciência me veio aos poucos. As sensações retornando lentamente. Abri os olhos para visualizar um quarto claro e bem iluminado com canto dos pássaros entrando pela janela. O dia havia chegado e parecia estar chamando.
E não. Eu não tinha a menor vontade de levantar.
Me alonguei e tombei a cabeça para o lado. Severo estava deitado de bruços com um braço para fora da cama e as cobertas na altura da cintura dando uma bela visão de suas costas. As marcas avermelhadas de minhas unhas em suas costas é uma prova do momento que Severo me acordou de madrugada.
Um rubor subiu pelo meu rosto e senti um leve ardor em várias partes do meu corpo. Tenho certeza que meu traseiro não é o único marcado.
Balançando a cabeça com um sorriso no rosto me estiquei até o criado mudo em busca de meu relógio. Ao não encontrar ali me pendurei na beirada e o achei no chão ao lado de minha varinha quase de baixo da cama. Bem, agora sei onde ela foi parar.
- Puta merda! - Pulei sentando na cama ao ver a hora - Severo! Severo! Vamos, estamos muito atrasados!
- Vamos pular o café - ele se mexeu e me agarrou enterrando o nariz em meu cabelo - Não estou com fome.
- Estamos mais atrasados do que isso - forcei ele a me soltar e sai da cama - Você já deveria estar entrando em aula.
Isso pareceu o acordar. Ele pegou o relógio que eu havia abandonado na cama e olhou. Com um xingamento ele se levantou também.
- Pode tomar banho primeiro. Eu consigo enrolar a Pince.
Ele foi para o banheiro enquanto eu juntava suas roupas. Deixei sobre a cama e separei uma muda para eu vestir. Ele saiu em menos de três minutos com uma toalha na cintura. Antes de eu ir para o banheiro ele me agarrou novamente. Sua mão envolveu meu pescoço o expondo.
- Em meus anos aqui, essa é a primeira vez que eu me atraso. Isso é culpa sua, senhorita Nellesdor. Vou ter que castigá-la mais tarde.
Seus lábios pousaram suavemente em meu pescoço. Estremeci. Ele me soltou e corri para o banho antes que eu fizesse algo. Ouvi quando a porta se fechou. Me arrumei o mais rápido possível e corri para a biblioteca. Assim que entrei não vi Madame Pince de primeira e me senti aliviada. Talvez ela não tenha percebido minha falta. Me enfiei no meio de algumas estantes e peguei um punhado de livros.
- Se tiver uma história boa para me contar, eu até posso perdoar essa transgressão.
Pulei derrubando um livro no chão. Pince estava bem atrás de mim com um sorriso contido. Me abaixei juntar o livro e bati a cabeça na estante.
- Opa! Vai com calma ai, menina.
- Droga! - digo passando a mão na cabeça dolorida.
- A noite deve ter sido bem agitada. Então, vai me contar ou vou ter que tirar a força? - ela disse arrumando os óculos e largando o espanador na estante.
- Não sei do que você esta falando - tentei desconversar ignorando a dor na cabeça.
- Sim, sim, claro - ela desdenhou. Meu Deus, quando ela se tornou essa mulher curiosa? Ta parecendo a Sam, já - Vamos, garota. Eu não tenho o dia inteiro. Dê uma alegria para essa velha.
- Você falando assim soa muito estranho. Tudo bem - me dei por vencida jogando os braços pra cima - Você quer a versão livre ou a proibida para menores?
- Cada detalhe - ela riu. Bem, quem diria que Pince era uma tarada?
Contei algumas coisas para ela até que alguns alunos entraram e tive que me calar. Nem posso acreditar que acabei fazendo amizade com a bibliotecária ranzinza que sempre gostou de acertar o espanador na cabeça dos alunos que não respeitavam suas regras. Mas também, à dois anos atrás eu era uma desses alunos e hoje eu estou aqui como funcionária.
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Angelus Tenebris - Snape
FantasyMais um ano se inicia na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Dhelila é uma típica aluna que gosta de umas travessuras mas que sempre mantém suas notas boas. Com um grupo de amigos bem variado, uma inimiga declarada e um professor que ela está di...
