Eu nunca vi Brian ficar mais aliviado na vida do que o dia em que ele finalmente recebeu alta. Eu estava agoniada por vê-lo meio cabisbaixo e triste todos esses meses no hospital, embora eu lhe fizesse companhia e nossos amigos viessem vê-lo sempre.
Brian fez questão de segurar minha mão e sairmos de mãos dadas do hospital, agradecendo no caminho quem tinha cuidado dele. Parte de mim tinha medo do que poderíamos encontrar lá fora, talvez o que meu marido me contou que aconteceu no Japão aconteceria ali também, mas pela discrição de John Reid, ele não deixou que a notícia do estado de Brian se espalhasse, o que fez com que nenhuma ou um monte de fãs estivessem ali esperando por ele. Eu tinha escapado dessa vez, mas sabia que teria que lidar com uma situação assim, mais cedo ou mais tarde. No momento, estava feliz por meu marido estar bem novamente.
Os pais de Brian vieram de Hampton para passar uma semana com a gente, já que ficaram muito preocupados quando souberam que ele estava doente. Os Mays mais velhos elogiaram nossa casa e nosso bom gosto em escolhê-la, mas Sir Harold não parecia estar satisfeito com o jeito que seu filho ganhava a vida agora, sendo guitarrista em tempo integral. Eu sentia o desconforto de Brian e sua luta em querer responder o pai à altura (ele nunca faria isso, Brian sempre respeitou muito Sir Harold), porém sua mãe que sabia o que o filho estava passando, sempre dava um jeito de contornar a situação.
Um desses jeitos me deixava tão desconfortável quanto o pai de Brian pedindo pra ele deixar essa coisa de músico pra lá, pensando melhor, era algo que deixava eu e meu marido igualmente sem graças.
-Mas se a escada tem proteção é por que já temos um netinho a caminho, não é? - tentou adivinhar a senhora Ruth - é por isso que esperaram a gente vir até aqui, pra nos contar pessoalmente!
-Mãe! - Brian gritou morrendo de vergonha, se sentindo um menininho outra vez - por favor, eu... Não é nada disso, é que...
Ele me olhou procurando ajuda. Eu também estava tão desesperada quanto ele, mas se existia alguém com quem eu conseguia ser sincera era com meus sogros.
-Sra. May... - comecei, mexi distraidamente no cabelo, procurando as palavras certas - nós acabamos de nos casar e ainda não conversamos sobre isso. É que ter filhos é uma responsabilidade muito grande, e eu e Brian ainda estamos aprendendo a lidar com a vida de casados...
-É o que ela disse - Brian concordou, já que estava surpreendentemente sem palavras.
Depois de toda aquela conversa constrangedora e mais alguns dias nos despedimos dos pais de Brian e voltamos à nossa velha rotina. Eu voltei ao trabalho e ele a fazer música, mas como sempre, ficava com aquele jeito distraído e o olhar perdido quando algo o incomodava.
-Eu sei que o que sua mãe falou tá te incomodando... - eu sabia que era isso que preocupava meu marido - não sei se é isso que você pensa, mas... não acho que estou pronta pra ser mãe, não agora...
-Ah nem eu... - ele suspirou de alívio por pensarmos igual - quer dizer, eu... quero, algum dia... Mas definitivamente não agora, não é qualquer coisa cuidar e educar alguém pra vida, pro mundo, e eu acho que ainda posso aprender muito mais coisas que me ajudem a ser... Você sabe... Mas você, os meninos tem certeza que você leva jeito pra isso.
-Eu sei... - consegui rir - mas ser mãe de verdade é diferente. Nós vamos decidir juntos o momento certo, está bem assim, Bri?
-Pra mim está perfeito... - concordou ele e nós nos beijamos selando o acordo.
Naquela mesma semana, Brian se dedicou a terminar a canção que tinha começado a criar no hospital. Era ótimo vê-lo feliz de volta à ativa e John, Freddie e Roger estavam ansiosos por seu retorno tanto quanto Brian estava. Meu marido encheu "Now I'm Here" de solos de guitarra, suas lembranças da turnê nos Estados Unidos, e como ele se sentia como um novo homem voltando a tocar e cantar depois de tanto tempo parado.
A EMI resolveu dar uma espécie de folga à banda, deixando eles esperarem até o ano seguinte pra trabalhar num novo álbum, mas enquanto isso, eles continuavam fazendo shows em Londres. No meio deles, os meninos escolheram um dia para tocar em Hyde Park totalmente de graça, um presente para os fãs na nossa terra natal.
Brian insistiu muito para que eu fosse junto quando o Queen encontraria Richard Branson, que produziria o show em Hyde Park, e novamente, fiquei em dúvida, aquela mesma sensação de não ser importante o suficiente pra estar ali com eles voltou a rondar minha cabeça, mas aí me lembrei da decisão de que tinha feito há um tempo atrás, e agora que era oficialmente a sra. May, eu tinha que me esforçar para cumprí-la. Estaria ao lado do meu marido para apoiá-lo. Além disso, era ótimo poder sair com Brian e os meninos depois de todo aquele tempo no hospital.
Os meninos e eu esperamos o sr. Branson na recepção do seu escritório, até que ele estivesse disponível pra falar com o Queen.
-Odeio esperar - reclamou Freddie, ameaçando se levantar.
-Ninguém gosta, mas não faz escândalo por causa disso, tá? - John olhou pro vocalista distraidamente, enquanto folheava uma revista.
-Eu não ia fazer escândalo - Freddie se ajeitou na cadeira - só ia perguntar educadamente se eles tinham uma previsão de quando o sr. Branson ia falar com a gente...
-Hã ram, vou fingir que acredito - Roger deu um risinho meio debochado.
Nisso, como que adivinhando que o Queen poderia dar uma de artistas histéricos (outra coisa pela qual eles estavam ficando famosos), uma moça apareceu para nos salvar da impaciência. Ela tinha um ar sério, já que estava no local de trabalho, mas seu olhar era paciente, e até tinha um pouco de travessura por trás, só tinha visto algo parecido com isso em Roger.
Roger, aliás, ao vê-la, ficou boquiaberto. "Ai Jesus! Vai começar tudo de novo..." eu pensei, já entendendo o que se passava na cabecinha de Taylor.
-Eu sinto muito por fazê-los esperar - ela estava calma, e não demonstrava sua empolgação em conhecer o Queen, não é porque ela não gostava deles, pensei, mas porque estava acostumada a lidar com artistas - eu sou Dominique Beyrand, assistente do sr. Branson, ele pediu pra vir chamá-los.
Dominique apertou a mão de todos, e quando chegou a vez de Roger, ele ainda estava com a boca aberta. Ela deu um sorriso sem graça e se desvencilhou dele, fazendo um gesto para que a banda a seguisse.
Antes que Roger levantasse, eu toquei seu queixo e o empurrei pra cima de leve.
-Que foi Chrissie? - ele me olhou meio confuso.
-Se eu soubesse que ia ficar babando assim, ia trazer um babador pro meu filhinho - eu brinquei, era engraçado vê-lo bobo daquele jeito.
-Não enche, Chrissie! - ele fez uma careta, indignado com a minha audácia.
-Anda logo, Rog! - Brian o chamou de lá de dentro.
O baterista bufou e se juntou aos companheiros de banda. Eu não conseguia parar de rir por toda reação dele ao ver Dominique.
A/N: E aí gente? Tudo beleza? Aqui está um novo capítulo pra vocês. Pois é, nossa Chrissie continua insegura e depois dessa conversa dos sogros dela, coitada... Mas eu não pus isso ali à toa, aguardem e verão! E nossa gente, como eu tava ansiosa pro Roger e a Dominique se conhecerem, já adianto que vai ser sofrido e engraçado ver o Rog se apaixonando. Enfim, é isso, deixem aquele comentário caprichado pra gente especular mais sobre a história. Até a próxima!
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Pelo olhar de Chrissie
Fan-FictionChrissie Mullen só estava vivendo sua vida, focada nos estudos, e alcançar seus objetivos de uma vida estável quando de repente ao encontrar um grande amor, vê sua vida mudada, se adaptando a um sucesso inesperado. (Ou a história da banda Queen con...
