De volta ao rock

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Ao longo do tempo, Louisa foi aprendendo mais palavras e a andar. Não a vi dando seus primeiros passos, só sabia disso porque ela fez questão de andar na direção do pai dela, quando eu não estava presente, Brian me contou todos os detalhes do momento. E sem querer, por mais que eu e Jimmy falássemos bastante com ela, nada estimulava mais seu vocabulário do que ver Brian cantando e tocando em casa. Era incrível ela não chorar quando ele cantava " '39 ". Acho que no final das contas, ela era uma filhinha do papai mesmo, embora sempre olhasse pra mim, buscando aprovação antes de fazer qualquer coisa.

Então, enquanto Brian trabalhava numa canção nova pro próximo disco do Queen, Louisa estava sentadinha perto dele, prestando atenção em tudo que ele fazia. Ele parou um pouco e se levantou de repente.

-Onde vai papai? - ela perguntou, mais com medo do que preocupada.

-Eu já volto, meu amor, prometo - Brian beijou a testa de Louisa, e não demorou muito pra que voltasse, trazendo o maior amplificador que tínhamos em casa.

-Uau! Vamos ter um show particular? - olhei pra caixa de som, achando um pouco exagerado, mas sabia que ele teria cuidado em não aumentar o volume no último.

Brian podia ser um astro do rock, mas não era fã de um som alto e pesado.

-É que eu me animei, finalmente voltamos ao bom e velho rock'n roll e eu vou aproveitar isso ao máximo - ele me explicou, sorrindo.

Brian voltou a arrumar a Red Special, a conectando no amplificador. Ele tocou um acorde, testando o som, a vibração reverberando pelos nossos ouvidos. Bri então tocou o solo em que estava trabalhando, super pesado e carregado, fiel às raízes do rock, ainda assim mantinha uma melodia interessante.

-Bonito! - Louisa elogiou, batendo palmas.

-Obrigado, minha lindinha - Brian curvou a cabeça na direção dela - mas ainda não terminei.

-Já tem uma letra ou ritmo? Ou os dois? - o solo tinha me deixado curiosa sobre o resto da canção.

-Ah um pouco dos dois, preciso finalizar - meu marido me explicou, enquanto gesticulava, me entregando o caderno dele.

-"Hammer to Fall" - li o título em voz alta e o resto mentalmente.

Tinha palavras rabiscadas e substituídas por outras aqui e ali.

-É sobre a guerra fria, não é? - percebi o tema logo de cara.

-É sim, brilhante como sempre, meu amor - ele beijou minha bochecha por eu ter deduzido corretamente, e eu corei.

Não importava quanto tempo passasse, seus elogios sempre me deixavam lisonjeada. Brian prosseguiu trabalhando no ritmo da canção, colocando os acordes em cima da letra. Quando percebeu que estava pronta, experimentou cantá-la inteira pela primeira vez.

Jimmy, ao reconhecer a voz e a guitarra do seu pai, veio ouvir comigo e com a irmã. Me conectei à canção imediatamente, simplesmente a amei. Eu e meus filhos batemos palmas quando Brian terminou.

-Obrigado, família, obrigado - Bri agradeceu, comovido pelo nosso apoio.

Se Brian tinha voltado a compor, significava que seus companheiros de banda também tinham voltado ao trabalho. Durante os ensaios no estúdio, pude apreciar as novas criações de John, Freddie e Roger.

Roger tinha finalizado a canção que Felix o tinha inspirado a escrever. Segundo o pai dele, o menininho tinha arriscado a falar um pouco de francês, língua materna da sua mãe, falando "radio caca". A frase, por mais simples que fosse, inspirou Roger a escrever uma canção sobre a nostalgia do rádio em meio à modernidade. Era um conceito simples, mas eu sendo a nostálgica que eu era, acabei gostando da música. Além disso, o refrão que foi ligeiramente modificado por motivos de cacofonia em certas línguas, ficava grudado na cabeça. Depois que os meninos terminaram de gravar "Radio Gaga", acabei a cantarolando aleatoriamente, várias vezes.

-Gostou mesmo dessa, hein! - comentou Brian sobre meu comportamento.

-É, gostei sim, mas não se preocupe, ainda amo suas músicas - assegurei a ele.

-Só das músicas? - ele me deu um sorriso de lado, brincando comigo.

-Antes de amar as músicas. eu amo você e foi você que fez elas, então amar as músicas, é o mesmo que amar você - sorri pra ele, satisfeita com a minha resposta.

-Não podia dar uma resposta simples? - Brian continuou a me provocar, erguendo as sobrancelhas.

-Eu amo você - me rendi, sentindo o coração bater mais forte ao ver o sorriso dele.

Eu amava meu marido, mas amava a banda e suas músicas também. Freddie e John também continuaram a trabalhar, Deaky compôs uma única música, como costumava fazer. " I Want to Break Free" conseguia equilibrar o rock e o disco, Brian até adaptou um solo de guitarra sem ficar tão estridente, que combinava mais com a música. Quanto à letra, parecia que era alguém relutando com um tipo de amor que só fazia mal. Não era uma coisa que John estava passando, mas talvez ele já tivesse passado isso na vida, ou conhecia alguém nessa situação.

Freddie descreveu os conflitos de se estar apaixonado em "It's a Hard Life", dessa vez tinha certeza que os sentimentos que ele pôs na música era algo que ele já tinha sentido, e, talvez ainda sentia no presente.

O trabalho pro álbum novo foi interrompido pela chegada da pequena Laura Deacon, que nasceu num fim de noite. Lembro de me assustar ao ouvir o telefone tocar depois das 10:30 da noite, mas estava mais desperta que Brian e atendi. Fiquei feliz ao ver que John me contava as notícias, feliz da vida.

Lembrei que meus pequenos estavam dormindo, e não seria justo chamar Gracey à uma hora dessas. Então contei a Brian que Laura tinha nascido, ele riu de felicidade por nossos amigos, se apressou em se arrumar, se despediu de mim e foi sozinho até o hospital. O primeiro dos meninos a chegar lá foi Brian, como fiquei sabendo depois. Justo ele e John ficaram a maior parte do tempo juntos, o que remendou os últimos pequenos rompimentos que a amizade deles ainda tivesse.

Então, um dia depois, eu, Lou, Jimmy e Bri fomos à casa dos Deacon pra que eu e os pequenos conhecêssemos a Laura. Ela era linda como a mãe dela, com os traços delicados que lembravam Veronica, mas ela tinha os olhos e os cabelos como os de John.

-Parabéns, Veronica - elogiei minha amiga com a filhinha dela no meu colo - e John, é claro! Mais uma menina, parece que nossa torcida deu certo.

-Pois é, uma garotinha, talvez ela ajude a deixar os meninos mais calmos - ponderou Deaky.

-Bom, lá em casa é ao contrário - disse Brian - a Louisa é muito mais agitada do que o Jimmy, e querendo ou não, os dois juntos ficam bem quietinhos.

-Sorte a sua ter crianças que não dão trabalho - Veronica foi meio irônica - mas eu amo meus meninos, do jeitinho que são.

Dessa vez, nossos filhos estavam bem à nossa vista. Robert tinha espalhado peças de lego pelo tapete da sala, Jimmy e Mike faziam uma torre juntos, Louisa e Robert construíam uma outra coisa que estava difícil de identificar. Vendo as crianças assim, me deixou muito feliz, e era maravilhoso ver os Deacon e os May em harmonia.






A/N: Ultimamente tô só no modo fofura né? Fazer o que? É o meu jeitinho favorito de escrever, mas vocês gostam, não é? Enfim, gente, eu amo Hammer to Fall, é o toque do meu celular, tinha que fazer referência a ela, e é claro, se citei I Want to Break Free e It's a Hard Life, pode ter certeza que vem bastidores dos clipes delas e de Radio Gaga também, essa inspiração do Roger é baseado em fatos reais. Cara, se tem outra amizade que eu amo é do Brian e do John, na vida real é meio difícil de perceber ela, mas no filme, eles tem uns momentinhos de ouro, desde aquela cena do Deaky trocando o pneu, até ele elogiando a ideia de We will rock you. Tá, falei demais de novo, espero que tenham gostado, até a próxima!

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora