Filhos e filhas

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Passamos tempos muito mais calmos em Londres e, já que não era só eu que sentia falta das noites de pizza e filme, voltamos a fazer isso com certa frequência, um pouco na minha casa, um pouco na casa dos Taylor, um pouco na casa dos Deacon.

Só que cada vez mais, Freddie ficava ausente, indo uma vez ou outra, já que ele tinha compromissos mais atrativos no seu ponto de vista agora. Não era só dele que eu sentia falta, também sentia muita falta de Mary. Fazia muito tempo que ela não falava conosco e comecei a me preocupar, pensando que ela não devia estar bem e eu devia me preocupar antes, mas também não queria perturbá-la. Talvez minha simples presença a faria se sentir mal ao se lembrar de tempos mais felizes, que agora tinham se tornado lembranças do passado que ficou pra trás. Fiquei um bom tempo refletindo se devia ir falar com ela ou não.
Era um dilema que começou a pesar em mim um pouquinho além da conta.

-Bri... - chamei meu marido enquanto estávamos em frente à TV na sala, Jimmy estava acordado, mas bem quietinho no meu colo - acha uma má ideia eu ligar pra Mary?

-A Mary? Puxa, faz... muito tempo que a gente não vê ela - Brian ficou surpreso em eu em mencionar nossa amiga - não é ruim não, aliás, talvez faça bem pra ela, pra ela ver que ainda nos preocupamos com ela.

-É que eu achei que seria meio constrangedor, ela falar comigo... - não precisei terminar para que Brian entendesse.

-Não, se ela tem alguma ressalva é com o Freddie, não com você, isso eu garanto - Bri me aconselhou - acho que você deveria mesmo falar com ela.

-Eu vou, vou mesmo - acabei concordando.

E realmente não foi uma ideia ruim. A voz de Mary se animou do outro lado da linha ao reconhecer a minha voz.

-Oi, que bom que você me ligou, eu tava mesmo pensando em fazer isso, é só que... Estava criando coragem, eu acho - Mary respondeu - mas precisei desse tempo afastada, me fez bem, e... até consegui conversar normalmente com o Freddie.

-Freddie procurou você? - essa informação me assustou um pouco.

-Não faz muito tempo, mas foi bem melhor do que esperava - ela contou - somos bons amigos ainda, e, fiquei feliz de ele confiar em mim. Você sabe que... ele precisa da gente, mais do que queira admitir. E eu quero ser amiga dele.

-É, eu sei - assenti - e eu também fiquei feliz de vocês estarem bem.

Continuamos a conversa um pouco mais, até ela desligar. Mary estava realmente melhor agora, talvez o suficiente pra voltar ao nosso convívio.

Conforme os meses foram passando, ficava mais perto de conhecermos o novo bebê Deaky.
Michael (que logo foi apelidado de Mike pelo tio Freddie, apelido que John não achou tão ruim assim) nasceu no meio da manhã, e não demorou tanto quanto seu irmão mais velho. Mike era mais agitado que Bobby, e ainda tinha mais as características de Veronica, mas se prestasse atenção, perceberia os traços de John em seu filho caçula.

Então, assim, agora nas nossas reuniões tínhamos quatro menininhos brincando juntos. Bobby e Jimmy tinham criado uma amizade forte, embora fossem tão pequenininhos, e os dois se revezavam para cuidar de Felix, que estava aprendendo a falar e andar agora. Às vezes os três mais velhos ficavam fascinados, observando Mike.

-Ele é muito pequeno - constatou meu Jimmy uma vez, enquanto eu olhava os quatro, sentados no chão, com as crianças a minha volta - por que ele é tão pequeno, mãe?

-Porque ele é meu irmãozinho - explicou Robert - por isso é pequenininho.

-Vocês que são grandinhos e por isso que acham o Mike tão pequeno - eu ri da fofura deles - é porque faz pouco tempo que ele nasceu, todo bebê é pequeno e depois cresce, ficando maior, entendeu, meu amor?

-Ah... - Jimmy exclamou concentrado, a expressão idêntica a de Brian quando estava pensativo.

-Ah! - imitou Felix entusiasmado, observando Bobby e Jimmy no seu processo de aprender a falar.

Esses momentos aqueciam meu coração de mais amor pelos quatro pequenininhos. Querendo ou não, o relacionamento de Bobby, Jimmy, Felix e Mike me fazia lembrar a amizade que seus pais e tio Freddie tinham. Esperava que as crianças crescessem e também se tornassem amigos inseparáveis.

Falando em tio Freddie, o notei observando seus sobrinhos com aquele olhar distante, sua expressão facial entregava que ele queria sorrir, mas estava se segurando, até dar o braço a torcer.

-Admito que eles são fofinhos - ele me disse antes que falasse alguma coisa.

-Sim, mas... Não é só nisso que está pensando, não é? - me arrisquei, vendo que ele estava pensando em mais alguma coisa.

-É, é - ele olhou pra baixo, mas logo depois disfarçou - nenhum de vocês teve uma menina ainda. Será que os nossos garotos não querem uma irmãzinha? Vou perguntar pro Jimmy se ele não quer uma irmãzinha...

-Freddie Mercury, eu detesto quando faz isso! - eu falei brava, mas acabei rindo, sabia que ele estava brincando, mas era a sua velha tática de evitar falar dos próprios problemas colocando o dedo na ferida dos outros.

Mas ele acabou acertando numa coisa, já que a próxima entre eu, Veronica e Dominique a engravidar novamente foi a sra. Taylor. É claro que Roger se debulhou em lágrimas outra vez, chegou a se jogar aos pés da esposa, declarando que não merecia uma família como a que ele tinha agora.

-Rog, para com isso - em vez de rir como nós, Dominique se compadeceu - está tudo bem, eu te amo, você é um pai maravilhoso, e estou feliz por estar com você.

-De verdade? - ele teve que perguntar pra garantir.

-De verdade - ela respondeu e finalmente seu tolo marido se levantou, dessa vez a tirando do chão, animado com as notícias.

Já que Freddie tinha jogado essa ideia no ar, começamos a especular se o novo bebê Taylor seria um menino ou uma menina. Começamos a gostar da ideia de uma menina, e desejar que tivéssemos uma sobrinha.

-Gente, pode ser um menino também, tem essa possibilidade - Roger apontou quando se cansou de todos nós dizendo que era uma menina - John teve dois meninos.

-E o que eu tenho a ver com esse exemplo? - retrucou Deaky.

-Admite, Roger - Freddie desdenhou - está com medo de ter uma menina porque tem medo dos caras que dariam em cima dela.

-Isso que eu chamo de adiantar as coisas - Brian deixou escapulir, achando a observação de Mercury muito ousada - ela, se for ela, nem nasceu, então vai demorar muito pra chegar na época disso acontecer.

-Meu Deus, gente, isso é tão... - a mãe da criança em questão se cansou - não tenho nem palavras pra dizer, só... Vamos esperar, tá bom?

-Falou e disse, gata - Roger concordou com Dominique - é muita especulação pra uma noite só.

-É sim - assentiu Dominique - toda essa conversa agitou o bebê.

-Mesmo? - aquilo fez Roger sorrir e esquecer a discussão toda, o fazendo tocar a barriga da esposa automaticamente, sentindo seu filho ou filha chutar forte.

Nós sorrimos diante daquele momento dos Taylor, só o tempo diria se estaríamos certos ou não.


A/N: Gente, é incrível como essa fic tem o poder de me transportar pra dentro dela, tava aqui sobrecarregada de problemas, aí comecei a escrever ouvindo a playlist do Queen, e aí parecia que eu tava ali na sala dos May. Às vezes, dá vontade de ficar morando com o Brian, a Chrissie e o Jimmy, e assistir filme com a galera do Queen também, mas enfim, voltando à realidade, falei que ia ter fofura das crianças e aí está! Essa ideia do Roger de ter medo de ter uma filha veio de uma leitora da fic, então o crédito por isso é dela. Ah, não fiz Freddie falar dos meninos terem filhas à toa, aguardem os próximos capítulos! Obrigada por acompanharem, té mais!

Pelo olhar de ChrissieHistórias para pegar e não largar. Descubra agora