Queen no Live Aid

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Ao ouvirmos os apresentadores chamando o Queen ao palco do Wembley, toda nossa atenção se redobrou, com certeza, pra nós, aquele tinha sido o momento mais esperado do dia. Nossa visão era até que privilegiada. Conseguíamos ver os meninos tomando seus lugares, paralelos ao palco, um pouco acima do campo de visão da banda. Automaticamente, acenamos pra eles quando cumprimentaram o público.

Freddie sentou-se ao piano, e depois de checar o som, as primeiras notas de "Bohemian Rhapsody" chegaram aos nossos ouvidos, o que logo provocou os gritos e vivas do público. Aquela música tinha se tornado tão icônica e presente ao longo dos anos, que era impossível não cantar junto.

Mesmo à distância, sem conseguir ver com nitidez as expressões faciais de Freddie, só por sua voz, conseguia captar toda a emoção que colocava ao interpretar a canção. Era muito mais que o pedido de socorro de um menino desesperado, era alguém emocionado por estar de volta ao seu lugar. Ao cantar a última nota em "at all", extravasou toda essa emoção, dando a deixa pra que Brian entrasse com seu solo na Red Special.

Ver o amor da minha vida tocar era sempre especial pra mim, mas ali, bem naquele momento, era ainda mais emocionante e reconfortante, Brian não estava sozinho, estava com seus irmãos de novo, e juntos eles estavam dando o seu melhor.

Fez-se uma pausa curta antes que a próxima canção se iniciasse, o que nos deu tempo de aplaudir o solo de guitarra, e logo em seguida, reconhecemos a introdução de "Radio Gaga", outra das minhas favoritas, tão  contagiante como sempre. Em meio ao seu refrão, espontaneamente e num ato único, todo o estádio bateu palmas, o que me surpreendeu um pouco. Era algo simplesmente incrível de se presenciar.

Aproveitando a conexão com o público, Freddie fez seus famosos gritos de guerra pra que todo o estádio repetisse, não tinha como ficar quieto. Ao responder, me sentia como se estivesse no palco com eles, era aquela magia que a música tinha, de conectar a banda e os fãs pra uma mesma dimensão.

Freddie então anunciou a próxima canção, minha querida "Hammer to Fall", que eu sabia de cor e salteado, e cantei os acompanhando na minha maior euforia típica de fã. Batemos palmas no ritmo contagiante de " Crazy Little Thing Called Love", e trocamos o ritmo do bater de palmas e dos pés pra acompanhar "We Will Rock You".

Eles finalizaram a música de Brian, e meus sentimentos no momento se resumiam a euforia, empolgação, alegria por ver os meninos juntos de novo. Mas foi só Freddie tocar as primeiras notas de "We Are The Champions" que senti as lágrimas se formando.

Por mais que estivesse bem presente e bem consciente de onde estava e do que estava acontecendo, minha mente me levou a memórias antigas. Lembrei de quando Freddie mostrou a canção aos meninos, de como Brian tinha a achado arrogante à princípio, mas depois entendeu que era uma homenagem aos fãs. Pra mim, era o jeito do Queen dizer a todos, principalmente aos desajustados como eles que, apesar das dificuldades e lutas, poderíamos vencer tudo isso, éramos capazes de sermos campeões.

E esse pensamento, me levou a outro ainda mais distante. Enquanto cantava o refrão, e observava os meninos, sua sintonia, sua emoção, me lembrei daqueles quatro universitários se apresentando num palco apertado num cantinho de Ealling Art College, do baixista tímido que apareceu à minha porta numa tarde, do aspirante à artista completamente determinado, do baterista com o sorriso travesso e as piadas prontas, do guitarrista com os dedos ágeis, a voz tão perfeitamente encaixada no refrão das músicas, com os pensamentos tão parecidos com os meus...

Esses meninos tinham se tornados homens, hoje eles eram meu marido e meus irmãos, definitivamente mereciam cantar e declarar que eram campeões do mundo, depois de tudo que passaram. Cada dificuldade, cada passo, cada alegria, cada conquista, e até mesmo os conflitos os trouxeram até ali.

-'Cause we are the champions... of the world... - me ouvi cantando junto com Freddie, minha voz estava abafada pelo som alto ao redor, e pelo choro.

Meu rosto estava vermelho, molhado e inchado quando os meninos encerraram sua participação. Vê-los lado a lado me fez chorar mais um pouquinho.

-Mamãe... - Jimmy me chamou, um pouco preocupado, mas também conformado, ele já estava acostumado a me ver chorando à toa.

-Eu sei, eu sei - assenti para o meu menininho - eu sou muito boba...

-Não, não é não - Jimmy pegou minha mão - o show foi muito bonito mesmo.

-Obrigada por entender, meu amor - sorri de volta pra ele.

Nós continuamos a ver os shows que se seguiram, e, ao anoitecer, vendo que as crianças já estavam cansadas, decidi ir pra casa.

Eu também já estava com muito sono, e acabou que as crianças quiseram dormir comigo na minha cama, pra me fazer companhia. Meus últimos pensamentos antes de dormir foram sobre o show e toda emoção que senti em presenciá-lo.

Muito mais tarde, acordei sentindo alguém me observando. Era impossível ignorar aquele olhar insistente.

-Bri... - murmurei, sem ter dúvidas de que só podia ser ele.

-Oi, desculpa, não queria te acordar - ele falou bem baixinho, com cuidado pra não acordar as crianças.

-Tá tudo bem - continuei deitada e olhei pra ele - desculpe por ter vindo com pressa. Estava tudo tão corrido e tumultuado que nem deu pra ir ver vocês depois do show.

-É, eu entendo, imaginei que foi por isso, além disso, imagino que os pequenos se cansaram - ele observou Jimmy e Louisa com um sorriso.

-Aham, eu também - confessei - vim embora por isso também.

-Sabe que eu também não podia ter vindo mais cedo, todas as atrações tinham que ficar até o final - ele explicou mais um pouco - eu e Freddie também apresentamos mais uma música depois.

-Mesmo? Qual? - fiquei curiosa.

-"The World That We Created" - respondeu Brian, mas sabia que ainda queria dizer mais.

-O que foi? - perguntei pra que ele me contasse.

-Eu não tenho palavras pra descrever o que aconteceu hoje - Brian suspirou, emocionado - foi tudo tão melhor do que eu imaginei, do que a gente esperava, o público foi incrível, mas sabe o que foi o melhor de tudo?

-Eu acho que sei - assenti, deduzindo - vocês juntos de novo.

-Aham - Brian confirmou com um sorriso.

-Foi o que mais me emocionou também - confessei.

Brian então olhou pra mim, daquele jeito cheio de amor, acariciando meu rosto com uma das mãos.

-Não conseguiria sem você - ele disse e eu quis chorar - obrigado... por tudo.

Sem que eu me levantasse, ele se inclinou para me beijar, saindo logo em seguida.

-Pra onde vai? - perguntei antes que ele deixasse o quarto, confusa.

Ele apenas sorriu pra mim daquele jeito que sempre fazia meu coração derreter

-Prometo que mais tarde você vai descobrir.

Brian então me deixou com aquele mistério no ar, eu apenas sorri. Conhecia bem o jeito do meu marido e o amava por isso.






A/N: Bom, esse é oficialmente o último capítulo, antes do último. Pelo menos esse fecha a história até aqui. E gente, esse é um dos motivos principais pra eu chorar assistindo o final do filme, minha cabeça me faz lembrar do primeiro show dos meninos, que até o Brian, o Roger e o John olham torto pro Freddie, mas olha só onde eles chegaram! E também, apesar de tudo, eles realizaram seus sonhos. Estou muito contente em como nesse capítulo ficou, esse finalzinho tinha planejado faz muito tempo e não temam, assim como a Chrissie, vocês vão descobrir o que é que o Brian tá aprontando. Muito, mas muito obrigada mesmo de coração por amarem a minha história e a acompanharem. Eu amo PODC tanto quanto vocês. Até mais!

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora