Capítulo 13

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— Então, como é que vai ficar, Maia? Vai dançar conosco ou com sua apresentação inútil? — A voz de Pri era um chicote, tentando me açoitar ali, na sala de reunião, depois do treino.

Ergui meu queixo.

— Onde estão as regras de que só posso me apresentar em um lugar? 

— Se é uma líder, tem que torcer e ser apenas líder! 

— Alguma vez errei algum passo ou deixei de vir nos ensaios? 

— Não, mas... 

— Então, sem "mas". Tenho carta branca com a direção. Se quiser me tirar do time, fale com a diretora!

Dei as costas, sentindo o veneno da raiva dela borbulhar no ar, e segui para o chuveiro. Não demorou, os gritos estouraram. Gritos femininos, histéricos, misturados ao som de pés descalços correndo pelo vestiário. Olhei e vi um ratinho branco com manchas pretas, encolhido num canto. Enrolei-me na toalha, e foi nesse instante que a porta se abriu de repente e o time de futebol invadiu nosso santuário.

— O que houve?! — Taylor gritou, a voz alta e preocupada, com o resto do time atrás dele.

As meninas berravam, saltando sobre os meninos como se a vida dependesse disso.

— Não é nada demais, rapazes, podem se retirar do nosso banheiro! — Fui até o ratinho, pegando-o com uma doçura que surpreendeu a mim mesma. — Oi, fofinho, alguém deixou você fugir, não foi? 

— Ai, que nojo! Solta ele, Maia! — Uma das líderes guinchou, horrorizada. 

— Ai, que gorda nojenta! — Priscila disparou, a voz cheia de ódio. 

— Cale a boca, Priscila! — O grito de Taylor a calou, e um silêncio tenso pairou no ar enquanto todos o encaravam.

Coloquei o ratinho no ombro e comecei a me vestir, como se estivesse sozinha no mundo.

— Por que a defende tanto? Você mesmo a odiava há poucos dias atrás! — Priscila insistiu, sua voz carregada de uma mágoa que eu não compreendia.

— Não sabe o que está dizendo, Priscila! 

— Qual é? O que essa garota tem de mais? Olhe pra ela e olhe pra mim! Olhe para nossas líderes, somos lindas e magras e essa garota é gor... 

— Nem mais uma letra, Priscila, nem mais uma letra! — A voz de Taylor saiu baixa, mas o tom era gelado, ameaçador.

O ar se tornou denso, pesado. Eu podia sentir a raiva dele. Coloquei o ratinho no meu armario em cima da minha roupa, coloquei meu short rapidamente, esquecendo-me das roupas íntimas. Tirei a toalha da parte de cima do corpo, de costas para eles.

— Uaaa! — As vozes masculinas ecoaram, e senti os olhares queimando nas minhas costas. Um sussurro chegou aos meus ouvidos: "Cara, ela é demais."

Coloquei a camiseta, segurei o ratinho na mão e encarei os meninos, que me olhavam de boca aberta. As meninas, encolhidas nos bancos, agarradas às costas dos garotos, pareciam aliviadas. Nem todos estavam ali, faltava o meu Jey-jey.

— É isso que gostam nela? Ela é assanhada! Se é pra mostrar seios, eu mostro, aposto que os meus são mais lindos do que os dela! — Priscila berrou, histérica. 

— Não se rebaixe! — Taylor tentou, a voz controlada, mas a tensão era palpável. 

— Olhe pra mim, Taylor! Por que está me trocando por essa daí?! 

— Hummm, não sabia que estavam namorando, Tay! — provoquei, um sorriso irônico nos lábios. 

— Cale a boca que a conversa não chegou no chiqueiro! — Priscila rugiu para mim, os olhos faiscando. 

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora