Brian esperou até entrarmos no carro pra perguntar o que tinha acontecido.
-Paul só foi me atormentar a troco de nada - balancei a cabeça - falando que eu não devia ir pro Rio, que eu não passo de uma professora e...
-E o que? - ele percebeu eu hesitar - Chrissie, não me esconde nada, por favor.
-Ele disse que você me ofereceu o cargo de assistente por ter pena de mim... - senti minha tristeza aumentar ao dizer isso em voz alta.
-Ah aquele... - Brian se conteve - eu nunca gostei do Paul mesmo, quer dizer, depois de saber quem ele é de verdade. Não acredita nele, meu amor.
Meu marido fez questão de olhar bem pra mim quando disse isso.
-Não, eu não acredito, Bri - assegurei ele - eu sei que você me viu capaz de te ajudar, por isso trabalhamos juntos.
-E porque eu te amo e quero ver você sempre bem - completou ele, o que me fez sorrir e me consolou.
Não precisava me entristecer com os ataques de Prenter quando sabia que Brian me amava.
Então, nos dias seguintes, nos preparamos pra grande viagem ao Brasil. Eu comecei a praticar falar português sozinha, mas logo Brian demonstrou interesse e então começamos a estudar juntos. Ao fazer as malas, trocamos as roupas mais quentes de típicos britânicos que moravam na Inglaterra de clima ameno por roupas mais leves e frescas já que estávamos indo para o chamado país tropical.
No dia da nossa partida, estranhei me despedir das meninas. Eu sempre estive no lugar delas e agora os papeis tinham se invertido.
-Podemos ter uma reunião das Queen Girls mesmo com uma delas faltando? - perguntou Mary, brincando, mas meio tristonha.
-É claro que podem, logo, logo eu vou estar de volta - respondi - além disso, vocês não se sentem mais tranquilas com uma de nós cuidando dos meninos?
-Não somos crianças, sra. May e estamos bem aqui ouvindo tudo - objetou Freddie.
-Eu sei que não são, mas podem muito bem se comportar como crianças - eu ri um pouco - estou errada?
-Não me faça responder - Mercury deu de ombros - não consigo mentir pra você.
-Viu? Esse é um bom motivo pra eu ir - encerrei aquela conversa me dando por satisfeita.
Eu e os meninos nos despedimos de Veronica, Dominique e Mary. Subi os degraus do avião ao lado de Brian. Mesmo me apoiando nele, senti um frio na barriga. Pelo típico medo de andar de avião e também pelos desafios e expectativas de estar em um país diferente pela primeira vez.
Eu me sentei na frente de Brian, e passei a viagem lendo, alternando entre minhas pesquisas sobre o Brasil e meus bons e velhos livros. Vi meu marido sorrir de lado ao me ver lendo "Príncipe Caspian".
-Esse é o seu favorito, não é? - dei um sorriso - por isso estou lendo.
Eu não sei exatamente o que eu fiz, mas o que eu disse me fez ganhar um beijo do meu amado. Toquei seu ombro, como que pedindo pra nos separar.
-Vai deixar os meninos tristes desse jeito - expliquei - as meninas não estão aqui com eles.
-Ah, é, desculpe, vou me controlar - Brian se desculpou, corando.
Ele me deixou por instante, pra passar um tempo com os amigos jogando Sccrable, uma coisa que eles faziam muito quando estavam em turnê. Depois de algumas partidas, ele voltou e, sem que eu percebesse, tirou uma foto minha bem quando eu estava lendo.
-Brian! - reclamei, mas ri.
-O que? Não podia perder essa, você estava linda e perfeita! - ele deu de ombros.
Eu apenas balancei a cabeça e ri. Nós cochilamos nas horas seguintes e, quando chegamos ao nosso destino final, estávamos descansados o suficiente pra iniciar a maratona da nossa estadia até a hora do show.
Brian e os meninos desceram do avião primeiro, hesitei um pouco, respirando fundo, pisando firme cada passo. Meu marido percebeu que fiquei um pouco pra trás, ele fez questão de me esperar e pegou minha mão. Sorri, agradecida por isso.
Depois de nos instalarmos no hotel, Brian insistiu muito pra que déssemos uma volta pra conhecer o lugar.
-Sabe que aqui tem fama de ser perigoso, não sabe? - tentei despistar.
-Mas nós viemos de tão longe, e aqui é tão diferente, e é a primeira vez que você viaja com a gente, o que adianta vir de tão longe só pra ficar no hotel, hein? - Brian fez a sua cara que me convencia de tudo.
-Não, não faz essa cara... - tentei ficar brava, mas não consegui - você tem um show pra fazer à noite, deveria descansar!
-Eu vou, eu vou, eu prometo minha doce dama - ele se aproximou de mim com um sorriso bobo na cara - só depois de darmos um passeio! Vai ser rápido, prometo, voltamos a tempo de eu descansar, pode confiar.
E terminando sua frase, ele me deu um beijo na bochecha pra completar sua persuasão.
-Ai Brian... - pus uma mão na testa, suspirei e sorri - tá bem!
-Obrigado - ganhei outro beijo na outra bochecha - eu te amo!
Eu ri de novo enquanto ele me puxou pela mão, me fazendo ir pro seu passeio inesperado. É claro que havia seguranças nos acompanhando, e encontramos fãs no caminho, ainda bem que eram educados, e alguns até sabiam quem eu era e me deram um oi. Aquilo me surpreendeu. Quando a fome bateu, me deu vontade de provar um pastel local. Fiz uma careta diante da quantidade de óleo e gordura, mas o sabor do queijo e o jeito que o recheio derretia na boca me fez esquecer se era saudável ou não. Por um momento, meu marido ficou encantado com alguns passarinhos que sobrevoavam aqui e ali, tinham cores tão vivas que também chamaram minha atenção.
Como prometido, Bri voltou a tempo de dormir por algumas horas e se preparar para o show. À noite, na Cidade do Rock, onde acontecia o Rock in Rio, no camarote especial, estava ao lado do sr. Reid, o sr. Beach e infelizmente, Paul Prenter, que para meu alívio começou a me ignorar por completo.
Eu vibrei com cada música que o Queen apresentou naquela noite, relembrando os tempos que os via se apresentar em lugares menores. Quando estava ali apreciando suas canções, me sentia uma fã comum, porém ver que eu não era a única ali cantando, junto com milhares de pessoas, via o impacto que seu trabalho sincero e esforçado tinha na vida de tantas outras pessoas também.
No momento que os meninos apresentaram "Love of my Life", foi lindo e emocionante ouvir a arena inteira cantando, incluindo eu. Era uma das minhas canções preferidas de "A Night at the Opera", e ao mesmo tempo, me deixava triste. Era como se Freddie implorasse pra que Mary nunca o deixasse. Outro momento que me assustou foi quando a plateia começou a gritar o nome de Brian no meio do seu solo. Era assustador, como todos o conheciam, mas logo a parte sensata em mim me disse que aquilo era reconhecimento, mérito dos talentos do meu marido. E então finalmente pude sorrir diante da reação da plateia a Brian tocando, muito orgulhosa do meu amado.
A/N: E aí gente tudo bem? Era fofura que vocês queriam? Tá aí! Esse capítulo me deu quentinho no coração e vontade de gritar por causa da fofura de Brissie. Scrabble era um jogo que o Queen realmente jogava. Love of my life no Rock in Rio realmente é de arrepiar, e realmente começaram a gritar o nome do Brian na hora do solo. A Chrissie comendo pastel foi demais! Kkkkk. Brian olhando os passarinhos é uma referência a ele amar animais. Bom espero que tenham gostado, não esqueçam os comentários e até a próxima!
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Pelo olhar de Chrissie
FanficChrissie Mullen só estava vivendo sua vida, focada nos estudos, e alcançar seus objetivos de uma vida estável quando de repente ao encontrar um grande amor, vê sua vida mudada, se adaptando a um sucesso inesperado. (Ou a história da banda Queen con...
