Soltei um suspiro frustrado, cansada de tentar dormir. Quando quero, o maldito sono não aparece.
Tirei o edredom pesado de cima do meu corpo e fui até a janela, que se encontra aberta. Olhei para o céu completamente nublado e um nó se formou na minha garganta. O vento está forte e ainda está muito frio.
Apertei os lábios uns nos outros com força, enquanto esticava a minha mão o suficiente para ela ficar de lado de fora e quando algo molhado tocou no meu braço, recuei de forma bruta. Como se tivesse recebido um choque.
Com as mãos trémulas, fechei a janela o mais rápido que consegui juntamente com as cortinas, mas isso não adiantou muita coisa porque a chuva começou a ganhar intensidade e o barulho das gotículas de água chocando contra o vidro da janela do quarto, instantaneamente, começaram a me dar calafrios.
Voltei para cama, peguei o edredom e cobri até a cabeça, ficando na posição fetal. Tentei contar mentalmente ou pensar em algo feliz, mas não consegui. Só conseguia pensar na chuva.
E se ela ficasse mais forte que o normal e um tsunami acontecesse? Nós estamos perto de uma praia…
Não.
Não vai acontecer nada disso. É geograficamente impossível. E não tem ninguém para cuidar de você, portanto fique calma.
Repreendi-me mentalmente, mas já é tarde porque sinto o meu rosto molhado. Lágrimas estão saindo dos meus olhos sem permissão e estou tremendo, mas já não sei se é por causa do frio ou medo. Talvez seja os dois.
Jesus, eu vou morrer.
Encolhi-me ainda mais quando o barulho de um trovão preencheu o quarto. Como as cortinas têm uma cor clara — azul ciano — consegui visualizar o raio deixando toda situação pior. Aquilo é o meu pior pesadelo.
Dei as costas para a janela, mesmo que não fosse adiantar muita coisa e nesse instante alguém abriu a porta do quarto e baixei o edredom, para ver quem está a entrar. Haden apareceu no meu campo de visão, e mesmo com a sensação de ter-me afogado num poço de tranquilidade por ele estar ali não consegui me mexer. E se aquele raio me atingisse?
Ele fechou a porta, ligou o interruptor e se aproximou de mim, com o rosto preocupado porque eu ainda estou a tremer e chorar.
— Você está bem? — perguntou.
— Sim — consegui dizer, de forma debochada.
Ele ignorou a minha atitude infantil e se sentou na cama após ter tirado os sapatos.
— Vem cá — pediu e não pensei nem uma vez antes de me arrastar até os seus braços. O abracei com tanta força que pensei que ele iria reclamar, mas esse momento não chegou. A minha cabeça descansava no seu peito enquanto os meus olhos estão fechados. — Fica calma — afagou as minhas costas.
E por alguma razão, consegui ficar. O suficiente para parar de tremer e criar teorias sem sentido como sempre fazia quando começava a chover.
— Porque está aqui? — sussurrei, mas estamos tão perto que ele foi capaz de ouvir.
— Isso não interessa agora.
— Pensei que estivesse bravo comigo.
— Não estou — respondeu. — Agora dorme.
— Estou sem sono — murmurei, inspirando o seu perfume e gradualmente, o facto de lá fora estar a acontecer uma tempestade, já não me importa mais.
— Eu também.
— Obrigada por estar aqui — agradeci. — Não sei o que seria da minha sanidade se continuasse mais um minuto, sozinha.
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Neutro
Roman d'amourSe meter com as pessoas erradas tem as suas consequências. Falyn Lake conheceu um rapaz. E tudo o que ela queria era o mesmo longe de sua vida, mas ele já tinha outros planos para ela.
