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No dia seguinte, voltei ao trabalho normalmente, depois de insistir com Brian que poderia trabalhar normalmente até chegar mais perto do bebê nascer, o que ainda levaria um bom tempo.

Quando chegamos ao estúdio, disse oi aos meninos como sempre fazia e me pus a organizar a agenda de Brian enquanto os admirava ocasionalmente enquanto gravavam e compunham juntos. Era bem evidente que naquele dia Brian me olhou e sorriu pra mim muito mais do que em qualquer outro dia.

Então, quando eles fizeram uma pausa, John, Roger e Freddie se amontoaram à minha volta, extremamente curiosos.

-O que é que está acontecendo entre vocês dois? Porque o Brian tá com aquela cara de bobo muito mais que o normal hoje - Rog foi o primeiro a perguntar - e por que eu ainda não sei o que é?

-A sra. May não é de guardar segredos, não é, Chrissie? - Freddie empurrou meu braço de leve - seja lá o que for, não vai esconder da gente por muito tempo.

-Na verdade, eu... - fiquei um pouco sem graça e levemente pressionada - estávamos planejando contar de outro jeito...

-Para com isso gente, estão sufocando a minha esposa - Brian abriu caminho entre os amigos, me defendendo, sentou-se ao meu lado e se virou pra mim - vamos ter que contar agora Chrissie, senão eles não vão nos deixar em paz.

-Tá bom, tudo bem... - respirei fundo e ri diante da curiosidade dos três - eu e Brian vamos ter um bebê...

-Ai meu Deus... - Roger suspirou - eu vou ser tio?

-Meus parabéns! - John foi mais contido, mas estava feliz.

-Até que enfim! - Freddie foi sincero - todo mundo achando que vocês teriam filhos primeiro, e justamente vocês enrolaram esse tempo todo.

-É que a gente tinha que se sentir pronto pra isso, é uma responsabilidade muito grande - tentei justificar.

-Pfff, como se vocês já não fossem responsáveis o suficiente - Freddie reclamou - vocês nasceram pra isso!

-Todo esse drama significa que tá feliz pela gente? Só pra esclarecer - Brian provocou.

-É claro que sim - Mercury deu um sorriso, sincero, mas ligeiramente triste.

-Você dizer que nasci pra ser mãe me deixa tranquila, Freddie - disse a ele, e por impulso, peguei sua mão - obrigada.

Ele me encarou por um momento, confuso, ainda triste, e então, veio sua típica impaciência.

-Chega de sentimentalismo por hoje - Freddie soltou minha mão delicadamente, mas logo se afastou de nós.

Enquanto Roger e John falavam com Brian, refleti um pouco sobre Freddie. Ele andava mais impaciente e digo até que um pouco mais arrogante nos últimos tempos. Quando soubemos sobre sua identidade recém descoberta, a princípio foi surpreendente, mas então não nos importamos com ele ser gay. Independente de qualquer coisa, ele continuava sendo nosso amigo, e ainda o amávamos muito e nos preocupávamos com ele. Freddie ainda era próximo de nós, mas ele ou nós, não sei, ainda não tinha detectado quem, havia criado uma barreira entre nós. Eu fazia meu melhor, sendo cuidadosa para não ferí-lo sem querer, mesmo tendo a melhor das intenções.

-Podemos contar pras meninas, né? - John quis saber - já que você não contou pra elas Chrissie, Veronica e Dominique podem ficar magoadas por isso.

-Eu ia contar pra todo mundo hoje - voltei a insistir - mas vocês perguntaram e não me deram escolha, então, antes de contar pras suas esposas, deem essa explicação pra elas, por favor.

-Sim, sra. May - Roger assentiu.

-Pode deixar - John concordou.

-Em todo caso, foi bom eu saber agora, não daria pra eu ir à casa de vocês hoje - Freddie disse convicto, mas notei que estava só disfarçando - tinha outros compromissos...

-Claro - sorri, compreensiva.

Sentindo o clima um tanto pesado por causa da sua frase, o próprio Freddie chamou a banda de volta ao ensaio. Dentro de mim, desejei que ele não contasse a Paul que eu estava grávida. Sabia que uma hora ou outra ele saberia, mas não queria que soubesse por Freddie.

Ao ir pra casa, sentindo a falta de Mary no nosso convívio, fiz questão de dar a novidade a ela.

-Ai, que maravilha... - exclamou ela no telefone, soando feliz - isso é muito lindo Chrissie, mal posso esperar pra conhecer o nosso pequeno May, ou pequena.

-Obrigada Mary - eu a agradeci e me ofereci novamente para ouví-la, caso ela quisesse conversar.

Ela desligou me garantindo que estava melhor e senti que era verdade.

Assim, durante os meses seguintes, foi a minha vez de ser mimada e paparicada por todos. Brian perguntava mil vezes a mais se eu estava bem durante o dia, tocava a minha barriga frequentemente, checando o crescimento do bebê. Quando a barriga começou a aparecer e eu tive que começar a trocar meu guarda roupa, meu querido marido teve umas ideias inusitadas.

-Vem aqui, meu amor - ele me chamou um dia, me chamando pra sentar ao lado dele.

-Que foi, Bri? - me assustei um pouco com o que ele faria.

-Só me escuta, quero fazer um experimento - ele estava todo animado, só não sabia dizer com o quê.

Brian posicionou a Red Special em seu colo, ia tocando alguma coisa, quando parou de repente.

-Algum pedido especial, sra. May? - disse ele, fazendo charme.

-Hã... - eu sorri, mas continuava confusa - tenho dúvidas entre "Doing All Right" e "39". Ou "Long Away..." Isso, toca "Long Away."

-Ok - ele assentiu e começou a tocar e cantar, sua voz era suave, e ele encaixava o som da guitarra para sustentá-la de forma delicada.

Não importava quantas vezes Brian fizesse isso, sempre ficava encantada. Comecei a acompanhá-lo e ele sorriu pra mim, aprovando minha ação. Foi então que dei um pulo de susto e Brian riu. Já ia ficando brava com ele quando entendi o motivo da risada. Ele parou de tocar porque sua mão direita ficou ocupada tocando minha barriga. O bebê chutou outra vez. Nós sentimos e rimos juntos.

-Gosta da música do papai? - Brian disse ao nosso bebê - obrigado...

-Era isso que você queria - eu compreendi - fazer o bebê se mexer ouvindo música.

-É, mas você sabe que é cientificamente comprovado que música ajuda no desenvolvimento do bebê - explicou Brian - se depender de mim, vou sempre tocar pra ele.

-E eu vou amar te ouvir também, tão de pertinho - toquei o rosto de Brian e ele se inclinou pra me beijar, o que fez o bebê se mexer de novo.

-Tem alguém querendo atenção - brinquei e Brian voltou a tocar minha barriga.

Dessa vez, ele ficou em silêncio, apreciando o momento, incapaz de conter as lágrimas que brotaram.

E realmente nosso pequeno sempre se mexia quando o ambiente estava cheio de música, fosse num show do papai e seus tios, ou até mesmo com abertura de Doctor Who. Gostar de música e ficção científica estava mesmo no seu sangue.




A/N: Ai bebê May... Esperei tanto por você, só pra você ser fofinho igual papai e mamãe... Sério, gente, enquanto escrevia me deu vontade de chorar e gritar por causa de toda essa fofura. Pois é, logo vamos conhecer esse bebê. Ah, essa coisa de música ajudar no desenvolvimento do bebê é verdade, aprendi na faculdade. Long Away é outra música do Brian que eu amo. E esse Freddie meio rebelde? Senta que lá vem drama... Gente, obrigada pelos comentários, muito mesmo! Té mais!

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora